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Group of seven veterinary clinicians posed in front of a teal-pink poster advertising a feline medicine post-grad program, with 'CLÍNICA MÉDICA DE FELINOS' text visible at bottom.

Início 01/08/2026

30 meses

Curso Online

Pós Graduação Veterinária em Clínica Médica de Felinos Online

Pós-Graduação em Clínica Médica de Felinos Online — Equalis Veterinária Domine com autonomia o diagnóstico e tratamento das principais doenças felinas: DRC, diabetes, hipertireoidismo, DTUIF, PIF, linfoma, síndrome vestibular, tromboembolismo aórtico e emergências toxicológicas. Formação 100% online, 500 horas em 30 meses, com videoaulas em padrão de TV, fóruns ao vivo, masterclasses e frameworks Cat Friendly Practice, WSAVA e DINAMIT V. 🐱 24 docentes (10 doutores · 9 mestres · 2 especialistas) · 📚 25 módulos · 🎓 Certificação MEC · ⭐ Avaliação 5.0/5
Taxa de inscrição de R$ 225,00 + 24x de R$ 836,00*

R$ 250,00

Informações sobre o curso

Domine a Medicina Felina com Segurança Clínica de Verdade

A pós-graduação em felinos mais completa do Brasil · 25 módulos · 24 docentes · 500h · 30 meses · 100% online

Você já parou diante de um gato em paraplegia aguda com pulso femoral ausente sem certeza se era tromboembolismo aórtico ou lesão medular? Recebeu uma gata com piometra pós-anticoncepcional exigindo decisão imediata? Ou um filhote em cianose castanha por intoxicação com paracetamol? A Pós-Graduação em Clínica Médica de Felinos da Equalis existe para que você reconheça o quadro em segundos, execute o raciocínio topográfico correto e conduza o caso com autonomia — do primeiro diagnóstico ao seguimento a longo prazo.

Em 30 meses e 500 horas, você domina 25 módulos que cobrem desde Etologia felina e Cat Friendly Practice (Cinco Pilares ISFM/AAFP) até Toxicologia emergencial (protocolo ABCDE, lipid rescue para permetrina), passando por Nutrição Clínica em nível de subespecialidade (12 apostilas seguindo Diretrizes Globais WSAVA), Diagnóstico por Imagem avançado (TFAST, Vet Blue, AFAST, Global FAST, TC e RM), Neurologia com framework didático próprio (mnemônico DINAMIT V), Endocrinologia felina com referência nacional (Márcia Jericó · diabetes e hipertireoidismo) e Dermatologia conduzida por autor de obra referência (Ronaldo Lucas · FMVZ).

Formação 100% online, com videoaulas gravadas em qualidade de estúdio de TV, fóruns permanentes, masterclasses ao vivo e a tecnologia proprietária Equalis Player — flexibilidade total para quem trabalha na clínica durante o dia.

24 docentes especialistas · o maior corpo docente em Medicina Felina do Brasil

Referências como Dra. Márcia Jericó (referência nacional em Endocrinologia Veterinária), Dr. Ronaldo Lucas (Doutor FMVZ · autor de obra de referência em Dermatologia), Dra. Mariana Porsani (Doutora Nutrologia FMVZ/USP · sócia NutricareVet), Dr. Ieverton Correia (radiologista TC e RM), Dr. Marlos Sousa (Presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia Veterinária), M.Sc. Emílio Sousa Jr. (autor do framework DINAMIT V para Neurologia felina), M.Sc. Claudia Prado Brito (Reprodução + Oncologia · USP), M.Sc. Patrícia Flôr (Anestesia e Analgesia) e M.Sc. Camila Ferreiro (Cat Friendly Professional · Fear Free · FelineVMA · ABFEL).

Cluster institucional: USP, FMVZ/USP, HOVET USP, UNESP, UFPR, UFAPE, FMUSP, The London Cat Clinic, DORVET e Clã dos Bichos.


Por que a Equalis não é “mais uma pós online”

A maioria das pós-graduações veterinárias grava a tela do professor em videoconferência e envia o link. Na Equalis, cada aula é produção audiovisual profissional em estúdio de TV com câmeras cinematográficas, microfones de referência e edição. Diferenças concretas:

Videoaulas
Maioria do mercado

Tela compartilhada em videoconferência

Equalis

Estúdio de TV, câmeras cinematográficas e edição profissional

Tecnologia EAD
Maioria do mercado

Vídeo básico e progresso estimado

Grade curricular
Maioria do mercado

15 a 18 módulos exclusivamente clínicos

Equalis

25 módulos · 20 clínicos + Manipulação, Toxicologia, Anestesia, Direito e Gestão

Frameworks didáticos
Maioria do mercado

Aula narrada de slide

Equalis

DINAMIT V, Cinco Pilares ISFM, Escada OMS, Global FAST, WSAVA

Interação ao vivo
Maioria do mercado

Aula inteira por videoconferência

Equalis

Fóruns ao vivo e Masterclasses exclusivas com o professor

Acesso
Maioria do mercado

Somente pelo computador

Equalis

Desktop e aplicativo mobile

Corpo docente
Maioria do mercado

5 a 10 professores generalistas

Equalis

24 docentes · cluster USP, FMVZ, UFPR · presidentes de sociedades


Frameworks didáticos que só a Equalis oferece

A Pós-Graduação em Medicina Felina da Equalis não ensina “conteúdo” — ensina modelos mentais estruturados que você aplica na rotina em cada caso:

DINAMIT V · Neurologia. Mnemônico próprio do Prof. M.Sc. Emílio Leite de Sousa Júnior para raciocínio etiológico: Degenerativa · Inflamatória · Neoplásica · Anômala · Metabólica · Idiopática · Tóxica-Traumática · Vascular.

Cinco Pilares do Bem-Estar Felino ISFM/AAFP · Etologia. Framework internacional aplicado à Cat Friendly Practice pela Profa. M.Sc. Camila Ferreiro (Cat Friendly Professional · Fear Free · FelineVMA · ABFEL).

Escada de Analgesia da OMS · Analgesia. 4 degraus com definição IASP 2020, Feline Grimace Scale, FMPI, uso racional de opioides e desmistificação da “morfina mania” (Wikler 1944) · Profa. M.Sc. Patrícia Bonifácio Flôr.

Global FAST · Diagnóstico por Imagem. TFAST (Lisciandro 2008), Vet Blue (2010) e AFAST integrados · TC e RM aplicadas ao felino · Prof. Dr. Ieverton Cleiton Correia da Silva.

5º Sinal Vital WSAVA · Nutrição. Diretrizes Globais WSAVA aplicadas em toda consulta felina, escore fecal 0-5, 45 nutrientes essenciais, carnívoro obrigatório · Profa. Dra. Mariana Porsani (FMVZ/USP · NutricareVet).

Protocolo ABCDE + MGCS · Emergências e Toxicologia. Escala Modificada de Glasgow Veterinária · lipid rescue para permetrina · antídotos específicos (N-acetilcisteína, vitamina K1, fomepizol, flumazenil, naloxona) · Profa. M.Sc. Juliana R Moncayo.


Destaques do Programa · 25 módulos especializados

Do fundamental ao mais avançado, cada módulo tem docente-âncora referência nacional:

Etologia e Cat Friendly Practice. Cinco Pilares ISFM · síndrome de Pandora · alopecia psicogênica · psicofarmacologia (ISRS, ADT, gabapentina) · Camila Ferreiro (Cat Friendly Professional · Fear Free · FelineVMA · ABFEL)

Hematologia Clínica de Felinos. Interpretação laboratorial, esferocitose felina, corpúsculos de Heinz, agregação plaquetária · Ludmila Rodrigues Moroz

Doenças Gastrointestinais, Hepatobiliares e Pancreáticas. Feline Fecal Consistency, linfoma de pequenas células, enteropatia responsiva, hepatobiliopatias · do diagnóstico ao manejo

Nefrologia e Urologia. DRC IRIS I-IV · DTUIF · obstrução uretral · injúria renal aguda · benazepril em proteinúria felina · D.Sc. Charles Lima

Odontologia Felina. Lesão de reabsorção dentária felina, doença periodontal em 95% dos gatos, protocolo profilaxia oral, tratamento avançado · Esp. Danyel Segundo Amorim de Sena

Geriatria Felina. Cuidados clínicos no paciente idoso, comorbidades múltiplas, Síndrome de Disfunção Cognitiva Felina (SDCF) · Rochana Rodrigues Fett (Chatterie · Centro Saúde do Gato)

Doenças Infecciosas e Zoonoses. PIF, FIV, FeLV, Complexo Respiratório Felino, rinotraqueíte viral, criptococose (Cryptococcus neoformans), esporotricose

Doenças Respiratórias. Rinites, sinusites, asma felina em Maine Coon, complexo respiratório, diagnóstico diferencial e terapêutica · M.Sc. Raquel Calixto

Oftalmologia em Felinos. Exame ocular sistemático, Teste Lacrimal de Schirmer felino, principais afecções · D.Sc. Leandro Lima (Doutor em Oftalmologia Veterinária pela UFPR)

Endocrinologia Felina. Diabetes mellitus com FreeStyle Libre e monitorização glicêmica, hipertireoidismo com metimazol, Body Condition Score, síndrome de Conn · Dra. Márcia Marques Jericó (referência nacional em endocrinologia clínica veterinária)

Nutrição Felina. com Dra. Mariana Porsani (Doutora Nutrologia FMVZ/USP · NutricareVet) · 5º sinal vital WSAVA · carnívoro obrigatório · nutrição oncológica, hepática, renal, dermatológica · nutracêuticos · manejo da obesidade e endocrinopatias

Doenças Cardiovasculares. Cardiomiopatia hipertrófica felina (CMH), diagnóstico por imagem, tromboembolismo aórtico · D.Sc. Marlos Gonçalves Sousa (Presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia Veterinária)

Neurologia Felina. Framework DINAMIT V · exame neurológico sistemático · epilepsia · ATE · encefalopatias · trauma cranioencefálico (ABCDE + MGCS) · síndrome vestibular · M.Sc. Emílio Leite de Sousa Júnior

Reprodução, Obstetrícia e Neonatologia. Ovulação induzida, piometra × CEH, DSDs (Síndrome XO), distocia em Birman até 15%, Apgar adaptado felino, emergência neonatal · M.Sc. Claudia Prado de Brito (USP)

Diagnóstico por Imagem. Radiografia + ultrassonografia sistêmica completa · TFAST · Vet Blue · AFAST · Global FAST em trauma e triagem · TC e RM · Prof. Dr. Ieverton Cleiton Correia da Silva (Médico Veterinário Radiologista especializado em TC e RM)

Dermatologia em Felinos. Dermatopatias felinas, dermatite atópica, DAA (alergia alimentar), dermatofitose, esporotricose · D.Sc. Ronaldo Lucas (Doutor FMVZ · autor de obra referência em dermatologia)

Oncologia Felina. Linfoma felino, mastocitoma c-KIT em 67%, adenocarcinoma mamário (80-90% malignidade), OSH precoce reduz risco em 91%, carcinoma escamoso oral, estadiamento TNM · M.Sc. Claudia Prado de Brito

Intensivismo em Felinos. Urgências, emergências e cuidados intensivos, choque hipovolêmico, CID, POCUS · Ligia Ziegler (Pós Medicina Intensiva · Pós Dor Hospital)

Ortopedia Clínica. Afecções musculoesqueléticas em gatos, osteoartrite felina em 90% dos idosos, fraturas, manejo cirúrgico e conservador · Marianne Lamberts (Cirurgiã)

Farmacologia em Felinos. Deficiência de UGT1A6/1A9, meia-vida prolongada de paracetamol e propofol, buprenorfina OTM (pKa 8,24 · pH bucal 8-9), receptor NMDA · Dra. Teresinha Martins (Doutora Anestesiologia FMUSP · DORVET · Clã dos Bichos)

Manipulação Veterinária em Felinos. Individualização de dose, itraconazol (ciclodextrina), ciclosporina (microemulsão), SAMe, omeprazol, transdérmicos (PLO, Lipoderme, VanPen) · M.Sc. Bruna Padin (FMVZ USP · Ex-The London Cat Clinic · UFAPE)

Toxicologia Clínica em Felinos. Protocolo ABCDE · antídotos específicos (N-acetilcisteína, vitamina K1, atropina, fomepizol) · lipid rescue em permetrina · toxicidade dos lírios (Lilium spp) · M.Sc. Juliana R Moncayo

Princípios da Anestesia e Analgesia. IASP 2020 · Escada OMS 4 degraus · Feline Grimace Scale · desmistificação da “morfina mania” · TIVA · CMH subclínica × anestesia · gabapentina · buprenorfina · M.Sc. Patrícia Bonifácio Flôr

Direito Veterinário. Prontuário juridicamente defensável · Resolução CFMV · LGPD aplicada aos dados do tutor e paciente · responsabilidade civil · Esp. Renata Arruda (Advogada · Especialista em Direito)

Gestão e Marketing. Marketing de serviço veterinário · touchpoints · marketing pessoal · nichar cliente ideal (ICP) · Instagram, WhatsApp Business, Google Meu Negócio · liderança · Profa. Janaciara Moreira Ribas


Corpo Docente de Excelência

Ao todo, 24 docentes com titulação de mestre ou doutor e atuação direta na rotina clínica felina · cluster com formação em USP, FMVZ/USP, HOVET USP, UNESP, UFPR, FMUSP, The London Cat Clinic, DORVET, Ambulatório de Dor e Cuidados Paliativos HOVET/FMVZ USP e Clã dos Bichos. Presidentes e diretores de sociedades científicas (SBCV), coordenadores clínicos e autores de obras de referência.

Não são figuras de fachada: são docentes que ainda atendem paciente na rotina, coordenam serviços de referência (NutricareVet, DORVET, Clã dos Bichos) e conduzem pesquisa aplicada ao consultório. Quando você aprende com eles, aprende como se decide em consulta real — não como sai em livro.


Certificação MEC

Pós-graduação lato sensu com certificação reconhecida pelo MEC, válida em todo o território nacional. Emitida em parceria com a UNIFATEC e Equalis Veterinária — instituição do Grupo Equalis, referência em educação veterinária desde 2002, com mais de 35 mil profissionais formados em 22 anos.


Farmacologia felina aplicada · Bulário Equalis

A Pós-Graduação aborda toda a farmacologia clínica específica da espécie. O gato tem metabolismo hepático único (deficiência de UGT1A6/1A9), meia-vida prolongada de paracetamol, propofol e AAS, sensibilidade específica a AINEs. Você domina:

  • Analgesia felina · gabapentina, buprenorfina OTM (pKa 8,24 · pH bucal alcalino 8-9)
  • Endocrinologia felina · metimazol (hipertireoidismo · também transdérmico) · insulinas glargina e detemir
  • Nefroproteção · benazepril · telmisartana IRIS I-III
  • Antieméticos · maropitant em pancreatite, DRC e quimioterapia
  • Toxicologia e antídotos · N-acetilcisteína · vitamina K1 · lipid rescue em permetrina · flumazenil e naloxona

Pós-graduações relacionadas na Equalis

 

CF
Docente responsável
Cat Friendly Professional · Fear Free Veterinary Professional · Membro FelineVMA e Conselheira Fiscal ABFEL

Ver corpo docente →

Comportamento felino sob a ótica da espécie. Bem-estar animal e as cinco liberdades, história da domesticação (Felis silvestris lybica → Felis catus), neotenização, comportamentos ancestrais preservados (territorialidade, hábito predatório, resposta de luta e fuga) e antropomorfismo como armadilha clínica.

Animais sensitivos. Visão, audição, olfação (órgão vomeronasal, bulbo olfativo), vibrissas faciais e carpais, tapete lúcido, e 12 vocalizações felinas (chamada, rosnado, ronronar, uivo, soprar, bufar).

Neurobiologia do estresse. Sistema Límbico, amígdala, eixo hipotálamo-hipofisário e ações fisiológicas do estresse (ativação simpática + endócrina, liberação de cortisol, hiperglicemia felina, imunossupressão).

Cinco Pilares do Bem-Estar Felino (ISFM/AAFP). Espaço seguro, recursos múltiplos e separados, comportamento predatório, interação social consistente, ambiente que respeite o sentido olfativo.

Cat Friendly Handling e Low Stress Handling. Sala de espera separada, prateleiras elevadas, feromônios sintéticos (Feliway), sala de atendimento 24-26°C, exame dentro da caixa quando possível.

Distúrbios comportamentais. Marcação urinária × toileting, comportamentos deslocados, transtornos obsessivo-compulsivos (TOC) — alopecia psicogênica, automutilação, dermatite ulcerativa,  Síndrome de Pandora, ansiedade, medo, frustração e insegurança.

Medicações psicoativas. ISRS (paroxetina, fluoxetina, sertralina), antidepressivos tricíclicos (clomipramina, amitriptilina), azapirona (buspirona), benzodiazepínicos e gabapentina.

Objetivos do módulo

  • Compreender o comportamento e as peculiaridades felinas (etologia, domesticação, neotenização, comportamentos ancestrais)
  • Reconhecer e aplicar os Cinco Pilares do Bem-Estar Felino (ISFM) no ambiente doméstico e clínico
  • Aplicar o programa Cat Friendly Practice (ISFM/Feline VMA) e o Cat Friendly Handling na consulta
  • Reconhecer sinais comportamentais e fisiológicos de estresse (freezing, taquipneia, sialorreia, sudorese nos coxins, dilatação pupilar)
  • Diferenciar afiliação, tolerância e agonismo entre gatos (allogrooming, allorubbing) e diagnosticar conflitos em lares multicats
  • Diagnosticar e tratar distúrbios comportamentais felinos: marcação urinária, comportamentos compulsivos, PICA, alopecia psicogênica, Síndrome de Pandora
  • Prescrever medicações psicoativas com indicação correta: ISRS, ADT, buspirona, benzodiazepínicos e gabapentina

LM
Docente responsável
Técnica do Laboratório de Análises Clínicas (LAC) — HOSPMEV/UFBA (Universidade Federal da Bahia)

Ver corpo docente →

Colheita Cat Friendly (AAFP). Contenção atraumática, ordem de preenchimento dos tubos: citrato de sódio 3,2% azul → EDTA roxo → heparina verde/cinza → soro vermelho/amarelo por último.

Peculiaridades hematológicas do felino. Hemácia com vida útil de 70 dias (metade do cão), hemoglobina com 8 agrupamentos sulfidrila (maior instabilidade e oxidação), formação de corpúsculos de Heinz, reticulócitos agregados vs ponteados.

Interpretação do hemograma. Eritrograma, leucograma e plaquetograma com índices hematimétricos, números absolutos e morfologia.

Leucograma felino. Neutrofilia com desvio à direita (estresse/cortisol), desvio à esquerda com granulações tóxicas (inflamação), mielossupressão, síndromes mielodisplásicas, linfopenia por corticoide.

Bioquímica hepática. Enzimas de extravasamento (ALT, AST) e de indução (FA, GGT), albumina, bilirrubina direta, amônia, colesterol. Diferenciação entre doença hepática e insuficiência hepática (perda de 70-80% da massa).

Avaliação renal além da ureia e creatinina. Urinálise, enzimúria, GGT urinária, proteinúria, lesões glomerulares e tubulares.

Medicina transfusional felina (AVHTM/TRACS). Perfil do doador, sistema fechado, CPDA1, scalp 19-20G, volemia felina 10-15%. Tipagem sanguínea AB e prova cruzada.

Reações transfusionais. Agudas × tardias e imunológicas × não-imunológicas — hipersensibilidade tipos I, II e IV, púrpura pós-transfusional, reações febris, sobrecarga circulatória, contaminação bacteriana, intoxicação por citrato, hiperamonemia, hemossiderose.

Objetivos do módulo

  • Aplicar a abordagem Cat Friendly (AAFP) na colheita de sangue felina
  • Dominar a interpretação do eritrograma felino (vida útil 70 dias, corpúsculos de Heinz, reticulócitos agregados vs ponteados)
  • Reconhecer padrões de leucograma felino: desvio à direita vs desvio à esquerda com granulações tóxicas
  • Superar armadilhas: agregação plaquetária (falsa trombocitopenia), aglutinação eritrocitária
  • Gerenciar CID em gatos (TP, TTPa, PDF, D-dímero)
  • Interpretar bioquímica hepática e diferenciar doença de insuficiência hepática
  • Avaliar função renal além de ureia e creatinina
  • Executar medicina transfusional segundo AVHTM/TRACS: tipagem AB, prova cruzada, volemia
  • Reconhecer e manejar reações transfusionais

FA
Docente responsável Perfil ativo

 

Particularidades anatômicas e fisiológicas gastrintestinais. O gato doméstico é carnívoro estrito — dentição sectória sem superfícies oclusais planas, estômago pequeno com esvaziamento rápido, intestino curto (relação intestino:corpo ~4:1) e ausência praticamente completa de fermentação cecocólica. A baixa atividade da UGT1A6 (glucuronosiltransferase) reduz a conjugação de xenobióticos e explica a toxicidade felina a paracetamol e propofol em CRI. Ácidos biliares só taurinoconjugados (nunca com glicina como no cão) e insuficiente atividade da ornitina transcarbamilase compõem a base fisiopatológica da lipidose hepática.

Diagnóstico diferencial do vômito. Vômito agudo (<2-3 semanas) × crônico (>2-3 semanas) orienta protocolo. Cerca de 10% dos gatos saudáveis vomitam bola de pelo (tricobezoar) e 27-37% dos gatos que ingerem grama vomitam após (Hart et al., 1.872-2.036 tutores) — porém “só é vomitador” é diagnóstico de exclusão. DDs críticos do vômito crônico: DRC, hipertireoidismo, pancreatite crônica, DII, linfoma alimentar, corpo estranho linear, distúrbios de motilidade. Plano mínimo: hemograma, bioquímica, T4 total, urinálise, SPec fPL, cobalamina/folato, imagem abdominal.

Abordagem diagnóstica da diarreia. Feline Fecal Consistency Scale 1-4 padroniza acompanhamento (1 constipação, 2 pastosa, 3 mole, 4 ideal). Diferenciação anatômica: intestino delgado (volume ↑, melena, esteatorreia, perda de peso, vômito) × intestino grosso (frequência ↑↑↑, hematoquezia, muco, tenesmo/disquesia, dermatite perianal, raro vômito) — enterocolites são mistas. Aguda em jovem: dieta, parasitas (giárdia, Tritrichomonas foetus, isóspora), infecções (panleucopenia, retrovírus). Crônica em idoso: DII, linfoma alimentar, ERA.

Enteropatias crônicas felinas (ECF). Sinais gastrintestinais >3 semanas após exclusão de causas extra-intestinais, infecciosas, obstrutivas e neoplásicas focais. Três entidades a diferenciar: DII (infiltrado linfoplasmocítico responsivo a corticosteroide), Linfoma de Pequenas Células (LPC) (expansão clonal de linfócitos, progressão lenta) e Enteropatia Responsiva ao Alimento (ERA) (dieta hidrolisada/proteína novel). Histopatologia da DII: infiltrado linfocítico e plasmocítico + eosinófilos + neutrófilos + macrófagos; atrofia/fusão de vilosidades; hiperplasia e abscessos de cripta; linfangiectasia. Distinção DII × LPC exige imuno-histoquímica (CD3/CD20) e PARR (PCR for Antigen Receptor Rearrangements). Hipocobalaminemia (B12 <300 ng/L) frequente — reposição  semanal por semanas.

Constipação, obstipação e megacólon. Constipação (defecação infrequente/difícil com retenção) × obstipação (prolongada, refratária, fezes impactadas) × megacólon idiopático (dilatação irreversível, cólon:L5 >1,48). Causas: DRC (hipocalemia), hipertireoidismo, dor pélvica/lombossacral, obesidade, higiene inadequada da caixa. Tratamento clínico: fluidoterapia, lactulose, polietilenoglicol (Miralax) , cisaprida, dieta alta em fibra solúvel. Megacólon refratário indica colectomia subtotal com preservação da válvula íleocecocólica (sobrevida >80%).

Colangite felina (CCHS). A síndrome colangite-colangiohepatite inclui três formas: Colangite Neutrofílica (CN) aguda/crônica — 23,9-53% dos casos, associação com obstrução biliar extra-hepática em 53% e ascensão bacteriana (E. coli, Streptococcus, Clostridium); Colangite Linfocítica (CL) — 14,1-68,7% dos casos, padrão linfoplasmocítico compatível com colangite esclerosante primária humana; Colangite Crônica — 5,6-9,4%. E. coli isolada em 27,3-33,3% das formas. Tratamento CN:

Pancreatite felina e IPE. Diferente do cão, predomina a forma crônica com infiltrado neutrofílico. Tríade felina: pancreatite + DII + colangite em 67% dos casos (25% têm pancreatite + DII). Diagnóstico: SPec fPL (Idexx) — sensibilidade 87% · especificidade próxima 100%, muito superior a amilase/lipase séricas. SNAP fPL em consultório dá triagem rápida. Tratamento: fluidoterapia, analgesia, antieméticos, ondansetrona, estímulo alimentar, sonda esofágica se anorexia >3 dias. Insuficiência Pancreática Exócrina (IPE): TLI sérico <8 µg/L, tratamento com enzimas pancreáticas (Pancrex, Creon) + reposição de cobalamina.

Lipidose hepática felina. Acúmulo severo de triglicerídeos com colestase intra-hepática e falência hepática. Gatilho típico: jejum >3-7 dias em gato obeso após evento estressor. Base fisiopatológica: deficiência de arginina, carnitina, taurina, metionina + oxidação mitocondrial prejudicada + insuficiente ornitina transcarbamilase. Apresentação: icterícia em 70%, hepatomegalia, anorexia completa, perda de peso >25%, sinais de encefalopatia hepática. Diagnóstico por citologia hepática guiada (vacuolização macrocítica difusa). Tratamento: sonda esofágica ou nasogástrica (padrão-ouro, correção prévia de hipocalemia e hipofosfatemia (síndrome de realimentação. Sobrevida com sonda 60-85%; sem sonda mortalidade >90%.

Objetivos do módulo

  • Compreender particularidades anatômicas e fisiológicas do trato GI felino: dentição sectória, UGT1A6 baixa, ácidos biliares só taurinoconjugados, ornitina transcarbamilase
  • Estruturar abordagem diagnóstica do vômito agudo × crônico e diferenciar tricobezoar de distúrbios de motilidade, DRC, hipertireoidismo e pancreatite
  • Aplicar Feline Fecal Consistency Scale (1-4) e classificar diarreia por origem anatômica (delgado × grosso × mista)
  • Diferenciar as três enteropatias crônicas felinas: DII linfoplasmocítica, Linfoma de Pequenas Células (LPC) e Enteropatia Responsiva ao Alimento (ERA) usando CD3/CD20 e PARR
  • Reposição de cobalamina 250 µg SC semanal e manejo de prednisolona + clorambucil no LPC
  • Reconhecer, tratar e monitorar constipação, obstipação e megacólon com lactulose, cisaprida, Miralax e indicar colectomia subtotal
  • Diferenciar Colangite Neutrofílica × Linfocítica × Crônica (CCHS) e conduzir com antimicrobiano dirigido, UDCA, SAMe e silimarina
  • Diagnosticar pancreatite felina via SPec fPL (Idexx) e reconhecer a tríade felina (67%)
  • Tratar pancreatite com buprenorfina OTM, maropitant (Cerenia) e sonda esofágica precoce
  • Diagnosticar IPE por TLI sérico e tratar com enzimas pancreáticas (Pancrex, Creon)
  • Manejar lipidose hepática com sonda esofágica, L-carnitina, taurina, SAMe, vitamina K e N-acetilcisteína

CL
Docente responsável
@charleslimavet · Nefrologia e Urologia Veterinária

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Marcadores renais além de ureia e creatinina. SDMA, cistatina C, FGF-23, NAG e GGT urinária, densidade urinária (DU >1,035 em dieta seca, >1,025 em úmida), UPC (relação proteína/creatinina).

Injúria Renal Aguda (IRA). Termo sindrômico, síndrome urêmica, toxinas urêmicas (β2-microglobulina, indoxil sulfato, homocisteína, ácido úrico, PTH). Manifestações multissistêmicas: GI, cardiopulmonar, hematológica (hemólise por ureia e PTH), neuromuscular, endócrina, oftálmica.

Doença Renal Crônica (DRC). Estadiamento IRIS I-IV com subestadiamento por UPC e PAS, hiperparatireoidismo secundário renal, hiperfosfatemia, hipocalcemia, calcitriol.

Manejo da DRC. Dieta renal restrita em fósforo e sódio, quelantes de fósforo (hidróxido de alumínio, ipakitine), controle de proteinúria glomerular por UPC. Anemia da DRC tratada com rHuEPO (eritropoetina humana recombinante) e Varenzin-CA1 (novo fármaco que estimula EPO endógena).

Hipertensão arterial felina. Efeito “jaleco branco”, desordens do eixo cardiovascular-renal (CvRD). Anti-hipertensivos: benazepril, telmisartana, anlodipino (isolado ou em associação: anlodipino + benazepril / anlodipino + telmisartana em hipertensão importante com proteinúria).

Urolitíase felina. Estruvita, oxalato de cálcio, urato, fosfato de cálcio, cistina, sílica — cálculos simples × mistos × compostos.

Cistite Idiopática Felina (CIF). 65-70% dos casos de cistite em gatos, papel dos glicosaminoglicanos, pH ácido do carnívoro, fibras C e inflamação neurogênica. Cistite bacteriana em apenas 2-10% (associada a sondas, imunossupressão ou DRC).

Obstrução uretral. Hipercalemia (K >8,0 mmol/L), bradicardia, hipotermia, hipotensão, acidemia. Proteção miocárdica com gluconato de cálcio.

Urinálise, urocultura e cuidados paliativos. Exame físico, químico e sedimentoscopia (hematúria >5 P/C, piúria >5 P/C). Tubos Vacuette com ácido bórico, tetraborato de sódio, manitol. Cuidados paliativos pelo método das quatro caixas (autonomia, não causar mal, benefícios, justiça).

Objetivos do módulo

  • Interpretar marcadores renais além de ureia e creatinina: SDMA, cistatina C, FGF-23, NAG, GGT urinária, UPC
  • Estadiar DRC felina pelo protocolo IRIS (I-IV) com subestadiamento por UPC e PAS
  • Diagnosticar e manejar Injúria Renal Aguda (IRA) e síndrome urêmica multissistêmica
  • Manejar hiperparatireoidismo secundário renal e hiperfosfatemia
  • Tratar anemia da DRC com eritropoetina recombinante (rHuEPO) e Varenzin-CA1
  • Manejar hipertensão arterial felina com benazepril, telmisartana e anlodipino
  • Diagnosticar cálculos urinários (estruvita, oxalato, urato, cistina, sílica)
  • Diagnosticar Cistite Idiopática Felina (CIF, 65-70% dos casos)
  • Desobstruir uretra e manejar hipercalemia grave (K >8,0 mmol/L)
  • Executar urinálise e urocultura completas
  • Aplicar cuidados paliativos pelo método das quatro caixas

DS
Docente responsável
Odontologia Veterinária ·

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Anatomia periodontal e exame. Equipos odontológicos (compressor, ultrassom, alta e baixa rotação, radiografia intraoral) e anatomia do periodonto (gengiva, cemento, ligamento periodontal, osso alveolar).

Doença periodontal. Microbiota supra e sub-gengival, placa bacteriana e cálculo dental (crosta acastanhada mineralizada). Estágios, sondagem periodontal, bolsas profundas, mobilidade dentária e exposição de furca.

Profilaxia e antibioticoterapia. Raspagem supra e sub-gengival, polimento dental. Clindamicina, amoxicilina + ácido clavulânico.

Lesão de Reabsorção Dentária Felina (LRDF). Estágios 1, 2 e 3. Diagnóstico radiográfico intraoral e tratamento por extração.

Complexo Gengivite-Estomatite Felino (CGEF). Associação com calicivírus (FCV) e herpesvírus tipo 1 (FHV-1). Terapêutica: buprenorfina (longo prazo), interferon ômega recombinante (inibe replicação viral em FCV, FIV, FHV-1), ciclosporina  (contínuo), prednisolona, ciclofosfamida.

Extrações dentárias. Exodontia de pré-molares e molares OU extração total como tratamento definitivo do CGEF refratário. Riscos: penetração da cavidade nasal em caninos e PM superiores, globo ocular em molar superior, artéria alveolar inferior em PM e M inferiores.

Neoplasias orais felinas. Carcinoma de células escamosas (CCE — 60-80%), fibrossarcoma (10-20%), linfoma oral, adenocarcinoma, osteossarcoma, hemangiossarcoma, melanoma, ameloblastoma. Cirurgia (maxilectomia, mandibulectomia), radioterapia, quimioterapia com vincristina.

Objetivos do módulo

  • Manejar equipos odontológicos e realizar exame oral completo em felinos
  • Interpretar radiografias dentárias intraorais
  • Diagnosticar e estadiar doença periodontal com sondagem periodontal
  • Executar profilaxia periodontal completa (raspagem, polimento)
  • Diagnosticar e classificar LRDF (estágios 1-3) e planejar extração
  • Diagnosticar CGEF e associar a FCV/FHV-1
  • Prescrever tratamento do CGEF: buprenorfina, interferon ômega, ciclosporina 5-7 mg/kg
  • Executar exodontia de pré-molares e molares ou extração total para CGEF refratário
  • Realizar extrações evitando riscos anatômicos (cavidade nasal, globo ocular, artéria alveolar inferior)
  • Diagnosticar e tratar neoplasias orais: CCE (60-80%), fibrossarcoma, melanoma, ameloblastoma

RF
Docente responsável
Sócia-proprietária Chatterie Centro de Saúde do Gato · Membro Diretoria ABFel · Membro Associada VIN, ISFM, AAFP

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Fisiologia do envelhecimento felino. Processo sequencial, individual, acumulativo, irreversível e não patológico (“velhice não é doença”).

Três mecanismos interrelacionados. (1) Disfunção mitocondrial com radicais livres e apoptose; (2) Imunosenescência (imunidade inata e adaptativa, desvio de CD4+ para citocinas Th2 sobre Th1, inflamação subclínica, superativação do FN-Kβ); (3) Encurtamento de telômeros (sequência 5′-TTAGGG-3′; telômeros felinos mais comprimidos que os caninos).

Síndrome da Disfunção Cognitiva felina (SDC). Modelo espontâneo de Alzheimer humano — atinge 50% dos pacientes com mais de 15 anos. Alterações: desorientação temporo-espacial, alteração no ciclo sono-vigília, vocalização inapropriada (mais à noite), eliminação inapropriada.

Neuropatologia da SDC. Placas senis (depósito extracelular de beta-amiloide), emaranhados neurofibrilares helicoidais (proteína tau hiperfosforilada), perda neuronal, atrofia cerebral, alargamento dos sulcos, aumento ventricular, microhemorragias.

Doença Articular Degenerativa (DAD) / Osteoartrose. Cartilagem: 70% água, condrócitos, colágeno tipo II (força tênsil), glicosaminoglicanos, condroitina. Classificação primária (idiopática por envelhecimento) vs secundária (luxação de patela).

Progressão da DAD. Depleção de GAG e colágeno, sinovite, exposição subcondral, fibrose, erosão, osteófitos (proliferações ósseas nas bordas), espondilose em coluna.

Medicina felina preventiva do idoso. Hidratação, alimentação adequada, prevenção de estresse, cinco recursos essenciais (comida, água, vasilhas sanitárias, interações sociais, esconderijos), higiene. Comunicação e empatia em fim de vida, tomada de decisão sobre eutanásia.

Objetivos do módulo

  • Compreender fisiologia do envelhecimento: disfunção mitocondrial, imunosenescência, encurtamento de telômeros
  • Reconhecer SDC (50% dos pacientes >15 anos) e alterações comportamentais/neuropatológicas
  • Correlacionar com modelo de Alzheimer (placas senis beta-amiloide, emaranhados neurofibrilares de tau hiperfosforilada)
  • Diagnosticar e tratar DAD/Osteoartrose felina identificando osteófitos, sinovite e alterações da cartilagem
  • Aplicar medicina preventiva no paciente idoso com foco em hidratação, alimentação, ambiente e higiene
  • Manejar comunicação empática em fim de vida, tomada de decisão sobre eutanásia e cuidados paliativos

FA
Docente responsável

 

Micoses sistêmicas felinas — Criptococose. Cryptococcus neoformans e Cryptococcus gattii. Infecção por inalação de basidioesporos ou células leveduriformes dissecadas. Formas clínicas: criptococose cutânea (granulomas nasais e faciais), criptococose respiratória superior (upper respiratory tract), pneumonia criptococócica e neurocriptococose. Antígeno criptocócico como marcador diagnóstico. Terapêutica antifúngica: Itraconazol, Fluconazol, cetoconazol como opção. Cerca de 50% dos casos humanos são zoonóticos ambientais.

Histoplasmose felina. Segunda micose sistêmica em gatos. Histoplasma capsulatum — fungo dimórfico saprófita (micélio no solo úmido e quente, levedura nos mamíferos). Reservatório: intestino e fezes de morcegos. Infecção via inalação (ingestão rara). Disseminação via macrófagos. Casos em gatos de apartamento. Diagnóstico e tratamento com itraconazol.

Complexo Respiratório Felino — Rinotraqueíte Viral (FHV-1) e Calicivirose (FCV). Herpesvírus Felino tipo 1 (FHV-1) e Calicivírus Felino (FCV). Co-infecção frequente com Chlamydia felis, Mycoplasma e Bordetella bronchiseptica. Alta capacidade de mutação do FCV (RNA vírus). Sinais clínicos: espirros, secreção nasal, conjuntivite, úlceras orais. Latência do FHV-1 em gânglios trigeminais com reativação por estresse. 62% dos gatos com pneumonia por FHV-1 são co-infectados com FCV. Córneas de gatos saudáveis são positivas para FHV-1 virulento. Tratamento de infecção secundária bacteriana: Doxiciclina(1ª escolha para Mycoplasma, Bordetella e Chlamydia); alternativas: amoxicilina/clavulanato e cefovecina.

Retroviroses Felinas — FIV e FeLV. Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) e Vírus da Leucemia Felina (FeLV) — retroviroses disseminadas no Brasil. FeLV é mais patogênico com mielodepressão. FIV causa doenças crônicas debilitantes. Ciclo do retrovírus: RNA viral → transcriptase reversa (RT) → DNA viral (provírus) → integração no DNA da célula hospedeira → destruição celular imuno-mediada, infecção celular com/sem produção viral, transformação em célula tumoral. FeLV-C com mutações no gene env. Testes detectam infecção e não doença — muitos gatos vivem anos e morrem de outras causas. Diretrizes: 2020 AAFP Feline Retrovirus Guidelines e AAFP/ISFM.

Panleucopenia Viral Felina. Doença altamente contagiosa e grave, 50% de mortalidade mesmo com tratamento. Etiologia: Parvovírus Felino (FPV), similar ao canino (CPV-2, com subvariantes 2a, 2b e 2c que também infectam gatos). Vírus DNA não envelopado — resistente 13 meses em temperatura ambiente. Inativação por hipoclorito de sódio 1:30, hidróxido de sódio, formaldeído, glutaraldeído e ácido peracético. Gatos infectados excretam vírus por até 6 semanas. Transmissão por contato direto e fômites. Vacinação altamente efetiva.

Coronavirose entérica felina. Coronavírus felino (FCoV) — 87% dos gatos são positivos. Cepas de baixa virulência causam quadros assintomáticos, cepas de baixa/média virulência causam enterite (diarreia e vômito), e cepas de alta virulência estão associadas à PIF (5-10% dos gatos infectados).

Peritonite Infecciosa Felina (PIF) — Vasculite Sistêmica Coronaviral. Fatores virais: proteínas S, N, M e E do FCoV. Mutações no gene S (nucleotídeos 23531 e 23537) permitem replicação eficiente em monócitos e macrófagos — em >95% dos casos de PIF, 2 aminoácidos do peptídeo de fusão são diferentes. Fatores do hospedeiro: idade (<2 anos), sexo (mais em machos), ambiente populoso, estresse (castração, mudanças, vacinação), genética. PIF Efusiva: efusão abdominal, pleural, pericárdica, escrotal, anorexia, perda de peso, icterícia, linfoadenopatia. PIF Não Efusiva (seca): sinais neurológicos (ataxia, hiperestesia, convulsão), uveíte, discoria/anisocoria, hifema, flare, coriorretinite. Diagnóstico: teste de Rivalta na efusão (VPP 86%, VPN 97%), AGP, hipergamaglobulinemia, imuno-histoquímica em tecido lesionado.

Raiva felina. Antropozoonose de altíssima letalidade. Vírus RNA envelopado do gênero Lyssavirus, família Rhabdoviridae. Encefalite progressiva aguda fatal em mamíferos. Reservatórios silvestres (morcegos, gambás, guaxinins, raposas). Sensível a detergentes, desinfetantes, luz solar, solventes de lipídeos, etanol 45-70%, iodo e amônia quaternária. Transmissão via saliva (mordeduras, arranhaduras, lambedura de mucosas), aerossóis em cavernas, ingestão de tecidos contaminados. Forma furiosa é a mais comum, com óbito em 10 dias. 40 a 100 mil óbitos humanos anuais globalmente.

Vacinação felina. Protocolos baseados nas diretrizes WSAVA VGG (Vaccination Guidelines Group), AAFP e ISFM, adaptados à realidade LATAM. Vacinas core (essenciais): tríplice viral (panleucopenia FPV + rinotraqueíte FHV-1 + calicivirose FCV) e antirrábica. Vacinas non-core (condicionais): FeLV, Chlamydophila felis. Recomendação de reforço a cada 1 ou 2 anos para core em populações LATAM.

Objetivos do módulo

  • Diagnosticar e tratar criptococose felina (cutânea, respiratória, SNC) com itraconazol e fluconazol
  • Reconhecer histoplasmose felina como segunda micose sistêmica (Histoplasma capsulatum, dimórfico)
  • Diagnosticar complexo respiratório felino diferenciando FHV-1, FCV, Chlamydia felis, Mycoplasma e Bordetella bronchiseptica
  • Manejar latência do FHV-1 e reativação por estresse
  • Diagnosticar FIV e FeLV com base nas diretrizes 2020 AAFP Feline Retrovirus Guidelines
  • Compreender o ciclo do retrovírus e a integração como provírus no DNA celular
  • Manejar panleucopenia viral felina (FPV) e reconhecer resistência ambiental do vírus DNA não envelopado
  • Diferenciar coronavirose entérica assintomática de PIF
  • Diagnosticar PIF efusiva × não efusiva (seca) e aplicar teste de Rivalta (VPP 86%, VPN 97%)
  • Reconhecer o papel das mutações no gene S (nucleotídeos 23531/23537) e proteínas S/N/M/E na patogênese da PIF
  • Investigar sinais oculares da PIF (uveíte, hifema, flare, coriorretinite) e neurológicos (ataxia, convulsão)
  • Manejar raiva felina como antropozoonose (Lyssavirus, Rhabdoviridae) — forma furiosa e reservatórios silvestres
  • Aplicar protocolos vacinais WSAVA VGG, AAFP e ISFM em LATAM diferenciando core (FPV, FHV-1, FCV, antirrábica) de non-core (FeLV, Chlamydophila)

M.V. M.Sc. Raquel Calixto
Docente responsável Perfil ativo
Médica veterinária · Mestre em Ciências · atuação clínica e docente em medicina felina com foco em afecções do sistema respiratório · anatomia funcional, dispneia, afecções de laringe, efusões pleurais e emergências respiratórias em felinos domésticos

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Anatomia e fisiologia do sistema respiratório felino. Estudo integrado do trato respiratório superior (narinas, cavidade nasal, seios paranasais, nasofaringe, laringe) e trato respiratório inferior (traqueia, brônquios principais, bronquíolos, alvéolos). Particularidades felinas críticas: traqueia curta e proporcionalmente estreita, hipoplasia traqueal em raças braquicefálicas (Persa, Himalaia, Exótico), mucosa nasal altamente vascularizada (predispõe epistaxe e edema em qualquer irritação), seios paranasais desenvolvidos (foco de rinossinusite crônica). Fisiologia respiratória: volume corrente, ventilação-minuto, complacência pulmonar, resistência das vias aéreas, difusão alveolo-capilar. Base para entender: preenchimento alveolar por líquido → edema pulmonar não cardiogênico (pneumonia, contusão, hemorragia); obstrução brônquica → broncoespasmo (asma felina); colapso alveolar → atelectasia; preenchimento do espaço pleural → efusões.

Dispneia felina · abordagem sistematizada. Dispneia é a dificuldade ou redução da capacidade respiratória, classificada em três graus: leve/discreta (aumento sutil do esforço, gato ainda em posição normal), moderada (esforço evidente, taquipneia sustentada, mucosas rosadas mas com TPC prolongado) e grave (esforço extremo, cianose, posição ortopneica, respiração paradoxal, iminência de parada). Sinais semiológicos essenciais: taquipneia (FR >40 em repouso), estridor (ruído inspiratório de obstrução alta), estertor (ruído descontínuo áspero de vias aéreas médias), sibilo (ruído contínuo fino, típico de broncoespasmo), crepitação (edema alveolar), posição ortopneica (esterno elevado, cotovelos abduzidos — clássico de efusão pleural), respiração de boca aberta (grave · mucosas cianóticas).

Diagnóstico diferencial da dispneia por localização. Padrão respiratório orienta a topografia. Dispneia inspiratória com estridor = trato respiratório superior (pólipo nasofaríngeo, edema laríngeo, paralisia laríngea, colapso laríngeo, neoplasia laríngea, corpo estranho). Dispneia expiratória com sibilo = trato respiratório inferior baixo (asma felina, bronquite crônica, tromboembolismo). Dispneia mista com crepitação = parênquima pulmonar (edema, pneumonia, contusão, hemorragia, neoplasia). Posição ortopneica com FR aumentada e mucosas rosadas = efusão pleural. Movimento paradoxal abdominal = pneumotórax, hérnia diafragmática. Causas mais frequentes de dispneia em felinos: efusão pleural, edema pulmonar cardiogênico (CMH), asma felina, pneumonia (aspiração e bacteriana), massas em mediastino (linfoma tímico), neoplasias em parênquima, contusão pulmonar traumática, hérnia diafragmática e pneumotórax.

Tratamento emergencial da dispneia. Sequência prioritária: oxigenoterapia imediata (máscara com flow-by, caixa de oxigênio, cateter nasal), minimizar estresse (gato dispneico morre de estresse antes de morrer de hipóxia), toracocentese diagnóstica e terapêutica em casos de suspeita de efusão pleural ou pneumotórax hipertensivo (“não tenha medo — quando indicada, é indispensável”), broncodilatadores e corticoides em suspeita de asma, intubação orotraqueal e ventilação mecânica em falência ventilatória. Avaliação simultânea: gravidade, padrão respiratório, coloração de mucosas (rosadas, pálidas, cianóticas), TPC, oximetria (SpO₂), auscultação. POCUS pulmonar (TFAST, VFAST, BLUE protocol) é padrão-ouro à beira-leito: identifica glide sign (deslizamento pleural normal), B-lines (síndrome intersticial-alveolar · edema, pneumonia), A-lines (pneumotórax), sombra hipoecoica de efusão pleural.

Asma felina e complexo brônquico inflamatório felino (FBD). Doença inflamatória crônica de vias aéreas inferiores caracterizada por broncoespasmo, hiperresponsividade brônquica, hipersecreção de muco e remodelamento das vias aéreas. Prevalência ~1-5% dos gatos domésticos, maior em Siamês. Fisiopatologia envolve hipersensibilidade tipo I mediada por IgE + infiltrado eosinofílico. Sinais: tosse crônica (frequentemente confundida com “tentativa de vomitar bola de pelo”), sibilos expiratórios, dispneia paroxística, intolerância ao exercício, respiração de boca aberta em crises. Diagnóstico: radiografia torácica com padrão bronquial “trilhos de trem” e “donuts”, hiperinsuflação com aumento do diâmetro do arco costal, aplainamento diafragmático. Lavado broncoalveolar (LBA) via broncoscopia — citologia com >17% eosinófilos confirma asma. Diferenciais: bronquite crônica, dirofilariose, migração parasitária. Ferramentas terapêuticas: corticoides inalatórios (Fluticasona) via câmara espaçadora com máscara facial felina (AeroKat, AeroChamber), corticoides sistêmicos em crises, broncodilatadores beta-2 (Salbutamol, Terbutalina) de resgate, ambiente livre de irritantes (fumaça, perfumes, aerossóis, poeira de areia).

Afecções da laringe felina. A laringe é uma coleção de cartilagens que circunda a glote e controla o fluxo de ar durante a respiração. Predisposição racial: SRD, Persa, Siamês, Maine Coon, Sagrado da Birmânia. Sinais clínicos característicos: dispneia inspiratória, ruído inspiratório aumentado, estridor, disfagia, tosse, intolerância ao exercício, mudança de vocalização (rouquidão). Principais entidades: edema de laringe (pós-intubação, alergia, trauma), paralisia laríngea (idiopática, neuropatia, iatrogênica), colapso laríngeo (progressão da paralisia), pólipo inflamatório felino (originado da bulha timpânica ou nasofaringe, adentra a orofaringe), neoplasia laríngea (linfoma como principal, carcinoma de células escamosas), abscesso laríngeo, infecções (criptococose, FCV). Diagnóstico: laringoscopia sob anestesia leve (avalia motilidade e presença de massa), citologia, cultura, biópsia quando indicada. A paralisia laríngea bilateral tem risco elevado de pneumonia por aspiração — quadro clínico geralmente de dispneia severa. Ferramentas terapêuticas incluem broncodilatador de suporte, oxigenoterapia, corticoide para edema, tratamento da causa base e cirurgia (aritenoidectomia unilateral em casos selecionados).

Rinite, rinossinusite e outras afecções do trato respiratório superior. Rinite crônica felina — uma das causas mais comuns de espirros crônicos e secreção nasal em gatos adultos. Etiologias: sequela de infecção por Herpesvírus felino (FHV-1) em filhotes, Calicivirus (FCV), Chlamydophila felis, Mycoplasma spp., Bordetella bronchiseptica, corpos estranhos, pólipos, neoplasias. Rinossinusite crônica é a extensão inflamatória aos seios paranasais frontal e maxilar. Criptococose nasal (Cryptococcus neoformans e gattii) — micose sistêmica endêmica com predileção por nariz felino: forma nódulo/tumefação sobre plano nasal (“nariz de palhaço”), obstrução unilateral, epistaxe, deformidade facial. Diagnóstico por citologia (leveduras encapsuladas) e antígeno criptocócico latex. Linfoma nasal e carcinoma nasal — neoplasias frequentes em gatos idosos, com sinais unilaterais progressivos, epistaxe, deformidade facial, invasão de placa cribriforme. Diagnóstico por rinoscopia + biópsia + tomografia computadorizada. Pólipo nasofaríngeo felino — massa inflamatória benigna com origem na bulha timpânica ou tuba auditiva, causa dispneia inspiratória progressiva em gatos jovens. Tratamento por avulsão via nasofaringe ou bulla osteotomia ventral em recidivas.

Efusões pleurais felinas · classificação e abordagem. Acúmulo anormal de líquido no espaço pleural, causa frequente de dispneia grave no gato. Correlação clínica com volume: volume acumulado 30 mL/kg → dispneia súbita; volume >30 mL/kg → dispneia evidente e severa. Em 60-80% dos casos o paciente chega em dispneia evidente. Classificação por citologia e bioquímica do líquido: transudato puro (baixa celularidade, baixa proteína — hipoalbuminemia grave), transudato modificado (ICC, PIF efusivo, neoplasia inicial), exsudato séptico (piotórax), exsudato não séptico (quilotórax, hemotórax, neoplasia estabelecida). Piotórax: cor amarelo a vermelho-turvo, opaco, celularidade 5.000-300.000 células/µL com predomínio de neutrófilos degenerados com bactérias intracelulares. Etiologias: broncopneumonias que rompem para pleura, mordedura penetrante, corpo estranho migratório, iatrogênica pós-toracocentese. Quilotórax: aspecto leitoso ou rosado, exsudato não séptico com predomínio de linfócitos pequenos maduros, triglicerídeos do líquido > triglicerídeos séricos. Etiologias: idiopático (frequente), ICC direita (mais relacionada com quilotórax no gato), cardiomiopatia, torção de lobo pulmonar, neoplasia mediastinal, trauma torácico. Hemotórax: cor vermelho vivo com hemácias, associação com tromboembolismo pulmonar, torção de lobo pulmonar, neoplasia, trauma, coagulopatia (intoxicação por rodenticidas anticoagulantes). PIF efusivo torácico: transudato modificado a exsudato de proteína elevada (>3,5 g/dL), citologia com poucos linfócitos e macrófagos, teste de Rivalta positivo (sensibilidade 86% · especificidade 97%).

Toracocentese na emergência respiratória felina. “Efusão? Toracocentese é INDISPENSÁVEL”. Procedimento simultaneamente diagnóstico e terapêutico. Indicações: dispneia grave com suspeita de efusão pleural ou pneumotórax hipertensivo. Técnica: contenção mínima com o gato preferencialmente em decúbito esternal ou sentado, oxigenoterapia contínua, antissepsia da região do 7º-9º espaço intercostal (linha do meio do tórax), cateter over-the-needle 22-20G ou scalp com extensão + torneirinha de 3 vias + seringa. Punção na borda cranial da costela (evita vasos e nervos intercostais). Retirar líquido devagar e observar melhora clínica após primeiros 30-50 mL. Enviar amostra para: citologia (contagem celular, diferencial, morfologia bacteriana), bioquímica (proteínas totais, triglicerídeos, glicose, LDH), cultura e antibiograma, teste de Rivalta se suspeita de PIF. Repetir toracocentese conforme reacúmulo. Em piotórax ou quilotórax refratário: drenagem torácica contínua com dreno torácico e lavagem pleural em casos selecionados. Riscos: laceração pulmonar (raro com técnica correta), pneumotórax iatrogênico, hemorragia. Complicação evitável com prática e conhecimento da anatomia.

Objetivos do módulo

  • Compreender a anatomia funcional do trato respiratório superior e inferior do felino, incluindo particularidades das raças braquicefálicas (Persa, Himalaia, Exótico)
  • Interpretar fisiologia respiratória e correlação com edema pulmonar não cardiogênico, broncoespasmo, atelectasia e efusões
  • Classificar dispneia em leve, moderada e grave, e correlacionar com padrão respiratório (inspiratória, expiratória, mista, paradoxal)
  • Reconhecer semiologia respiratória felina: taquipneia, estridor, estertor, sibilo, crepitação, posição ortopneica, respiração de boca aberta
  • Diferenciar dispneia por localização — trato superior × trato inferior × parênquima × espaço pleural × abdominal
  • Aplicar POCUS pulmonar (TFAST/VFAST/BLUE protocol) com identificação de glide sign, B-lines, A-lines e sombras de efusão
  • Executar toracocentese diagnóstica e terapêutica com técnica cirúrgica correta na borda cranial da costela
  • Diagnosticar asma felina (Feline Bronchial Disease) por padrão bronquial radiográfico, LBA com >17% eosinófilos e resposta clínica
  • Reconhecer ferramentas terapêuticas da asma felina: corticoides inalatórios (Fluticasona) via AeroKat/AeroChamber, broncodilatadores beta-2 (Salbutamol, Terbutalina), controle ambiental
  • Diagnosticar e conduzir pólipo nasofaríngeo felino, paralisia laríngea, colapso laríngeo, edema laríngeo e neoplasias laríngeas (linfoma, carcinoma)
  • Reconhecer rinite crônica felina, rinossinusite, criptococose nasal (Cryptococcus neoformans/gattii), linfoma nasal e carcinoma nasal
  • Classificar efusões pleurais por citologia e bioquímica: transudato puro × transudato modificado × exsudato séptico × exsudato não séptico
  • Diagnosticar piotórax (neutrófilos degenerados + bactérias), quilotórax (linfócitos + triglicerídeos), hemotórax (hemácias) e PIF efusivo torácico (teste de Rivalta)
  • Manejar dispneia grave felina com oxigenoterapia, minimização do estresse, toracocentese e ventilação mecânica quando indicada
  • Diferenciar dispneia de origem cardiogênica (edema pulmonar por CMH) de dispneia por asma, pneumonia e efusão pleural

Prof. Leandro Lima
Docente responsável Perfil ativo
Doutor em Oftalmologia Veterinária pela UFPR · @olho.oftalmologia.veterinaria

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Anatomia e semiologia oftálmica. Bulbo ocular, anexos e conjuntiva. Reconhecer estruturas visíveis e principais instrumentos oftálmicos necessários no consultório.

Exame clínico dos olhos. Avaliação sistematizada de reflexos pupilares, sensibilidade ocular, córnea, câmara anterior e fundo de olho. Teste Lacrimal de Schirmer — técnica de inserção da tira no fórnice conjuntival ventrolateral. Fluoresceína (detecção de úlcera de córnea) e Lissamina verde (detecção de células desvitalizadas). Tonometria — aferição da Pressão Intraocular . PIO baixa sugere uveíte, PIO alta sugere glaucoma.

Cirurgia oftálmica dos anexos oculares. Instrumental e princípios cirúrgicos com lâmina crescente, lâmina 11 e lâmina 15 — uma lâmina por corte.

Afecções da conjuntiva e glândula da terceira pálpebra. Conjuntivites em felinos: hiperemia conjuntival, blefarite e blefaroconjuntivite. Conjuntivite alérgica — colírio TID por 20 dias. Conjuntivite por Herpesvírus Felino tipo 1 (FHV-1 / HPV-1) — tratamento com antiviral sistêmico. Conjuntivite bacteriana associada a blefarite e contaminação. Prolapso da glândula da terceira pálpebra.

Afecções das pálpebras. Entrópio medial e lateral, entrópio de canto lateral. Ectrópio (incomum em felinos) — correção cirúrgica em V para Y. Distiquia e triquíase como causas de irritação corneana.

Ceratites não ulcerativas. Dermóide (teratoma conjuntival/corneano) tratado por excisão cirúrgica. Flórida spots e outros infiltrados não ulcerativos.

Ceratites ulcerativas. Perda do epitélio e estroma. Tipos: superficial (cicatrização rápida), estromal/profunda (maior chance de contaminação, neovascularização), descemetocele, perfuração e liquefação (melting). Sinais: prurido, lacrimejamento, secreção ocular, miose (uveíte reflexa). Tratamento clínico com ciprofloxacina (Ciloxan) TID a QID, correção de fatores predisponentes (entrópio, triquíase).

Sequestro corneano felino. Necrose corneana característica da espécie — pigmentação castanho-escura no estroma corneano. Tratamento cirúrgico por ceratectomia superficial lamelar com ou sem enxerto conjuntival.

Ceratite eosinofílica. Infiltrado eosinofílico rosado/branco na córnea felina. Diagnóstico por citologia (observação de infiltrado eosinofílico) e tratamento com ciclosporina tópica.

Cirurgias corneanas. Enxerto conjuntival pediculado e transposição córneo-conjuntival para úlceras profundas, descemetocele e perfurações.

Uveítes. Manifestação ocular de doença sistêmica — investigar sempre a causa primária (PIF, FIV, FeLV, toxoplasmose, criptococose). Sinais clínicos: sensibilidade ocular, miose, baixa acuidade visual, baixa PIO, fotofobia, vasos episclerais evidentes, alteração de coloração da íris, conteúdo na câmara anterior (C.A.), humor aquoso plasmóide.

Emergências oftálmicas — Proptose do bulbo ocular. Avaliação de pupila e reflexos pupilares. Tratamento pré-operatório: analgésico, antibióticos, anti-inflamatórios, lubrificante ocular, remoção dos pêlos, antissepsia cirúrgica.

Glaucoma. Neuropatia óptica com aumento da PIO — importância pela cegueira. Glaucoma primário (má formação do ângulo de drenagem) × secundário (adquirido pós uveíte, luxação de lente ou outra doença). Sinais do glaucoma agudo: midríase, congestão episcleral, edema de córnea. Tratamento de emergência: manitol  — obrigatório ter na clínica. Terapêutica de manutenção: dorzolamida + timolol (Cosopt colírio) TID.

Cataratas em felinos. Incomum em gatos — diferenciar de esclerose nuclear da lente. Causas: secundária a uveíte, congênita, nutricional (em filhotes), hipertensão. Classificação: incipiente, imatura, madura, hipermadura. Tratamento cirúrgico: facoemulsificação.

Objetivos do módulo

  • Executar exame oftálmico completo em felinos: Schirmer, fluoresceína, Lissamina verde, tonometria, oftalmoscopia
  • Interpretar PIO (12-24 mmHg) e diferenciar padrões de baixa PIO (uveíte) e alta PIO (glaucoma)
  • Diagnosticar e tratar afecções palpebrais: entrópio, ectrópio, distiquia, triquíase e blefarite
  • Diagnosticar e tratar conjuntivite alérgica, conjuntivite por Herpesvírus Felino (FHV-1) e conjuntivites bacterianas com famciclovir (Penvir), ciprofloxacina (Ciloxan) e oxitetraciclina 1%
  • Diferenciar ceratites ulcerativas (superficial, estromal, descemetocele, perfuração, melting) das não ulcerativas
  • Diagnosticar e conduzir sequestro corneano felino por ceratectomia superficial lamelar
  • Reconhecer ceratite eosinofílica e tratar com ciclosporina tópica
  • Executar enxerto conjuntival pediculado e transposição córneo-conjuntival em úlceras profundas
  • Diagnosticar uveíte como manifestação ocular de doença sistêmica e investigar a causa primária
  • Manejar emergência de proptose do bulbo ocular
  • Diferenciar glaucoma primário e secundário e conduzir emergência com manitol 20% (1g/kg IV) e dorzolamida + timolol (Cosopt)
  • Diferenciar catarata verdadeira de esclerose nuclear e indicar facoemulsificação

Profa. Dra. Márcia Marques Jericó
Docente responsável Perfil ativo
Referência nacional em endocrinologia clínica veterinária de cães e gatos · autora e coautora de livros e capítulos sobre diabetes mellitus, obesidade, síndrome metabólica, hiperadrenocorticismo e hipertireoidismo felino · atuação em pesquisa clínica e ensino de pós-graduação em medicina interna de pequenos animais

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Introdução à endocrinologia clínica veterinária. Estudo dos hormônios como sinalizadores químicos que integram os sistemas fisiológicos. Classificação: hormônios peptídicos (TRH, ACTH, GH, PTH, FSH, LH, TSH, insulina, glucagon, ADH), hormônios derivados de colesterol (esteroides sexuais, glicocorticoides, mineralocorticoides, vitamina D) e hormônios derivados de aminoácidos (T3, T4, catecolaminas). Conceitos-chave: eixo hipotalâmico-hipofisário, retroalimentação negativa, mecanismos de resistência à ação hormonal (obesidade × diabetes mellitus, acromegalia × diabetes mellitus, hipercortisolismo × diabetes mellitus), biomarcadores de função endócrina e princípios de testes provocativos e supressivos.

Diabetes mellitus em gatos. Síndrome clínica caracterizada por hiperglicemia sustentada secundária a perda ou disfunção da secreção de insulina pelas células beta pancreáticas, redução da sensibilidade tecidual à insulina, ou ambas. Diferenças com humano: predominância do fenótipo tipo 2 (DM2) — resistência insulínica + hipoinsulinemia relativa — com deposição amiloide de IAPP nas ilhotas. Fatores predisponentes: obesidade, sedentarismo, envelhecimento, corticoterapia, hiperadrenocorticismo, hipersomatotropismo, pancreatites crônicas. Sinais: PU/PD, polifagia, perda de peso, plantígrada por neuropatia diabética. Diagnóstico: hiperglicemia persistente + glicosúria + sinais clínicos + frutosamina ou hemoglobina glicada (HbA1c) para excluir hiperglicemia por estresse. Ferramentas terapêuticas: insulina glargina (Lantus, Toujeo), insulina detemir (Levemir), Caninsulin (insulina suína lenta), inibidores de SGLT2 orais (bexagliflozina/Bexacat, velagliflozina/Senvelgo). Monitoramento: curva glicêmica seriada, sensores contínuos CGM (FreeStyle Libre), frutosamina, sinais clínicos e peso. Possibilidade de remissão diabética em gatos com controle glicêmico precoce e agressivo.

Obesidade e síndrome metabólica felina. Síndrome metabólica (SM) foi descrita por Reaven em 1988 como Síndrome X — ocorrência simultânea de fatores de risco para diabetes e doença cardiovascular: resistência insulínica, obesidade abdominal, dislipidemia e hipertensão (Sherling et al., 2017). Em humanos, SM aumenta mortalidade cardiovascular em 6× e é o principal fator de risco para DM2. No gato, a obesidade felina é epidêmica (prevalência 25-40% dos gatos domiciliados) e envolve alterações do tecido adiposo como órgão endócrino — secreção de leptina, adiponectina, resistina, TNF-α, IL-6. Avaliação: Body Condition Score (BCS 9 · Purina/WSAVA), muscle condition score, cintura abdominal, morfometria. Manejo integrado: dieta hipocalórica de restrição controlada, aumento de atividade lúdica, monitoramento seriado de peso, prevenção de lipidose hepática durante o emagrecimento (risco alto no gato).

Hiperlipidemias felinas. Estudo dos lipídeos que interessam à clínica: colesterol, triglicérides, fosfolipídeos, glicolipídeos e esteroides. Transporte plasmático por lipoproteínas: quilomícron, VLDL, LDL, HDL, com apoproteínas específicas (apoLP B100, apoLP E). Metabolismo: lipase lipoproteica, lipase hepática, receptores de LDL, transporte reverso de colesterol pelo HDL. Hiperlipidemias primárias (raras em gatos, como hiperquilomicronemia idiopática) × hiperlipidemias secundárias (comuns): diabetes mellitus, hipotireoidismo, colestase, DRC, síndrome nefrótica, pancreatite, hiperadrenocorticismo. Achados clínicos possíveis: xantomas cutâneos, lipemia retiniana, pancreatite. Diagnóstico: perfil lipídico em jejum (12h), eletroforese de lipoproteínas quando indicado, investigação da causa base.

Acromegalia e hipersomatotropismo felino (HSF). “Akron” (extremidades) + “megas” (grande) — crescimento das extremidades. Descrita por Pierre Marie em 1886 em humanos. Fisiopatologia: hipersecreção de GH (hormônio de crescimento) por adenoma da adenohipófise (neoplasia hipofisária) — GH atua no fígado estimulando produção de IGF-1, que promove crescimento tecidual, resistência insulínica periférica e alterações cardiovasculares. Regulação: GHRH hipotalâmico estimula e somatostatina inibe a liberação de GH. Apresentação felina característica: diabetes mellitus refratário com necessidade crescente de insulina, ganho de peso apesar de PU/PD, aumento das dimensões corporais (mandíbula, membros, órgãos internos), organomegalia, cardiomiopatia hipertrófica secundária. Diagnóstico: dosagem sérica de IGF-1 elevado (marcador de screening) + imagem hipofisária (ressonância magnética · macroadenoma). Ferramentas terapêuticas: radioterapia estereotáxica hipofisária, análogos de somatostatina (pasireotida), hipofisectomia transesfenoidal em centros especializados.

Hiperadrenocorticismo felino (Síndrome de Cushing). Doença de Cushing descrita por Harvey Cushing em 1932. Raro no gato (~5-10% da frequência canina), mas frequentemente associado a diabetes mellitus refratário — o cushingoid diabetic. Classificação: SCAD (Cushing dependente da hipófise · pituitário) em ~80% dos gatos afetados — geralmente macroadenoma hipofisário — e SCAI (Cushing adrenal · adenoma ou carcinoma adrenocortical). Fisiopatologia: excesso crônico de cortisol → resistência insulínica, catabolismo proteico (fragilidade cutânea grave felina), imunossupressão, hipertensão, hipercolesterolemia (34% dos casos). Sinais felinos distintos do cão: fragilidade cutânea acentuada, alopecia bilateral, PU/PD, hepatomegalia menos evidente, ausência de calcinose cutânea. Testes diagnósticos: teste de supressão com dexametasona (dose baixa), relação cortisol:creatinina urinária, estimulação com ACTH (útil mas limitada), ecografia adrenal, TC/RM hipofisária. Ferramentas terapêuticas: trilostano (Vetoryl), adrenalectomia unilateral no SCAI, radioterapia hipofisária no SCAD com macroadenoma, controle simultâneo do DM.

Hiperaldosteronismo felino (Síndrome de Conn). Descrita por Jerome Conn em 1955. Endocrinopatia adrenal caracterizada por hipersecreção autônoma de aldosterona (mineralocorticoide). Divisão: hiperaldosteronismo primário — adenoma ou carcinoma adrenocortical funcionante, com baixa atividade de renina — × hiperaldosteronismo secundário — resposta apropriada a redução de volume ou perfusão renal, com alta atividade de renina. Fisiopatologia: ↑ Na+ e ↑ retenção hídrica → hipertensão sistêmica; ↑ excreção de K+ → hipocalemia grave com fraqueza muscular ventroflexão cervical, plantígrada, hipertensão e retinopatia hipertensiva com descolamento de retina. Apresentação típica em gato: fraqueza aguda, hipertensão sistêmica, hipocalemia refratária a suplementação. Diagnóstico: relação aldosterona:renina plasmática, ecografia adrenal com massa unilateral, TC. Ferramentas terapêuticas: adrenalectomia unilateral (curativa em adenoma), antagonistas da aldosterona (espironolactona), suplementação de potássio, anti-hipertensivos.

Hipertireoidismo felino. Endocrinopatia felina mais frequente em gatos idosos (>10 anos), com prevalência crescente global. Causas: adenoma tireoideano em ~98% dos casos — carcinomas são raros (<2%). Fisiopatologia envolve mutação no receptor de TSH (proteína G ativadora), autonomia funcional dos tireócitos e possível papel de anticorpo antireceptor de TSH (AcTSI) em subconjunto de casos (Graves felino descrito por Peterson e Graves, 2017). Sinais: perda de peso apesar de polifagia, PU/PD, hiperatividade, taquicardia, sopro sistólico, vômito/diarreia intermitentes, nódulo tireoideano palpável. Diagnóstico: T4 total sérico elevado (padrão-ouro laboratorial), T4 livre por diálise de equilíbrio em casos limítrofes, TSHc basal suprimido, cintilografia tireoideana com pertecnetato (padrão-ouro anatômico e funcional — localiza tecido ectópico e diferencia adenoma × carcinoma). Diferenciais em T4 total limítrofe: doença não-tireoideana concomitante (síndrome do eutireoideo doente), variação diurna, medicamentos. Impactos sistêmicos: cardiomiopatia hipertrófica secundária, hipertensão sistêmica, doença renal crônica mascarada pelo estado hiperdinâmico (avaliar SDMA e função renal antes e após tratamento). Ferramentas terapêuticas: metimazol (tiamazol · Felimazole), carbimazol, dieta com restrição de iodo (Hill’s y/d), iodo radioativo (I-131) como padrão-ouro curativo em centros licenciados, tireoidectomia. Monitoramento pós-tratamento: T4T, TSHc, ureia, creatinina, SDMA, PAS.

Objetivos do módulo

  • Compreender os princípios da endocrinologia clínica: hormônios peptídicos, esteroides e derivados de aminoácidos, retroalimentação negativa e resistência à ação hormonal
  • Diagnosticar diabetes mellitus felino diferenciando hiperglicemia sustentada de hiperglicemia por estresse com frutosamina e HbA1c
  • Reconhecer ferramentas terapêuticas do DM felino: insulina glargina (Lantus/Toujeo), detemir (Levemir), Caninsulin, inibidores SGLT2 (bexagliflozina, velagliflozina) e sensores CGM (FreeStyle Libre)
  • Identificar oportunidades de remissão diabética com controle glicêmico precoce e agressivo
  • Aplicar critérios de síndrome metabólica felina (Reaven · Sherling) integrando obesidade, dislipidemia, resistência insulínica e hipertensão
  • Avaliar obesidade felina por BCS 9 (Purina/WSAVA), muscle condition score e prevenir lipidose hepática durante emagrecimento
  • Diferenciar hiperlipidemias primárias × secundárias (DM, hipotireoidismo, colestase, DRC, HAC) e interpretar perfil lipídico e lipoproteínas (quilomícron, VLDL, LDL, HDL)
  • Reconhecer acromegalia e hipersomatotropismo felino (HSF) em DM refratário com IGF-1 sérico elevado e macroadenoma hipofisário
  • Diferenciar SCAD (Cushing hipofisário) × SCAI (Cushing adrenal) e testes diagnósticos (supressão com dexametasona, cortisol:creatinina urinária, ecografia adrenal)
  • Diagnosticar hiperaldosteronismo (Síndrome de Conn) por hipocalemia refratária, hipertensão e relação aldosterona:renina plasmática
  • Diagnosticar hipertireoidismo felino por T4 total, T4 livre por diálise de equilíbrio, TSHc basal e cintilografia com pertecnetato
  • Reconhecer ferramentas terapêuticas do hipertireoidismo felino: metimazol (Felimazole), carbimazol, dieta Hill’s y/d, iodo radioativo I-131 e tireoidectomia
  • Investigar cardiomiopatia hipertrófica secundária, hipertensão sistêmica e DRC mascarada no hipertireoidismo felino

Profa. Dra. Mariana Porsani

Docente responsável

Profa. Dra. Mariana Porsani

Doutora em Ciências · programa de Clínica Veterinária com ênfase em Nutrologia de cães e gatos · FMVZ/USP · Mestrado em Ciências Veterinária UFLA · Residência em Clínica Médica de Pequenos Animais UFLA · Sócia fundadora da NutricareVet · Nutróloga em clínicas e Hospitais Veterinários em São Paulo

Avaliação nutricional e prescrição. A avaliação nutricional do paciente felino é considerada o 5º sinal vital — junto de temperatura, respiração, pulso e avaliação da dor — segundo as Diretrizes Globais para Avaliação Nutricional da WSAVA (World Small Animal Veterinary Association). O objetivo é estabelecer necessidades nutricionais individuais e determinar plano alimentar adequado. A metodologia estrutura-se em três eixos: fatores relacionados ao animal (raça, idade, atividade, fase reprodutiva, escore de condição corporal, escore fecal 0 a 5, escore muscular, pelame, hidratação), fatores relacionados à dieta (qual alimento, marca, embalagem lacrada, dieta caseira, presença de suplementos, petiscos), fatores relacionados ao manejo alimentar e ambiente (quantidade oferecida, quem alimenta, presença de outros animais, ingestão hídrica, hábito de comer sozinho ou em grupo). Pesar o animal em toda consulta e registrar a curva de peso é obrigatório. Anamnese nutricional detalhada, exame físico com avaliação da pele e pelame, palpação de massa muscular e escore corporal ideal compõem a base da prescrição.

Dietas não convencionais em felinos. Convencional é aquilo consolidado pelo uso e padronizado — não convencional engloba alternativas como dietas naturais, orgânicas, caseiras cozidas, caseiras cruas, vegetarianas. Definição de “natural” segundo AAFCO: produto ou ingrediente sem passar por processo químico sintético e sem aditivos químicos sintéticos exceto os inevitáveis para boas práticas de fabricação. Motivações do proprietário: preocupação com aditivos, preservativos e contaminantes, incapacidade de compreender rótulos, desconfiança com ingredientes, apelo ao “alimento natural”, vontade de se envolver mais na vida do pet. Motivações do veterinário: pedido do proprietário, animal não aceita ração, evitar aversão a dietas terapêuticas, falta de opção comercial para condição clínica com doenças concomitantes. Ingredientes crus carregam risco microbiológico documentado: Salmonella, Campylobacter spp, Escherichia coli, Yersinia enterocolitica, Listeria spp, Toxoplasma gondii, Diphyllobothrium latum (“tênia do peixe”) — risco não só para o felino, mas para a família (saúde pública). Cuidado com “claims” em suplementos caseiros: farinha de casca de ovo, óleo de coco, óleo de linhaça, iogurte, kefir, cúrcuma, espirulina, alho — muitos com evidência científica ausente ou contraindicada em gatos. Dieta caseira exige checagem dos 45 nutrientes essenciais e suplementação individualizada.

Deficiências nutricionais no felino carnívoro estrito. O gato é carnívoro obrigatório com adaptações fisiológicas únicas: amilase salivar ausente, digestão de amido inicia apenas no estômago, amilase pancreática e intestinal em níveis reduzidos, atividade menor de dissacaridases no intestino delgado — o que torna a digestão de carboidratos ineficiente. A necessidade proteica é o dobro da dos cães (manutenção) e 50% maior no crescimento, decorrente da atividade contínua de enzimas de catabolismo de aminoácidos e enzimas gliconeogênicas (mantém glicemia mesmo em jejum). Aminoácidos essenciais críticos e suas deficiências: Arginina — gatos não sintetizam de citrulina/ornitina, dependem de fonte externa de origem animal; deficiência causa espasmos tetânicos, ataxia, hiperestesia, sialorréia, êmese, hiperamonemia e coma. Taurina — enzimas de conversão de metionina/cisteína minimamente ativas, capacidade hepática limitada; deficiência causa degeneração retiniana central felina, cardiomiopatia dilatada, desenvolvimento fetal prejudicado e resposta imune comprometida. Metionina, cistina, fenilalanina, tirosina — participam de gliconeogênese, produção de pelo, imunorregulação e coloração do pelame (síntese de eumelanina e feomelanina). Deficiência proteica global gera queratinização anormal, pelos quebradiços, ressecamento, perda de brilho e descamação. Na gestação, necessidade proteica sobe até 70% acima da manutenção; deficiência reduz peso ao nascer e aumenta mortalidade neonatal.

Nutrição intensiva no paciente hospitalizado. Pacientes felinos internados apresentam doença sistêmica, aumento da resposta catabólica e balanço calórico negativo — a má-nutrição durante hospitalização é comum e retarda a alta hospitalar. Razões da anorexia/hiporexia hospitalar: doença de base, estresse do ambiente, presença de pessoas estranhas, dor no pós-operatório, alimento diferente do habitual, prescrição inadequada. Falhas frequentes no manejo: uso prolongado de soluções salinas e glicosadas isoladas, falha em quantificar a ingestão alimentar, não reconhecer necessidades nutricionais aumentadas pela doença, não oferecer suporte nutricional após cirurgia, foco exclusivo em fármacos ignorando o papel da nutrição na prevenção e recuperação de infecções.  O jejum prolongado esgota reservas de glicogênio hepático e muscular, mobiliza reservas corporais como fonte de energia e leva à desnutrição secundária que compromete cicatrização, imunidade e sobrevida. Indicações de suporte nutricional assistido: sondas nasoesofágica, esofágica, gástrica; nutrição enteral × parenteral quando indicado.

Nutrição do paciente oncológico felino. O paciente oncológico apresenta caquexia neoplásica — perda de peso, redução de massa muscular, alterações metabólicas específicas (aumento do gasto energético basal, resistência à insulina, hipertrigliceridemia, catabolismo proteico acelerado). Objetivos do manejo nutricional: manter escore corporal, preservar massa muscular, atender demanda energética aumentada, apoiar sistema imune, melhorar qualidade de vida durante quimioterapia/radioterapia. Escolha do alimento considera perfil nutricional específico — dietas com alta densidade calórica, proteína de alto valor biológico, ácidos graxos ômega-3 (ácido eicosapentaenoico e docosahexaenoico), restrição relativa de carboidratos simples. Manejo prático: fracionar refeições, oferecer alimento em temperatura morna para estimular odor e palatabilidade, garantir ambiente calmo, monitorar ingestão diária, ajustar prescrição a cada consulta. Nutrição não é coadjuvante — é parte central do tratamento oncológico moderno.

Manejo nutricional nas endocrinopatias e obesidade felina. Obesidade é a doença nutricional mais frequente na clínica de pequenos animais e cresceu de forma expressiva em felinos: 30 a 40% sobrepeso, 5 a 20% obesos, com prevalência entre 8% (Brasil) e 52% (Inglaterra). Definição: acúmulo de gordura em toda extensão do corpo. Gênese multifatorial: balanço energético positivo, fatores genéticos, gênero e status reprodutivo (castrados têm maior propensão), idade, sedentarismo, ambiente e manejo alimentar. Endocrinopatias que exigem manejo nutricional específico: diabetes mellitus felina (controle glicêmico via dietas de baixo carboidrato e alta proteína · monitorar hipoglicemia), hipertireoidismo felino (perda de peso, aumento do apetite, exige densidade calórica ajustada · dieta com iodo restrito quando aplicável), síndrome de Cushing, hipertrigliceridemia. Estratégia de emagrecimento no gato obeso: déficit calórico gradual (nunca abrupto — risco de lipidose hepática), dieta específica para redução de peso, monitorização semanal ou quinzenal, envolvimento do tutor no plano, ambiente enriquecido para atividade física.

Doença renal crônica (DRC) em felinos. Definição consagrada: alterações estruturais e/ou funcionais em um ou ambos os rins, persistentes por três meses ou mais, com lesão irreversível e perda permanente do número de néfrons. Prevalência elevada em felinos idosos: mais de 30% dos gatos acima de 15 anos. Manifestações clínicas: emagrecimento, desidratação, ulcerações em cavidade oral, halitose, êmese, melena, poliúria, polidipsia — e no felino com hipocalemia, ventroflexão cervical característica. Abordagem diagnóstica clínica: idade, raças predispostas, drogas nefrotóxicas, agentes infecciosos, histórico de injúria renal aguda (IRA). Abordagem laboratorial avalia equilíbrio hídrico, equilíbrio ácido-básico, equilíbrio eletrolítico, função endócrina e excreção urinária. Manejo nutricional é pilar terapêutico central: dieta renal com proteína de alto valor biológico e quantidade ajustada, restrição de fósforo, suplementação de potássio quando indicado, alcalinizantes urinários, ômega-3, antioxidantes. Monitoramento com estadiamento IRIS, controle da pressão arterial, avaliação da proteinúria, hidratação adequada — dieta úmida preferencial para aumentar ingestão hídrica espontânea.

Nutracêuticos em felinos. Nutracêutico é produto com um ou mais ingredientes biologicamente ativos, isolados ou purificados de alimentos, com finalidade de promover saúde e bem-estar como coadjuvante ao tratamento de doenças — apresentados em cápsulas, comprimidos ou pó, nunca sob forma de alimento. Diferente de alimento funcional (alimento com aparência convencional, consumido como parte da dieta normal, com propriedades fisiológicas benéficas — sem ação terapêutica direta). Principais nutracêuticos em felinos: L-carnitina (vitamina B11, sintetizada de lisina e metionina na presença de vitamina C e B6, atua no transporte de ácidos graxos de cadeia longa para geração de ATP), ácidos graxos ômega-3 (EPA e DHA), SAMe (S-adenosilmetionina) hepatoproteção, silimarina, coenzima Q10, glucosamina e condroitina osteoarticular, probióticos e prebióticos, antioxidantes (vitamina E, selênio, taurina). Uso baseado em evidências: nem todo nutracêutico tem literatura clínica suficiente em felinos — prescrever com critério, dose, indicação e reavaliação.

Nutrição do paciente hepatopata felino. O fígado participa de mais de 1.500 reações bioquímicas: metabolismo dos nutrientes, gliconeogênese (gera glicose a partir de aminoácidos e glicerol · crítico em carnívoros), glicogênese, glicogenólise, síntese proteica (albumina, fibrinogênio, globulinas, fatores de coagulação, ferritina, ceruloplasmina), ciclo da ureia (converte amônia — subproduto tóxico do catabolismo proteico — em ureia excretada via urina), metabolismo lipídico. As principais hepatopatias felinas com implicação nutricional: lipidose hepática felina (síndrome grave associada a anorexia prolongada em felinos obesos — exige suporte nutricional precoce e agressivo), colangite/colangio-hepatite, desvio portossistêmico, insuficiência hepática crônica. Manejo nutricional busca: fornecer energia adequada sem sobrecarregar detoxificação, proteína de alto valor biológico em quantidade ajustada (nem restrição excessiva, nem excesso que gere encefalopatia hepática), restrição de cobre em alguns quadros, suplementação de zinco, vitaminas do complexo B, antioxidantes hepatoprotetores. Nutrição intensiva por sonda é frequentemente necessária na lipidose felina.

Urolitíase em felinos. Litíase (do grego lithos = pedra) no trato urinário — nefrolitíase quando no rim, urolitíase quando em bexiga e uretra. Principais tipos de urólitos em felinos: estruvita (fosfato-amônio-magnesiano), oxalato de cálcio, urato de amônio, cistina, sílica, carbonato e fosfato de cálcio. Distribuição por sexo em cães (referencial): estruvita mais frequente na fêmea (>80%), oxalato de cálcio predominante em machos (>70%), urato em machos (>85%). Nos felinos os dois principais são estruvita e oxalato de cálcio, com inversão da tendência ao longo dos anos (estruvita caiu, oxalato subiu). Fisiopatologia — três teorias complementares: teoria da cristalização (supersaturação da urina), teoria da deficiência de inibidores (ausência de citrato, magnésio, nefrocalcina, glicosaminoglicanos), teoria da matriz orgânica (precondição para formação do urólito · biomineralização). Fatores contribuintes: nutrição, infecções, idade, sexo, genética, anatomia, manejo hídrico, alterações metabólicas. Manejo nutricional: dietas específicas por tipo de urólito, aumento da ingestão hídrica via dieta úmida, controle do pH urinário, restrição de precursores (cálcio, oxalato, magnésio, fósforo conforme o caso), monitoramento por urianálise seriada.

Alimentação nas diferentes fases fisiológicas do felino. A necessidade energética diária (NED) é composta pela necessidade energética de manutenção (NEM) somada a condições específicas: reprodução, gestação, lactação, neonato, crescimento, adulto, idoso. Objetivos nutricionais por fase: fornecer nutrientes adequados, prevenir doenças, manter escore corporal ideal, garantir qualidade e expectativa de vida. Nutrientes essenciais — precisam estar na dieta porque o gato não sintetiza em quantidade adequada (arginina, taurina, ácido araquidônico, vitamina A pré-formada) — vs não essenciais (síntese endógena suficiente). Classificação: macronutrientes (gordura, proteínas, carboidratos, água — gramas por dia) e micronutrientes (vitaminas e minerais — microgramas a miligramas por dia). Particularidades das fases: filhote em crescimento exige densidade calórica alta, proteína elevada, cálcio/fósforo equilibrados; fêmea gestante aumenta necessidade proteica até 70%; lactação tem demanda energética muito elevada (proporcional ao tamanho da ninhada); adulto requer manutenção com prevenção de obesidade; idoso (sênior/geriátrico) pede ajuste conforme comorbidades (DRC, artrite, sarcopenia, cognição).

Nutrição do gato dermatopata. A pele é o maior órgão do gato e reflete diretamente o estado nutricional — dermatopatias com componente nutricional são frequentes e diagnóstico diferencial importante. Deficiências que se manifestam na pele/pelame: proteína (queratinização anormal, pelos quebradiços, descamação, perda de brilho), ácidos graxos essenciais especialmente ácido linoleico e araquidônico (pele seca, prurido, alopecia), zinco (dermatose responsiva a zinco), cobre (despigmentação do pelame), biotina e vitaminas do complexo B, vitamina A (hiperqueratose ou hipovitaminose). Dermatite alérgica alimentar felina (DAA) — hipersensibilidade a proteínas específicas na dieta — exige dieta de eliminação com proteína hidrolisada ou proteína novel por 8 a 12 semanas, seguida de teste de provocação para confirmar diagnóstico. Manejo nutricional das dermatopatias: ômega-3 (EPA, DHA) em razão adequada com ômega-6, proteína de alto valor biológico, suplementação de zinco quando indicada, antioxidantes, garantia de hidratação. Nutrição é parte do tratamento dermatológico, não substitui investigação alergológica ou infecciosa concomitante.

Objetivos do módulo

  • Aplicar a avaliação nutricional como 5º sinal vital seguindo as Diretrizes Globais WSAVA em toda consulta felina
  • Estruturar anamnese nutricional em três eixos (animal, dieta, manejo alimentar/ambiente) e prescrever plano individualizado
  • Utilizar escore corporal, escore fecal 0-5, escore muscular, hidratação e curva de peso na avaliação nutricional
  • Reconhecer riscos microbiológicos de dietas cruas (Salmonella, Campylobacter, E. coli, Listeria, Toxoplasma, Yersinia) e implicações de saúde pública
  • Balancear dietas caseiras cobrindo os 45 nutrientes essenciais e orientar tutores com base em evidência
  • Compreender particularidades do gato como carnívoro obrigatório: amilase ausente, alta necessidade proteica, dependência de arginina e taurina exógenas
  • Diagnosticar sinais clínicos de deficiência de arginina (espasmos, ataxia, hiperamonemia, coma) e taurina (retinopatia central, cardiomiopatia dilatada)
  • Prescrever suporte nutricional intensivo para pacientes hospitalizados evitando desnutrição hospitalar e alta postergada
  • Aplicar sondagem enteral (nasoesofágica, esofágica, gástrica) e planejar nutrição parenteral quando indicada
  • Estruturar plano nutricional oncológico para caquexia neoplásica com alta densidade calórica, proteína de alto valor biológico e ômega-3
  • Manejar obesidade felina com déficit calórico gradual evitando lipidose hepática, envolvendo tutor e ambiente enriquecido
  • Prescrever dieta específica por endocrinopatia (diabetes felina, hipertireoidismo, Cushing, hipertrigliceridemia) com monitoramento estruturado
  • Estadiar DRC felina por IRIS e aplicar dieta renal com proteína ajustada, restrição de fósforo, suplementação de potássio e ômega-3
  • Diferenciar nutracêutico (cápsula/comprimido/pó terapêutico) de alimento funcional (dieta com propriedade fisiológica benéfica)
  • Prescrever L-carnitina, ômega-3, SAMe, silimarina, coenzima Q10, glucosamina/condroitina, probióticos e antioxidantes com base em evidência
  • Manejar hepatopatias felinas (lipidose hepática, colangite, desvio portossistêmico) com proteína ajustada e suporte nutricional precoce
  • Diagnosticar e prevenir urolitíase felina por tipo (estruvita, oxalato de cálcio, urato, cistina) com dieta específica e aumento de ingestão hídrica
  • Adaptar prescrição às fases fisiológicas: filhote, adulto, gestante, lactante, sênior e geriátrico com comorbidades
  • Investigar e manejar dermatite alérgica alimentar felina com dieta de eliminação (proteína hidrolisada ou novel) por 8-12 semanas
  • Suplementar zinco, cobre, biotina, ômega-3 e vitaminas em dermatopatias com componente nutricional

Prof. Marlos Sousa
Docente responsável Perfil ativo
DVM, MS, PhD · Vice-Presidente Sociedade Brasileira de Cardiologia Veterinária (2023-2026) · Prof. Associado UFPR

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Semiologia aplicada à cardiologia felina. Resenha, anamnese e exame físico (inspeção, palpação, percussão, auscultação). Raças predispostas à cardiomiopatia hipertrófica: Maine Coon e Ragdoll. Sinais clínicos: apatia, dispneia, respiração de boca aberta, cianose, síncope, paraparesia.

Fisiologia cardíaca. Débito cardíaco (DC = VS × FC), pressão arterial (PA = DC × RVP), pré-carga e pós-carga, mecanismo de Frank-Starling, sistema renina-angiotensina-aldosterona.

Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC). Congestão venosa pulmonar × sistêmica, elevação da pressão de átrio esquerdo, Vet BLUE (ultrassom pulmonar) e ecocardiografia. Causas: CMD com remodelamento excêntrico, sobrecarga de volume (insuficiência valvar), sobrecarga de pressão (estenose aórtica/pulmonar), restrição ao enchimento.

Classificação fenotípica das cardiomiopatias felinas (consenso ACVIM): CMH (Cardiomiopatia Hipertrófica), CMR (Restritiva — forma miocárdica mRCM e endomiocárdica eRCM), CMD (Dilatada), CMA (Arritmogênica com VD e AD dilatados), CMH em estágio final e Fenótipo Não Específico.

Cardiomiopatia Hipertrófica felina. Aumento da espessura das paredes do VE sem estenose aórtica ou hipertensão arterial que justifique. Etiologia por mutação genética nos genes MYBPC3 (proteína C ligante da miosina) e ALMS1. Diferenciação entre CMH pré-clínica, CMH obstrutiva pré-clínica e Hipertrofia Miocárdica Transitória (HMT). Biomarcador: NT-proBNP.

Sobrevida mediana (J. Fel. Med. Surg. 2003): CMH 492 dias · CMR 132 dias · CMD apenas 11 dias · não classificada 925 dias. Em CMR: gatos eupneicos 466 dias vs dispneicos 64 dias.

Terapêutica. Furosemida na ICC, torasemida na ICC refratária, espironolactona, atenolol e diltiazem em CMH obstrutiva. Pimobendan restrito a CMH avançada com disfunção sistólica.

Tromboembolismo Arterial Felino (TEAF). Tríade de Virchow adaptada — estase sanguínea, lesão endotelial, estado hipercoagulável. Locais de embolização: trifurcação aórtica (“saddle thrombus”), membros torácicos, rins, trato GI, SNC. Diagnóstico: angio-TC.

Terapêutica antitrombótica: clopidogrel (isolado ou combinado com rivaroxabana). Tempo mediano até recidiva com clopidogrel.

Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). PA normal por método (direto 125±10 mmHg sistólica · oscilometria 127±18 · Doppler 138±13). Categorias: Hipertensão Situacional (síndrome do jaleco branco) e Hipertensão Secundária (doenças endócrinas — hipertireoidismo — e renais — DRC).

Objetivos do módulo

  • Executar semiologia cardiovascular felina completa (inspeção, palpação, percussão, auscultação)
  • Aplicar classificação fenotípica ACVIM: CMH, CMR (mRCM/eRCM), CMD, CMA, estágio final e não específico
  • Diagnosticar CMH felina e identificar mutações genéticas MYBPC3 e ALMS1 em Maine Coon e Ragdoll
  • Diferenciar CMH pré-clínica, CMH obstrutiva pré-clínica e Hipertrofia Miocárdica Transitória (HMT)
  • Interpretar biomarcadores cardíacos: NT-proBNP e troponina I
  • Manejar Insuficiência Cardíaca Congestiva: furosemida, torasemida, espironolactona
  • Executar Vet BLUE (ultrassom pulmonar) na avaliação da congestão pulmonar
  • Prevenir e tratar Tromboembolismo Arterial Felino (TEAF): clopidogrel  e rivaroxabana
  • Reconhecer sinais de TEAF: paraparesia de membros pélvicos, hipotermia, taquipneia, elevação de ureia
  • Diferenciar Hipertensão Situacional (jaleco branco) de Hipertensão Secundária (endócrina e renal)

Prof. M.V. M.Sc. Emílio Leite de Sousa Júnior

Docente responsável

Prof. M.V. M.Sc. Emílio Leite de Sousa Júnior

Médico Veterinário e Mestre em Ciências · Especializado em Neurologia Veterinária aplicada a felinos · abordagem clínico-neurológica sistemática do gato com foco em exame neurológico, epilepsia, síndrome vestibular, afecções da coluna vertebral, trauma cranioencefálico e dor neurogeriátrica · São Paulo/SP

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Sistema nervoso felino e o mnemônico DINAMIT V. O sistema nervoso funcionalmente é sistema de interrelação do animal com o meio ambiente — receptor, condutor, processador dos estímulos e efetor. As alterações neurológicas felinas são classificadas por origem etiológica pelo mnemônico DINAMIT V: Degenerativa, Inflamatória e infecciosa, Neoplásica, Anômala e congênita, Metabólica, Idiopática, Tóxica e traumática, Vascular. Essa lógica organiza tanto o raciocínio diagnóstico quanto a solicitação de exames complementares e o planejamento terapêutico. Cerca de 10% dos atendimentos felinos têm componente neurológico, e a síndrome vestibular é uma das apresentações mais frequentes na rotina.

Exame neurológico aplicado ao felino. A gata é notoriamente resistente ao manejo clínico — o exame neurológico exige ambiente calmo, contenção mínima, observação à distância antes da abordagem. Sequência sistemática obrigatória. Estado mental — nível de consciência (alerta, deprimido/obnubilado, semi-comatoso, comatoso) e comportamento (agressivo, apático, desorientado, estereotipias). Postura e marcha — ataxia sensorial × cerebelar × vestibular, paresia × plegia, andar em círculos, pressing head, opistótono. Reações posturais — reação de propriocepção consciente, saltar, hopping, colocação tátil. Reflexos espinhais — patelar, gastrocnêmio, tibial cranial, flexor, cutâneo do tronco, perineal. Nervos cranianos — os 12 pares avaliados sistematicamente (olfatório, óptico, oculomotor, troclear, trigêmeo, abducente, facial, vestibulococlear, glossofaríngeo, vago, acessório, hipoglosso). Sensibilidade — dor superficial e profunda. Localização da lesão em: cérebro anterior (prosencéfalo), tronco encefálico, cerebelo, medula espinhal (por segmentos — C1-C5, C6-T2, T3-L3, L4-S3), neurônio motor inferior periférico.

Abordagem ao paciente epilético. Epilepsia deriva do grego “epilambaneim” — “ser levado, apoderado ou atacado” (Berendt et al., 2004; Acharya et al., 2008). É doença cerebral complexa com atividade neuronal anormal, súbita e recorrente. Caráter heterogêneo com múltiplas etiologias. Classificação clínica: convulsão focal × generalizada; classificação etiológica: epilepsia idiopática (menos comum em felinos vs cães), epilepsia estrutural (lesão intracraniana identificável: neoplasia, encefalites, trauma, malformação), epilepsia reativa (metabólica/tóxica — hipoglicemia, encefalopatia hepática, uremia, intoxicações). Definições operacionais: convulsão isolada, cluster de convulsões (mais de 2 convulsões em 24h), status epilepticus (convulsão contínua ou repetida sem recuperação de consciência entre elas). Anamnese focada em fatores precipitantes, frequência, duração, aura, período pós-ictal. Investigação: hemograma completo, bioquímica, sorologias (FIV, FeLV, PIF, toxoplasmose), análise de líquor cefalorraquidiano quando indicado, ressonância magnética como padrão-ouro para lesões estruturais. Manejo antiepiléptico crônico é individualizado por resposta e tolerabilidade — escolha racional entre classes de fármacos com base em mecanismo de ação, farmacocinética felina e efeitos adversos previsíveis.

Afecções da coluna vertebral em felinos. Sinais clínicos associados a disfunção medular dependem de localização, tamanho da lesão, taxa de desenvolvimento e velocidade de evolução. Diferenciar sinal unilateral × bilateral, cervical × torácico × lombar × sacrocaudal orienta o diagnóstico topográfico. Principais afecções em felinos: doença do disco intervertebral (menos comum que em cães mas descrita, especialmente em felinos idosos ou obesos), trauma medular (quedas, atropelamentos, mordidas de cão), tromboembolismo aórtico (ATE) — clássica apresentação de paraplegia aguda com dor intensa, membros pélvicos frios, coxins pálidos, pulso femoral ausente — frequentemente associado a cardiomiopatia felina; neoplasias medulares e vertebrais (linfoma é a mais comum), mielite infecciosa (PIF em forma seca, toxoplasmose), malformações vertebrais congênitas. Investigação: exame neurológico topográfico, RX simples (limitado), mielografia, tomografia e ressonância magnética conforme disponibilidade e pergunta clínica. Prognóstico depende de preservação da dor profunda — critério clínico crítico.

Encefalopatias em felinos. Encefalopatias tendem a apresentar sinais clínicos drásticos — convulsões, alteração de consciência, cegueira central, comportamentos estereotipados — o que afeta emocionalmente os tutores e exige comunicação clínica cuidadosa e cautela nas decisões prognósticas. Principais grupos: encefalopatia hepática (desvio portossistêmico, hepatopatia crônica), encefalopatia urêmica (DRC avançada, uremia), encefalopatias metabólicas (hipoglicemia, hipertireoidismo felino com componente sistêmico, deficiência de tiamina — descrita em gatos alimentados com dieta cozida de peixes ricos em tiaminase), encefalopatias infecciosas (PIF, toxoplasmose, criptococose, encefalite por Bartonella), encefalopatia hipertensiva (comum em DRC e hipertireoidismo felino, causa cegueira aguda por descolamento retiniano ou hemorragias intracranianas), encefalopatia tóxica (permetrina, chumbo, organofosforados). Neuroanatomia funcional guia o diagnóstico: cérebro anterior × diencéfalo × tronco encefálico × cerebelo × sistema vestibular.

Trauma cranioencefálico — emergência × urgência. Diante do paciente politraumatizado, três perguntas comandam a conduta: é emergência ou urgência?, o que desestabilizou?, qual procedimento e conduta adotar? Princípio operacional consagrado: a emergência para o tutor nem sempre é emergência médica — comunicação estruturada evita decisões precipitadas. Avaliação sistemática: protocolo ABCDE (vias aéreas, respiração, circulação, nível neurológico, exposição), Escala de Coma Modificada de Glasgow adaptada para veterinária (MGCS) — pontuação combinada de atividade motora, reflexos do tronco encefálico e nível de consciência com correlação prognóstica documentada. Sinais neurológicos progressivos preocupantes: pupilas midriáticas fixas, reflexo fotomotor ausente, decorticação, descerebração, respiração de Cheyne-Stokes. Manejo agudo: estabilização cardiorrespiratória, prevenção de hipóxia e hipercapnia (piora edema cerebral), controle da pressão intracraniana (posicionamento com cabeceira elevada a 30 graus, evitar compressão de jugular), fluidoterapia criteriosa (nem hipovolemia nem sobrecarga), monitoramento contínuo. Intervenção cirúrgica em fraturas com compressão, hematomas ou lesões abertas.

Controle da dor em felinos neurogeriátricos. “Dor não é só o que se sente, mas como se sente.” Definição da IASP (International Association for the Study of Pain): experiência sensorial e emocional desagradável associada com lesão tecidual real ou potencial. Reconhecer dor no felino idoso é desafio clínico central — gatos mascaram desconforto por instinto de sobrevivência, os sinais são sutis. Ferramentas validadas: Feline Grimace Scale (escala de expressão facial), Feline Musculoskeletal Pain Index (FMPI), escala de Colorado adaptada. Sinais comportamentais de dor crônica: redução de atividade, dificuldade para pular, evitar caixa de areia elevada, alterações de grooming (excessivo ou ausente), agressividade nova ou apatia, mudança de local preferido de descanso, redução de interação social. Principais causas de dor neurogeriátrica: osteoartrite felina (subdiagnosticada — presente em mais de 90% dos gatos acima de 12 anos), doença renal crônica com componente ósseo, doenças degenerativas da coluna, neoplasias, síndrome de disfunção cognitiva felina (SDCF) — análoga à doença de Alzheimer humana, com componente doloroso indireto. Manejo multimodal: analgésicos de classes complementares, terapias adjuvantes (fisioterapia, acupuntura, laser), enriquecimento ambiental, adaptação da casa (rampas, degraus baixos, caixas de areia acessíveis).

Neurofisiologia da micção em felinos. Distúrbios da micção são comumente encontrados em pacientes com doença neurológica — alterações urinárias secundárias: cistite, pielonefrite, hidronefrose, bexiga atônica, bexiga neurogênica hipertônica × hipotônica. Neuroanatomia da micção: centro cortical, centro sacral (S1-S3), inervação parassimpática (contração detrusor), inervação simpática (relaxamento detrusor e contração esfíncter interno), nervo pudendo (esfíncter externo). Classificação da bexiga neurogênica: lesão de neurônio motor superior (UMN) — bexiga hipertônica, difícil de esvaziar, risco de refluxo vesicoureteral; lesão de neurônio motor inferior (LMN) — bexiga flácida, distendida, com transbordamento; disfunção do reflexo detrusor-esfíncter. Manejo: expressão vesical manual periódica, cateterização intermitente ou permanente conforme caso, farmacoterapia direcionada (relaxantes de esfíncter em UMN, colinérgicos em LMN parcial), prevenção de ITU ascendente com higiene e monitoramento.

Lesões vestibulares em felinos. Distúrbios neurológicos têm prevalência relatada de 10% dos casos felinos, e a síndrome vestibular é uma das apresentações mais frequentes na neurologia felina. Sinais clássicos: inclinação da cabeça (head tilt), ataxia, nistagmo, andar em círculos para o lado da lesão, estrabismo posicional, quedas laterais. Diferenciar síndrome vestibular periférica × central é decisivo: periférica — nistagmo horizontal ou rotatório com fase rápida contrária ao lado lesado, sem alteração de nível de consciência, sem déficit proprioceptivo, sem déficit de outros nervos cranianos além do VII e VIII; central — nistagmo vertical ou de direção mutável, alteração de consciência, déficit proprioceptivo, déficit de múltiplos nervos cranianos. Principais causas: otite média/interna (causa periférica mais comum), síndrome vestibular idiopática felina (autolimitada, recuperação em 2-3 semanas), pólipo nasofaríngeo (frequente em jovens), neoplasias, PIF, toxoplasmose, trauma, encefalites. Investigação: otoscopia, radiografia de bula timpânica ou TC/RM quando indicado. Discussão de casos clínicos reais integra o módulo — apresentação de gatos com paraplegia por afecção medular (déficit proprioceptivo pélvico, ausência de dor superficial e profunda) exemplifica raciocínio diagnóstico topográfico e planejamento multimodal.

Objetivos do módulo

  • Aplicar mnemônico DINAMIT V (Degenerativa/Inflamatória/Neoplásica/Anômala/Metabólica/Idiopática/Tóxica-Traumática/Vascular) no raciocínio etiológico
  • Executar exame neurológico felino sistemático: estado mental, postura, marcha, reações posturais, reflexos espinhais, 12 pares de nervos cranianos, sensibilidade
  • Diferenciar níveis de consciência: alerta × deprimido/obnubilado × semi-comatoso × comatoso
  • Localizar topograficamente a lesão: prosencéfalo, tronco encefálico, cerebelo, medula (C1-C5, C6-T2, T3-L3, L4-S3), neurônio motor inferior periférico
  • Classificar convulsões (focal × generalizada) e etiologias (idiopática × estrutural × reativa)
  • Reconhecer cluster de convulsões e status epilepticus como emergências
  • Diagnosticar afecções da coluna vertebral por localização, tamanho e velocidade de evolução
  • Reconhecer tromboembolismo aórtico (ATE) felino como emergência associada a cardiomiopatia
  • Investigar mielite infecciosa (PIF seca, toxoplasmose) e neoplasias medulares (linfoma)
  • Manejar trauma cranioencefálico com protocolo ABCDE + Escala Modificada de Glasgow (MGCS)
  • Reconhecer sinais neurológicos progressivos (pupilas fixas, decorticação, descerebração, Cheyne-Stokes) e agir
  • Diagnosticar encefalopatias hepática, urêmica, tóxica, infecciosa, hipertensiva, metabólica (deficiência de tiamina)
  • Reconhecer dor neurogeriátrica com Feline Grimace Scale, FMPI e escalas validadas
  • Diagnosticar osteoartrite felina (>90% dos gatos >12 anos), síndrome de disfunção cognitiva e doenças degenerativas
  • Manejar dor multimodal com fármacos, fisioterapia, acupuntura, laser e enriquecimento ambiental
  • Classificar bexiga neurogênica (UMN hipertônica × LMN hipotônica) e planejar manejo urinário
  • Diferenciar síndrome vestibular periférica × central por nistagmo, propriocepção e nervos cranianos
  • Diagnosticar otite média/interna, síndrome vestibular idiopática, pólipo nasofaríngeo, PIF e toxoplasmose vestibular
  • Utilizar líquor cefalorraquidiano, sorologias, TC e RM como ferramentas complementares
  • Discutir casos clínicos com raciocínio topográfico e planejamento terapêutico individualizado

Profa. M.Sc. Claudia Brito

Docente responsável

Profa. M.Sc. Claudia Prado de Brito

Médica Veterinária e Mestre em Reprodução Animal pela USP · Ex-veterinária do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do HOVET USP (1996-2001) · Docente da UNISA, Anhembi Morumbi e UniMax Indaiatuba · Docente de Pós-Graduação em Reprodução e Oncologia na  Equalis · Atendimento especializado em Patologia da Reprodução Clínica e Cirúrgica

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Anatomia reprodutiva e ciclo estral felino. A gata atinge puberdade entre 4 e 12 meses ou 2,0 a 2,5 kg de peso corporal — chegando à maturidade sexual mais cedo em felinas de porte pequeno ou de raças precoces. É espécie poliéstrica estacional, com atividade reprodutiva concentrada em períodos de maior luminosidade (relação inversa com melatonina), e ciclo estral com duração média de 14 a 19 dias. O grande diferencial fisiológico: ovulação induzida — a cópula ativa mecanicamente a mucosa vaginal, estímulo neural sobe ao hipotálamo, provoca liberação de LH pela hipófise e desencadeia ovulação. Estudos mostram que ovulação espontânea existe também em felinas (documentada em 9 de 29 gatas = 31% em ambiente com contato próximo a machos ou vivendo em grupo), com implicações clínicas importantes: pseudogestação, CEH (hiperplasia endometrial cística) e piometra. Ferramentas de manejo: citologia vaginal para determinar fase do ciclo (proestro, estro, metaestro, anestro) por avaliação do epitélio vaginal cornificado.

Infertilidade felina — conceitos e classificação temporal. Infertilidade é condição comum na clínica reprodutiva de felinos, especialmente em raças puras, e é sempre multifatorial: falhas de acasalamento, distúrbios uterinos, ovulatórios, infecciosos, hormonais, genéticos e ambientais. Nomenclatura clínica precisa por período gestacional: antes de 30 dias de gestação — morte embrionária precoce, reabsorção embrionária; após 35 dias de gestação — aborto, maceração fetal, mumificação fetal, fetos enfisematosos; ao nascimento — natimorto. Falhas de acasalamento incluem mating problemático (acasalamento não ocorre mesmo com sinais de cio), menor libido em machos de raças como Persas e Maine Coons, falha na observação de comportamento pós-cópula pelo tutor. Falhas ovulatórias: algumas gatas não ovulam com poucas cópulas — pode ser necessário induzir ovulação com GnRH ou hCG.

Investigação da infertilidade — arsenal diagnóstico. Citologia vaginal é indispensável para determinar fase do ciclo estral, detectar inflamações e confirmar ovulação. Ultrassonografia ovariana e uterina avalia presença de folículos, corpos lúteos, cistos ovarianos, CEH e outras alterações. Dosagem de progesterona 5 a 7 dias após o acasalamento confirma se houve ovulação (valor acima do basal indica formação de corpo lúteo). Cariótipo e AMH (hormônio antimulleriano) úteis em ausência de puberdade ou suspeita de distúrbios do desenvolvimento sexual. Diagnóstico diferencial da infertilidade em gata reprodutora inclui: piometra e CEH (cirurgia curativa por OSH), infecções específicas de transmissão sexual, disendocrinismos, deficiências nutricionais e distúrbios cromossômicos.

Distúrbios do Desenvolvimento Sexual (DSDs). DSDs (Disorders of Sexual Development) são condições em que há discordância entre sexo cromossômico (XX/XY), sexo gonadal (ovários ou testículos) e sexo fenotípico (genitália externa). Principais quadros felinos: Monossomia X (Síndrome XO · cariótipo 37,X) — ovários displásicos ou ausentes, vulva pequena ou normal, ausência de cio, infertilidade, imaturidade sexual, AMH baixo. Hermafroditismo verdadeiro — cariótipo XX ou mosaicismo, presença de ovotestis (tecido ovariano e testicular no mesmo indivíduo), genitália ambígua (clitóris aumentado, pseudopênis), cios irregulares, comportamento sexual ambíguo, diagnóstico por cirurgia exploratória e biópsia. Pseudohermafroditismo feminino (XX com ovários mas genitália masculinizada) — clitóris aumentado, fístula urogenital, história de exposição a andrógenos. Mosaicismo XX/XY — ovários ou testículos atróficos, comportamento sexual atípico. Quimerismo (mistura celular XX/XY) — tecido gonadal misto, infertilidade, comportamento irregular; diagnóstico por cariótipo + FISH. Investigação estruturada exige cariótipo, AMH, testosterona, US, laparoscopia e análise genética avançada.

Gestação e fases do parto na gata. Gestação felina tem duração média de 65 dias (variação normal de 57 a 72 dias). Trabalho de parto se organiza em três fases: Fase 1 — contrações e dilatação cervical (duração menor que 2 horas), Fase 2 — expulsão dos filhotes (geralmente menor que 6 horas), Fase 3 — expulsão das membranas placentárias. Intervalo esperado entre filhotes: 30 minutos, podendo estender até 100 minutos. Ninhada média varia por raça e paridade. Diagnóstico ultrassonográfico da gestação, contagem fetal, viabilidade fetal, biometria e monitoramento da frequência cardíaca fetal são partes do acompanhamento pré-parto de gestações de risco.

Distocia e emergências obstétricas. Distocia é a dificuldade ou falha no parto. Prevalência baixa em felinos — menor que 10% das gatas em geral, mas até 15% em Birmans. Mais comum em ninhadas muito pequenas ou muito grandes. Sinais clínicos que exigem intervenção veterinária: gestação além de 71 dias sem sinais de parto; gata que chora e morde a região vulvar; 24 horas sem nascimento após início do estágio 1; secreção vaginal hemorrágica ou amarronzada sem delivramento e com odor fétido; ausência de nascimento após 1 hora do início do estágio 2; membrana fetal insinuada na vulva por mais de 15 minutos; contrações fortes por mais de 30 minutos sem nascimento; sinais sistêmicos de toxemia materna; mais de 1 hora entre fetos; falha no nascimento de todos os fetos em 8 horas. Causas de distocia: contrações inefetivas — inércia uterina (primária: falha nas contrações sincrônicas uterinas com contrações débeis ou ausentes; secundária: exaustão após tentativas), obstrução por má posição fetal, desproporção materno-fetal, obstrução obstétrica anatômica, útero torcido. Conduta: manobras obstétricas, medicação oxitócica quando indicada e monitorada, ou cesárea de emergência.

Neonatologia felina — o período crítico. Definição: neonato felino compreende do nascimento até o décimo dia de vida (PRATS et al, 2005). Períodos subsequentes: dependência da mãe (0 a 4 semanas), socialização (4 a 8 semanas). Avaliação sistemática pós-parto: mãe limpou os neonatos, reflexo de sucção presente e efetivo, corte do cordão umbilical com assepsia (avaliar presença de urina e eritema periumbilical), presença de colostro, malformações congênitas: defeitos de extremidades (membros, cauda), defeitos crânio-faciais (fenda palatina, lábio leporino, hidrocefalia), patência anal, hérnia umbilical. Reflexos neonatais essenciais: termotropismo positivo, estimulação do focinho, sucção (presente desde 50 dias de gestação), anogenital, reflexo de Magno. Avaliação do escore de Apgar adaptado para felinos — reflexos, frequência cardíaca, frequência respiratória, saturação de oxigênio (SpO₂) e coloração — orienta necessidade de intervenção imediata.

Emergência neonatal — reconhecer o neonato doente. Sinais clínicos: perda de peso, choro incessante, diarreia esbranquiçada ou amarelada, diminuição da sucção, depressão respiratória e cianose (hipóxia), extremidades frias (sinal de CID — coagulação intravascular disseminada), desidratação, hipotermia, estupor, coma e morte. Fisiopatologia central: hipóxia + hipotermia = acidose metabólica. Produção de ácido lático (lactato) reduz função do SNC; bradicardia compensatória fica em 40 a 50 bpm; hipóxia predispõe a enterocolite necrotizante; hipotermia leva a paralisia do TGI. Comparação empírica parto eutócico × cesárea de emergência: filhotes nascidos por cesárea apresentam vitalidade significativamente menor (P < 0,0001) — Apgar, reflexos, SpO₂ e frequência respiratória menores no grupo cesárea; glicemia mais alta no grupo cesárea, associada ao estresse perinatal. Apgar correlaciona positivamente com frequência cardíaca, reflexos, saturação de oxigênio e peso ao nascimento. Manejo emergencial: aquecimento gradual (nunca aquecimento externo agressivo), reposição de glicose, oxigenoterapia, correção da acidose, suporte nutricional, monitoramento contínuo.

Objetivos do módulo

  • Compreender anatomia reprodutiva felina e ciclo estral (puberdade, poliéstrica estacional, luminosidade, melatonina)
  • Reconhecer ovulação induzida (estímulo vaginal → hipotálamo → LH) e ovulação espontânea (31% das gatas em contato próximo com machos)
  • Aplicar citologia vaginal para determinar fase do ciclo estral e avaliar epitélio cornificado
  • Diagnosticar CEH, piometra e pseudogestação como consequências da ovulação espontânea não desejada
  • Classificar perdas gestacionais por período: morte embrionária precoce/reabsorção antes de 30 dias × aborto/maceração/mumificação após 35 dias × natimorto
  • Investigar infertilidade multifatorial: acasalamento, uterina, ovulatória, infecciosa, hormonal, genética, ambiental
  • Reconhecer libido reduzido em Persas e Maine Coons como causa frequente de falha de acasalamento
  • Induzir ovulação com GnRH ou hCG em gatas que não ovulam espontaneamente
  • Dosar progesterona 5-7 dias pós-acasalamento para confirmar ovulação
  • Aplicar cariótipo e AMH em investigação de DSDs (Disorders of Sexual Development)
  • Diagnosticar Síndrome XO (Monossomia X), Hermafroditismo Verdadeiro (ovotestis), Pseudohermafroditismo, Mosaicismo XX/XY e Quimerismo
  • Reconhecer fases do parto felino (65 dias médios · Fase 1 <2h · Fase 2 <6h · Fase 3 membranas · intervalo 30 min)
  • Identificar sinais de distocia: gestação >71d, chorar/morder vulva, 24h sem nascimento, membrana insinuada >15 min, contrações fortes >30 min sem nascimento
  • Diferenciar inércia uterina primária × secundária e indicar manejo obstétrico ou cesárea de emergência
  • Avaliar sistematicamente o neonato pós-parto: sucção, limpeza materna, malformações (fenda palatina, lábio leporino, patência anal, hérnia umbilical)
  • Reconhecer reflexos neonatais: termotropismo, estimulação do focinho, sucção, anogenital, reflexo de Magno
  • Aplicar escore de Apgar adaptado para felinos e monitorar frequência cardíaca, FR, SpO₂, glicemia
  • Reconhecer neonato doente: perda de peso, choro incessante, diarreia esbranquiçada, cianose, extremidades frias (CID), hipotermia
  • Compreender fisiopatologia hipóxia + hipotermia = acidose metabólica com lactato elevado, bradicardia compensatória (40-50 bpm), enterocolite necrotizante
  • Reconhecer que filhotes de cesárea têm vitalidade significativamente menor que eutócicos e planejar manejo perinatal específico

Prof. Dr. Ieverton Cleiton Correia da Silva

Docente responsável

Prof. Dr. Ieverton Cleiton Correia da Silva

Médico Veterinário Radiologista · Especializado em Diagnóstico por Imagem, Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética · abordagem clínica das técnicas de imagem em felinos com foco em pergunta clínica, indicação técnica e potencialização de resultados na parceria radiologista-clínico

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Papel das técnicas de diagnóstico por imagem em felinos. Quatro finalidades comandam a solicitação de imagem no gato: auxílio diagnóstico, intervencionismo, complementação diagnóstica e triagem. As técnicas cobertas neste módulo são radiografia digital, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética. Visão editorial do módulo: clínica antes de tudo. Toda solicitação de imagem começa de uma pergunta clínica bem formulada — “o que essa técnica consegue me responder?”, “qual a técnica indicada para esta situação?”, “como radiologista e clínico podem potencializar juntos os resultados?”. Exame de imagem sem hipótese clínica prévia produz achados incidentais e conclusões duvidosas; exame direcionado por raciocínio diagnóstico produz respostas úteis para conduta.

Avaliação radiográfica do sistema ósseo. Radiografia digital é ferramenta de primeira linha para traumas osteoarticulares, osteopatias, doenças ósseas metabólicas e infecciosas, neoplasias primárias e secundárias, malformações congênitas. Interpretação estruturada considera: densidade óssea (osteólise × esclerose), margens corticais, arquitetura trabecular, reação periosteal (agressiva × não agressiva), transição zona lesional-osso normal, envolvimento de tecidos moles adjacentes, articulação afetada. Projeções padrão exigem posicionamento correto — falsos positivos por hiperextensão ou má rotação são frequentes. Diagnóstico diferencial de lesão óssea proliferativa vs lítica × mista guia o próximo passo (biópsia, PAAF, cintilografia, TC).

Avaliação radiográfica de tórax. Principais indicações: doenças cardiopulmonares, metástase (avaliação e acompanhamento), pacientes geriátricos em triagem, traumas graves. Duas a três projeções (látero-lateral direita, látero-lateral esquerda, ventrodorsal) — cada uma revela achados que a outra não vê. Estruturas críticas: traqueia (estenoses, hipoplasia traqueal, colapso, rupturas, espessamento de parede) — cuidado com falsos positivos por hiperextensão. Silhueta cardíaca no felino avaliada por VHS (Vertebral Heart Score) adaptado. Padrão pulmonar (alveolar, intersticial, brônquico, vascular) direciona diagnóstico. Gatos obesos geram sobreposição de gordura mediastinal que dificulta interpretação — considerar na hora do laudo. Cardiomegalia felina, efusão pleural, pneumotórax, edema pulmonar cardiogênico × não cardiogênico, metástases nodulares vs miliares são leituras rotineiras.

Avaliação radiográfica da cavidade abdominal. Solicitação demanda pergunta clínica clara — RX abdominal isolado tem limitações grandes na avaliação de vísceras parenquimatosas. Contraste indicado em investigação esofágica, gastrointestinal, urinária. Órgão a órgão: Esôfago — dilatação esofágica (megaesôfago), persistência do 4º arco aórtico, esofagite e estenoses pós-anestesia (principal alteração esofágica em felinos), corpos estranhos. Estômago — RX complementar à US; úlceras gástricas, corpos estranhos, obstruções, neoplasias. Intestino delgado — padrão obstrutivo com alças distendidas, sinais de obstrução mecânica × funcional. Cólon, fígado, baço, rins, bexiga — cada com padrão normal e alterações padrão. Interpretação de gás livre, líquido livre, massas, calcificações compõe a análise sistematizada.

Ultrassonografia — fundamentos e terminologias. Formação da imagem por reflexão do som em interfaces teciduais. Terminologia essencial: anecoico (sem eco · líquido puro), hipoecoico (menos ecogênico), isoecoico (mesma ecogenicidade do referencial), hiperecoico (mais ecogênico). Velocidade do som varia por meio biológico: ar 330 m/s, pulmão 660 m/s, gordura 1460 m/s, fígado 1555 m/s, sangue 1560 m/s, água 1480 m/s, osso 4080 m/s — daí a diferença de qualidade de imagem em cada tecido. Ultrassonografia hepatobiliar, esplênica, adrenal e pancreática em felinos — parênquima hepático avaliado por ecotextura, ecogenicidade, dimensões; vesícula biliar (mucocele biliar × sludge × colecistite), colédoco. Baço felino diferente do canino — reconhecer normal para não sobrepatologizar. Adrenais felinas em hiperaldosteronismo primário (Síndrome de Conn). Pâncreas — pancreatite felina, nódulos, cistos.

Ultrassonografia do sistema digestório. Três padrões dominantes: processos obstrutivos, inflamatórios e neoplásicos. Intussuscepção — aspecto ultrassonográfico patognomônico com multicamadas representando sobreposição de paredes (sinal do anel), localização variável, frequente associação com hipermotilidade intestinal ou corpo estranho. Corpos estranhos — formatos e composições variadas (circulares, lineares, plástico, toalhas, caroços); característica principal é interface hiperecogênica com forte sombreamento acústico distal; identificar segmentos pré e pós-obstrução. Gastroenterites — espessamento parietal extensivo e simétrico, estratificação preservada (em crônicos pode perder), acúmulo de líquido, aumento de motilidade. Neoplasias intestinais felinas — linfoma alimentar, adenocarcinoma, mastocitoma — perda de estratificação, espessamento assimétrico focal, linfonodos mesentéricos aumentados.

Ultrassonografia do trato reprodutor. Trato reprodutor feminino: ovários policísticos (estruturas anecoicas circunscritas com reforço acústico distal · não comum em felinos exceto sob uso de anticoncepcionais), neoplasias ovarianas (nódulos ou massas de ecogenicidade e tamanho variáveis), piometra × hemometra × hidrometra (processos com acúmulo de líquido intrauterino de ecogenicidades distintas — anticoncepcionais predispõem), neoplasias uterinas raras (miomas mais comuns). Diagnóstico ultrassonográfico da gestação, monitoramento, viabilidade fetal. Trato reprodutor masculino: próstata felina de difícil visualização ao US; alterações hiperplásicas não comuns, processos neoplásicos raros; possíveis: prostatite, cistos paraprostáticos, neoplasias. Testículos ectópicos (localização fora da bolsa escrotal), degeneração testicular (redução de dimensões com aspecto heterogêneo, perda de definição do mediastino testicular), risco de neoplasia testicular.

Ultrassonografia do trato urinário. Rins e ureteres: doenças difusas do parênquima renal — aumento de ecogenicidade cortical e medular, sinal medular (sinal de banda medular), nefrite intersticial aguda, nefrocalcinose, DRC (hipoecogenicidade cortical com remodelamento). Diferencial: intoxicação por etilenoglicol, amiloidose, linfoma renal, nefropatia crônica felina. Doenças focais do parênquima renal: lesões cavitárias (cistos simples e complexos, abscessos, PKD — Polycystic Kidney Disease especialmente em Persas), lesões sólidas homogêneas ou heterogêneas com padrão variável. Ureteres, bexiga e uretra: cálculos, sedimento, espessamento parietal, obstrução ureteral, ureterolitíase (frequente em felinos). Estratégia diagnóstica integrada RX + US aumenta sensibilidade para diagnóstico de urolitíase e obstruções.

Ultrassonografia no trauma — TFAST, Vet Blue e AFAST. Nomenclatura padronizada da veterinária de emergência. TFAST (Thoracic Focused Assessment with Sonography for Trauma) — descrito inicialmente em 2008 para diagnóstico de pneumotórax em trauma penetrante (Lisciandro et al.); primeiro ultrassom não-eco padronizado do tórax veterinário. Evoluiu para FAST3 (For trauma, triage and tracking / monitoring). Vet Blue (VETerinary Brief Lung Ultrasound Exam) — desenvolvido em 2010 para avaliar patologias pulmonares em sítios adicionais ao TFAST, adiciona 7 janelas acústicas além das do TFAST. AFAST (Abdominal FAST) — avaliação sistemática de 4 sítios abdominais para líquido livre. Global FAST — associação atual de TFAST + Vet Blue + AFAST como exame ampliado, usado não apenas em trauma mas também em triagem de pacientes críticos e monitoramento de internados. Aplicações: pneumotórax, derrame pleural, edema pulmonar (linhas B), efusão pericárdica, hemoperitônio, uroperitônio.

Tomografia computadorizada e ressonância magnética em felinos. Panorama de acesso à TC e RM no Brasil evoluindo — cada vez mais disponíveis em centros veterinários de referência. Princípios da TC: tomos + graphos (fatia + desenho); sistema composto por mesa de exame, gantry e comando do aparelho. Físico: feixe de raio-X com movimentos circulares, atravessa superfície examinada com absorção e atenuação diferenciais por tecido, captado por detectores, convertido em sinais elétricos, quantificado, formando pixel e voxel que compõem a imagem. Vantagens da TC: resolução espacial, avaliação óssea excelente, capacidade de reconstrução tridimensional, mais rápida que RM. Ressonância Magnética — método de escolha para sistema nervoso central, tecidos moles, articulações, sem radiação ionizante. Ambas exigem sedação/anestesia no felino — planejamento pré-anestésico é parte do exame. Indicações principais: neurologia (encefalopatias, mielopatias), oncologia (estadiamento e planejamento cirúrgico/radioterápico), otologia, ortopedia complexa, patologias nasais e retrobulbares.

Objetivos do módulo

  • Reconhecer as quatro finalidades das técnicas de imagem: auxílio diagnóstico, intervencionismo, complementação e triagem
  • Formular pergunta clínica antes de solicitar radiografia, US, TC ou RM
  • Executar avaliação radiográfica sistemática do sistema ósseo (densidade, corticais, arquitetura trabecular, reação periosteal, tecidos moles)
  • Interpretar tórax felino: cardiopulmonar, metástases, traumas, silhueta cardíaca, padrões pulmonares
  • Diagnosticar patologias traqueais (estenoses, hipoplasia, colapso, rupturas, espessamento) evitando falsos positivos por hiperextensão
  • Aplicar RX abdominal com indicações claras e limitações reconhecidas (uso de contraste quando necessário)
  • Reconhecer esofagite e estenoses pós-anestesia como principal alteração esofágica em felinos
  • Diferenciar padrões de obstrução mecânica × funcional no intestino delgado
  • Dominar terminologia ultrassonográfica: anecoico, hipoecoico, isoecoico, hiperecoico
  • Avaliar fígado, vias biliares, baço, adrenais e pâncreas felinos com padrões normais e alterados
  • Diagnosticar intussuscepção pelo sinal do anel (multicamadas parietais) na US intestinal
  • Identificar corpos estranhos por interface hiperecogênica com sombreamento acústico distal
  • Reconhecer piometra, hemometra, hidrometra e associação com anticoncepcionais em felinas
  • Investigar doenças renais difusas (sinal medular, nefrocalcinose, DRC, linfoma renal) e focais (PKD, cistos, massas)
  • Aplicar TFAST, Vet Blue e AFAST (Global FAST) em trauma, triagem crítica e monitoramento de internados
  • Diagnosticar pneumotórax, derrame pleural, edema pulmonar (linhas B), efusão pericárdica, hemoperitônio, uroperitônio por US emergencial
  • Compreender princípios físicos da TC (raio-X, atenuação, pixel, voxel, gantry) e RM (campo magnético, sequências)
  • Indicar TC vs RM conforme pergunta clínica: TC para osso e reconstrução 3D, RM para sistema nervoso central e tecidos moles
  • Planejar sedação/anestesia como parte integral do exame de TC e RM em felinos
  • Trabalhar como radiologista-clínico em parceria para potencializar respostas ao caso individual

Prof. Ronaldo Lucas
Docente responsável Perfil ativo
Mestre e Doutor em Clínica Veterinária FMVZ/USP · Ex-Presidente da SBDV (Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária) · Coordenador Curso Especialização Dermatologia Equalis Sudeste/Sul e Nordeste · Autor do livro Tratado de Medicina Externa (Larsson e Lucas, 2020) · Especialista SBDV/CFMV · Sócio-proprietário Dermatoclinica

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Profª Romeika Reis Lima
Co-docente Perfil ativo
Dermatologia Veterinária · Leishmaniose Felina, Dermatopatias Fúngicas e Parasitárias

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EJ
Co-docente
Dermatologia Veterinária · Casos Clínicos

Semiologia dermatológica felina. Sequência estruturada de identificação, anamnese primordial e completa (antecedentes, início do quadro, sintomas — lesões dermatológicas e prurido —, outros órgãos, contactantes animais e humanos, terapia em uso e resultados, ambiente, manejo, cidades frequentadas). Exame físico com inspeção, palpação, olfação e percussão. Exames complementares e inspeção indireta.

Padrões de resposta cutânea em felinos. A mesma etiologia pode provocar lesões morfologicamente diferentes, e etiologias diferentes podem apresentar padrões semelhantes. Cinco padrões clássicos: Lesões Descamativas e Crostosas (LDC), Lesões Erodo-Ulcerativas (LEU), Dermatite Miliar (DM), Complexo Granuloma Eosinofílico (CGE) e Alopecia Simétrica Bilateral (ASB). Head and neck excoriations (escoriações de cabeça e pescoço).

Abordagem do prurido felino. Prurido em gato não é sempre óbvio — higienização exagerada, prurido com patas, comportamento noturno e reflexos podem mascarar. Diagnósticos diferenciais alérgicos: DAPP (Dermatite Alérgica à Picada de Pulga), Alergia Alimentar (Hipersensibilidade Alimentar — HA) e Síndrome Atópica Cutânea Felina (SACF / FASS — Feline Atopic Skin Syndrome). Head and neck excoriations em até 65% dos gatos alérgicos, dermatite miliar em 21-40%, variantes eosinofílicas em 6-23%. Semelhanças clínicas entre FASS e alergia alimentar exigem teste dietético rigoroso para descartar HA antes do diagnóstico de FASS.

Dermatopatias parasitárias. Escabiose (sarna notoédrica — Notoedres cati), Cheiletielose (Cheyletiella), Otoacaríase (Otodectes cynotis — sarna otodécica), Pulíciose (Ctenocephalides felis) e Demodiciose felina (Demodex cati e Demodex gatoi). Diagnóstico por raspado cutâneo, tricograma e citologia. Controle antiparasitário com isoxazolinas aprovadas para gato.

Dermatopatias fúngicas — Dermatofitose. Infecção fúngica superficial de tecidos mortos queratinizados (extrato córneo, pêlos e unhas). Cerca de 40 espécies de dermatófitos descritas em três gêneros: Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton. Microsporum canis é o agente mais prevalente em felinos. Doença de distribuição mundial. Diagnóstico com lâmpada de Wood, cultura fúngica em DTM e tricograma. Terapêutica com itraconazol sistêmico e antifúngicos tópicos.

Otite externa felina. Diferente da otite canina — gatos naturalmente têm mais cera de ouvido, sempre pensar em sarna otodécica (Otodectes cynotis). Malassezia como causa de inflamação e coceira. Alguns felinos alérgicos apresentam inflamação do canal auditivo (menos comum que em cães). Gatos têm mais ototoxicidade do que cães — cuidado com antibióticos tópicos. Pólipo inflamatório felino deve ser sempre considerado em otite externa supurativa. Lagoquilascariasis (rara, pior em pina e região periauricular). Padrão eczematoso associado a head and neck excoriations e FASS.

Otite média felina. Diagnóstico por otoscopia e tomografia computadorizada. Manejo cirúrgico de pólipos e tratamento sistêmico da infecção. Cuidado com ototoxicidade das drogas.

Leishmaniose felina. Espécies do Novo Mundo: Leishmania braziliensis, Leishmania amazonensis, Leishmania mexicana, Leishmania venezuelana e Leishmania infantum. Velho Mundo: L. infantum. Prevalência de infecção variável: 0 a 68,5% soroprevalência e 0-60,7% diagnóstico molecular. Não confundir infecção com doença — leishmaniose felina é menos frequente que em cães. Poucos estudos com validação da técnica sorológica em gatos.

Objetivos do módulo

  • Executar semiologia dermatológica felina completa: identificação, anamnese, exame físico e exames complementares
  • Reconhecer os cinco padrões clássicos de resposta cutânea felina: LDC, LEU, DM, CGE e ASB
  • Abordar corretamente o prurido em felinos (higienização exagerada, prurido com patas, noturno)
  • Diferenciar DAPP, Alergia Alimentar (HA) e Síndrome Atópica Cutânea Felina (SACF/FASS)
  • Executar teste dietético rigoroso para descartar alergia alimentar antes do diagnóstico de FASS
  • Diagnosticar dermatopatias parasitárias felinas: escabiose (Notoedres cati), cheiletielose, otoacaríase (Otodectes cynotis), pulíciose (Ctenocephalides felis), demodiciose (Demodex cati e D. gatoi)
  • Diagnosticar e tratar dermatofitose com foco em Microsporum canis, usando lâmpada de Wood, DTM e tricograma
  • Manejar otite externa felina considerando sarna otodécica, Malassezia, pólipo inflamatório e ototoxicidade aumentada em gatos
  • Diagnosticar otite média felina por otoscopia e tomografia
  • Reconhecer leishmaniose felina, diferenciando infecção de doença, e identificar as principais espécies (L. braziliensis, L. amazonensis, L. mexicana, L. venezuelana, L. infantum)
  • Compreender a importância epidemiológica do felino como potencial hospedeiro infectante de flebotomíneos
  • Otimizar terapêutica racional: uso seguro de glicocorticoides e imunossupressores (ciclosporina) considerando riscos metabólicos e renais no felino
  • Integrar comportamento: diferenciar alopecia pruriginosa (alérgica) da psicogênica (comportamental) com manejo ambiental

Profa. M.Sc. Claudia Brito

Docente responsável

Profa. M.Sc. Claudia Prado de Brito

Médica Veterinária e Mestre em Reprodução Animal pela USP · Ex-veterinária do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do HOVET USP · Docente da UNISA, Anhembi Morumbi e UniMax Indaiatuba · Docente de Pós-Graduação em Reprodução e Oncologia na Equalis · Atendimento especializado em Oncologia Clínica e Cirúrgica em Pequenos Animais

Por que estudar câncer em felinos. O câncer é hoje a maior causa de morte em pequenos animais, tem incidência crescente pela maior longevidade dos pacientes, tem raças predispostas (siameses e orientais aparecem em quase todos os tumores felinos) e alguns tipos têm risco reduzido com esterilização precoce (tumor de mama é o exemplo mais robusto). O felino também funciona como animal sentinela em estudos epidemiológicos e como modelo experimental para oncologia humana — muitos avanços em terapia oncológica pediátrica vieram de estudos em cães e gatos. Definir bem os termos: tumor (aumento de volume), neoplasia (proliferação descontrolada de células) e câncer (neoplasia maligna) não são sinônimos. Nas palavras de Siddhartha Mukherjee: “uma célula cancerosa é uma perversão da célula normal — invasor e colonizador fenomenalmente bem-sucedido porque explora as mesmas características que nos tornam bem-sucedidos como espécie”.

Modalidades terapêuticas em oncologia felina. A quimioterapia se divide em quatro contextos com objetivos distintos. Quimioterapia terapêutica — para tumores altamente quimiossensíveis nos quais cirurgia e radioterapia não proporcionam bons resultados: linfoma, leucemias, mielomas múltiplos. Quimioterapia adjuvante — após remoção cirúrgica ou radioterapia, com objetivo de controlar metástases à distância e evitar recidivas. Quimioterapia neoadjuvante — antes da cirurgia, para citorredução, facilitar obtenção de margens cirúrgicas e evitar cirurgias mutiladoras. Quimioterapia paliativa — para aumentar sobrevida em neoplasias sem possibilidade de ressecção ou com metástases estabelecidas, com foco em qualidade de vida. Mecanismo de ação da quimioterapia clássica é sem especificidade com a célula tumoral — atinge células em divisão rápida (medula óssea, epitélios, folículo piloso, mucosa gastrointestinal), o que explica os efeitos adversos. Cirurgia oncológica exige planejamento com margens de segurança apropriadas por tipo tumoral; radioterapia é modalidade adjunta em centros especializados.

Síndromes paraneoplásicas — reconhecer o distante. Conjunto de sinais e sintomas desenvolvidos em locais distantes da lesão primária, causados por substâncias humorais produzidas pelo tumor ou por células normais estimuladas pelo tumor. Classificação: eutópicas (síndrome paraneoplásica falsa — substâncias que a célula de origem normalmente produz) × ectópicas (síndrome paraneoplásica verdadeira — substâncias que a célula não produziria em condições normais). Mecanismos: polipeptídeos, citocinas, hormônios, antígenos que desencadeiam reações imunomediadas. Manifestações agrupadas por sistema: gastrointestinais (síndrome anorexia-caquexia — a mais prevalente em medicina veterinária, associada a diferentes neoplasias, reduz tempo de vida, aumenta risco cirúrgico, retarda cicatrização, diminui resposta terapêutica e qualidade de vida), hematológicas, endócrinas (hipoglicemia por insulinoma ou neoplasias hepáticas), hipercalcemia (linfoma, adenocarcinoma de sacos anais, mieloma múltiplo), neurológicas, cutâneas (alopecia paraneoplásica associada a carcinoma pancreático), renais, ósseas. Manifestações específicas: ulceração gastroduodenal em mastocitoma, miastenia gravis em timoma. Reconhecer paraneoplasia leva ao diagnóstico do tumor primário mais cedo.

Neoplasias hematopoiéticas — linfoma felino em foco. Linfoma é proliferação clonal de linfócitos neoplásicos com origem em órgãos linfoides (linfonodos, baço, medula óssea) e demais tecidos. Epidemiologia: siameses e raças orientais predispostos; distribuição etária bimodal — gatos idosos (mais de 11 anos) e gatos jovens correlacionados com FeLV positivo. Etiologia central: imunossupressão (FIV, fármacos), retrovírus (FeLV — que integra ao DNA da célula e age diretamente no ciclo celular), Felis catus gamaherpesvirus 1. Dos linfomas felinos, 50 a 70% dos casos são FeLV+ (proporção que caiu com a vacinação) — mais associados a linfomas de célula T (especialmente mediastinais); linfoma alimentar tem menor associação com FeLV. Localizações principais: mediastinal (jovem/FeLV+), multicêntrico, alimentar (mais comum em idosos), extranodal. Diagnóstico: citologia por PAAF (punção aspirativa por agulha fina), biópsia com imuno-histoquímica, imunofenotipagem (B vs T), teste FeLV/FIV, hemograma, bioquímica, imagem para estadiamento. Prognóstico varia por localização, subtipo e status viral.

Neoplasias cutâneas — mastocitoma felino. Mastocitoma é neoplasia de células redondas, sem predisposição racial ou sexual, com idade média de 7 a 9 anos, representando cerca de 15% de todos os tumores cutâneos em gatos. Duas formas clínicas descritas: cutânea (mais comum) e visceral — a visceral é mais frequente no gato que no cão, chegando a 50% dos casos felinos. Genética: mutações no gene c-KIT em cerca de 67% dos mastocitomas felinos, associadas a proliferação celular; sem associação viral. Sinais clínicos cutâneos: nódulo dérmico bem definido, elevado, alopeciado, 0,5 a 3 cm, hipopigmentado ou rosado; placas alopécicas ulceradas em cabeça, pescoço, ombros ou patas; múltiplos em 20% dos casos; prurido, inflamação, eritema, edema. Fisiopatologia: mastócitos degranulam liberando histamina, heparina e serotonina — a histamina causa efeitos diretos no trato gastrointestinal (ulceração gastroduodenal — síndrome paraneoplásica clássica); a heparina causa hemorragia local em biópsia, cirurgia e citologia e retarda cicatrização. Diagnóstico: PAAF, biópsia; conduta cirúrgica exige planejamento pela hemorragia esperada e pré-medicação com anti-histamínicos.

Neoplasias mamárias felinas — a terceira mais comum. Neoplasia mamária representa 17% de todas as neoplasias felinas — terceira mais frequente. Diferente do cão, 80 a 90% das neoplasias mamárias felinas são malignas; idade média 10-11 anos; siameses mais acometidos; adenocarcinoma é o mais agressivo com sobrevida média de 6 a 8 meses. Raro em machos (quando ocorre, associado a aplicação de progestágenos). Fator central: dependência hormonal — a glândula mamária normal expressa receptores de estrógeno (RE), progesterona (RP), hormônio de crescimento (RGh) e prolactina. Quanto mais indiferenciado o tumor, menor a expressão de RE e RP — perda da dependência hormonal = pior prognóstico. Papel decisivo da OSH (ovariossalpingohisterectomia) precoce: antes dos 6 meses reduz o risco em 91%, entre 7 e 12 meses reduz 86%, entre 13 e 24 meses reduz apenas 11% — janela terapêutica é dos primeiros meses. Uso de anticoncepcionais (progestágenos) predispõe. Progresso da doença tumoral difere entre castradas × não castradas. Estadiamento clínico-radiológico e histopatológico (grau) definem prognóstico. Conduta: mastectomia radical, avaliação de linfonodos regionais, quimioterapia adjuvante em casos selecionados.

Neoplasias de cavidade oral e diagnóstico diferencial em felinos. Representam 3% das neoplasias em gatos, idade média 11 anos, acometem lábios, língua, gengiva, mucosa oral, mandíbula, maxila, palato duro, estruturas dentárias. Distribuição por tipo: carcinoma de células escamosas (70%), fibrossarcoma oral (12%), melanoma maligno oral (~2%). Diagnóstico diferencial obrigatório com afecções orais comuns: doença periodontal (95% dos gatos), lesão de reabsorção dentária, complexo granuloma eosinofílico, gengivoestomatite. Sinais clínicos: aumento de volume local, anorexia/hiporexia, halitose, perda de peso, sialorreia, sangramento oral/epistaxe, disfagia, deformidade facial, exoftalmia, aumento de linfonodos cervicais. Diagnóstico: sinais clínicos + exames de sangue + estadiamento por radiografia, tomografia ou ressonância + biópsia incisional (fundamental) + PAAF de linfonodo cervical. Estadiamento TNM (Tumor-Node-Metástase): T0 sem sinais, T1 tumor menor que 2 cm restrito, T2 tumor de 2-4 cm restrito, T3 tumor maior que 4 cm com invasão de estruturas adjacentes (ossos, tecidos moles), T4 tumor invasivo extensivo envolvendo osso, nervos ou linfonodos regionais. Prognóstico do carcinoma de células escamosas felino é reservado — diagnóstico precoce e cirurgia radical são decisivos.

Objetivos do módulo

  • Diferenciar corretamente os termos tumor, neoplasia e câncer na comunicação clínica e no prontuário
  • Compreender epidemiologia do câncer felino: incidência crescente, longevidade, predisposição racial (siameses e orientais), impacto da esterilização precoce
  • Reconhecer papel do felino como animal sentinela e modelo para oncologia humana
  • Indicar quimioterapia terapêutica, adjuvante, neoadjuvante e paliativa conforme contexto clínico
  • Reconhecer indicações de linfoma, leucemias e mielomas para quimioterapia terapêutica
  • Aplicar citorredução neoadjuvante para viabilizar margens cirúrgicas e evitar mutilação
  • Identificar e manejar síndromes paraneoplásicas eutópicas e ectópicas
  • Reconhecer síndrome anorexia-caquexia como a paraneoplasia mais prevalente e seu impacto no prognóstico
  • Diagnosticar hipercalcemia paraneoplásica (linfoma, adenocarcinoma de sacos anais, mieloma múltiplo)
  • Relacionar ulceração gastroduodenal com mastocitoma e miastenia gravis com timoma
  • Diagnosticar linfoma felino: PAAF, biópsia, imunofenotipagem B vs T, teste FeLV/FIV
  • Reconhecer associação FeLV × linfoma de célula T mediastinal em gatos jovens e piorprognóstico
  • Diagnosticar mastocitoma cutâneo × visceral, reconhecer mutação c-KIT em 67% dos casos
  • Manejar hemorragia perioperatória e ulceração gastroduodenal em mastocitoma (pré-medicação anti-histamínica)
  • Indicar OSH precoce (antes dos 6 meses) para prevenção de neoplasia mamária felina (redução de 91% do risco)
  • Reconhecer receptores hormonais (RE, RP, RGh, prolactina) na mamária felina e perda da dependência hormonal
  • Diagnosticar adenocarcinoma mamário como o mais agressivo (sobrevida 6-8 meses) e planejar mastectomia radical
  • Estadiar neoplasias orais por TNM (T0-T4) com radiografia, tomografia, ressonância e biópsia incisional
  • Diferenciar carcinoma de células escamosas oral (70%), fibrossarcoma (12%) e melanoma maligno oral (~2%)
  • Excluir doença periodontal, reabsorção dentária e granuloma eosinofílico como diagnóstico diferencial de neoplasia oral

M.V. Esp. Ligia Ziegler
Docente responsável Perfil ativo
Graduação FMVZ USP · Pós Medicina Intensiva CETAC-UNIP · Aperfeiçoamento UTI UFAPE · Pós Dor Hospital Israelita Albert Einstein · Certificação RECOVER (ACVECC) · Certificação ABC do Trauma (LAVECCS) · Intensivista e coordenadora do Hospital 4 Cats (exclusivo felinos, São Paulo)

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Princípios básicos de internação e UTI felina. O intensivista é o clínico geral do paciente grave — responsável por perfusão, oxigenação, ventilação, controle glicêmico e hemodinâmica. Critérios de admissão em UTI felina: PAM <65 ou >120 mmHg, FC <140 ou >180 bpm, arritmias, mucosas pálidas, TPC >2s, sepse/choque séptico, doenças agudas com necessidade de ventilação mecânica (VM), monitoração pós-operatória de alto risco. Equipamentos essenciais: bombas de infusão, drenos torácicos, acessos vasculares centrais, monitor multiparamétrico, capnógrafo e oxímetro. Rotina: exame clínico cada 4-6h com lactato, HT, PT, glicemia e reanimação guiada pelo clearance de lactato.

Particularidades do felino na emergência. Abordagem precisa respeitar a espécie e a maior susceptibilidade ao estresse — ambiente calmo, contenção adequada, orientar gabapentina pré-consulta quando possível, ser objetivo. A fase hiperdinâmica do choque raramente é identificada no gato: felinos em choque estão vasodilatados e não sustentam a fase hiperdinâmica — evoluem rápido para hipotermia, bradicardia e óbito. Choque oculto em felinos é muito rápido; podem ter lactato e delta-T normais mesmo em choque grave. Perda de 50-70 mL de sangue já pode levar ao choque. Maior risco de LRA no choque felino.

Choque em felinos. Deficiência aguda de perfusão tecidual → ↓ATP → metabolismo anaeróbio → ↑ lactato → hipoperfusão tecidual → disfunção orgânica e apoptose. Tríade do choque circulatório em felinos: hipotermia + bradicardia + hipotensão (PAS <100 mmHg, PAM <65 mmHg). Classificação hemodinâmica: hipovolêmico (desidratação, hemorragia, DM, diurese aumentada), distributivo (séptico, anafilático, neurogênico), cardiogênico (CMH, arritmia, insuficiência) e obstrutivo (TEA felino, tamponamento, pneumotórax hipertensivo). O lactato guia reposição volêmica e resposta.

Sepse e choque séptico. Sepse é a resposta desregulada do hospedeiro à infecção com disfunção orgânica ameaçadora à vida. Choque séptico é o subgrupo da sepse com hipotensão persistente exigindo vasopressores para manter PAM ≥65 mmHg e lactato >2 mmol/L apesar de reanimação adequada. Diferente do cão, gatos raramente apresentam SIRS clássica — mais comum: febre ou hipotermia, mucosas pálidas, aumento do TPC, bradicardia paradoxal, hipoglicemia. Reposição volêmica cautelosa por causa do menor volume plasmático felino, seguida de noradrenalina em CRI se refratário. Controle glicêmico rigoroso e antibioticoterapia empírica precoce.

Uso racional de antimicrobianos. Resistência bacteriana é uma das principais causas de falha terapêutica. Mecanismos: enzimas inativadoras (β-lactamases), alteração do sítio de ação (mudança na PBP), bombas de efluxo, modificação da permeabilidade. Estratégia: coleta de material para cultura e antibiograma antes da primeira dose, escolha empírica racional pelo foco suspeito, escalonamento por 48-72h, deescalonamento após resultado. Protocolos comuns no gato séptico 

XABCDE do trauma. Protocolo sequencial adaptado do trauma humano para o felino: X — Hemorragia exsanguinante (compressão, torniquete, hemostasia); A — Airway com controle cervical; B — Breathing (avaliar contusão pulmonar, pneumotórax, hemotórax, indicar toracocentese); C — Circulation (choque, acesso vascular ou intraósseo EZ-IO, reposição controlada); D — Disability (nível de consciência, Escala Modificada de Glasgow felina · MGCS); E — Exposure (exame secundário, hipotermia). Tríade letal do trauma: coagulopatia + hipotermia + acidose metabólica. Coagulopatia associada ao trauma (CAT) surge em 25-34% dos humanos e no felino agrava por hipotermia mais precoce.

Síndrome da queda de grande altura (SQGA). Queda de ≥2 andares (≈3,7m por andar) — janelas, lajes, sacadas. Predomina em gatos jovens <3 anos por curiosidade. Tríade clássica de lesões: epistaxe + fratura de palato duro + pneumotórax. Outras lesões: contusão pulmonar, fratura de canino, fratura de sínfise mandibular, luxação de mandíbula, fratura de fêmur (distal), rádio-ulna, colo do fêmur em jovens, tíbia distal, hipotermia, choque, luxações traumáticas. Fisiologia: fase de rotação → fase de voo planado (velocidade terminal) → impacto para os quatro membros com hiperextensão vertebral. Investigação obrigatória: radiografia torácica em 3 posições, exame odontológico, avaliação neurológica.

Fluidoterapia. Objetivos: correção da hipovolemia (déficit de volume intravascular) → correção da desidratação (déficit de água corporal total) → manutenção → correção de eletrólitos e ácido-base. Diferenciar hipovolemia de desidratação: hipovolemia é redução do volume circulante (sangue no vaso); desidratação é perda de água corporal total — nem toda desidratação leva a hipovolemia. Cristaloides isotônicos (Ringer com lactato, Plasma-Lyte, NaCl 0,9%): bolus 10-20 mL/kg em felinos (menor que cão pelo menor volume plasmático). Coloides sintéticos com cautela. Monitorar resposta com PAM, lactato, débito urinário, delta-P e ecografia de VCI. Sinais de sobrecarga são precoces no gato — edema periférico, ganho de peso, taquipneia, edema pulmonar iatrogênico.

Tromboembolismo aórtico felino (TEA). Êmbolo que se solta e obstrui artéria — 90% secundário a cardiopatia, principalmente CMH (12-17% dos gatos com CMH desenvolvem TEA). Outras causas (10%): hipertireoidismo (HT4), neoplasias, inflamação, infecção. Prevalência: 0,3-0,6% dos gatos consultados, machos mais acometidos. Fisiopatologia: aumento do átrio esquerdo → redução de fluxo no apêndice atrial → agregação de hemácias → contraste ecocardiográfico espontâneo (CEE), fator de risco. Hipercoagulabilidade em 56% dos cardiopatas (↑ fibrinogênio, ↑ fator VIII, ↑ atividade do fator de Von Willebrand, ↑ complexo trombina-antitrombina). Apresentação clínica: paralisia aguda de membros pélvicos, mucosas pálidas ou cianóticas, dor intensa, ausência de pulso femoral, extremidades frias — pode confundir com trauma ortopédico ou neurológico. Tratamento: analgesia agressiva (metadona, buprenorfina, fentanila), oxigenoterapia, tratamento da cardiopatia base, clopidogrel como profilaxia (estudo FAT-CAT), rivaroxabana ou heparinas de baixo peso molecular (enoxaparina, dalteparina) como alternativas. Profilaxia obrigatória diante de fatores de risco: AE aumentado (moderado a grave, estágio B2), CEE ou redução da velocidade de fluxo.

Arritmias em felinos. Particularidades do ECG felino: tônus simpático exacerbado (adrenérgicos), FC hospitalar 140-260 bpm, em casa ~120 bpm (holter), dormindo pode chegar a 100 bpm. Ritmo sinusal considerado quando FC 160-220 bpm no hospital; taquicardia >220 bpm, bradicardia <160 bpm. VPCs esporádicos podem ser normais. Em gato cardiopata, arritmia é fator de risco para morte súbita. Arritmias supraventriculares: origem atrial ou juncional, QRS de conformação normal. Arritmias ventriculares: fibrose, cicatriz, isquemia — QRS bizarro, risco de morte súbita. Taquicardia atrial semelhante à FA: tratar causa base, amiodarona quando afeta DC. Fibrilação atrial em gato tem prognóstico semelhante ao cão. Bloqueios AV em áreas de fibrose e cicatriz. Farmacologia: lidocaína, atenolol, diltiazem, amiodarona, sotalol, mexiletina, marcapasso quando indicado.

Objetivos do módulo

  • Estruturar admissão em UTI felina por critérios objetivos: PAM <65 ou >120 mmHg, FC <140 ou >180 bpm, arritmias, TPC >2s, necessidade de VM
  • Reconhecer particularidades do felino na emergência: susceptibilidade ao estresse, choque oculto rápido, ausência de fase hiperdinâmica sustentada
  • Diferenciar choque hipovolêmico × distributivo × cardiogênico × obstrutivo e usar lactato como guia de reanimação (clearance)
  • Diagnosticar sepse e choque séptico no felino sem SIRS clássica; conduzir com noradrenalina em CRI + antibiótico empírico + controle glicêmico
  • Aplicar uso racional de antimicrobianos: cultura antes da primeira dose, ampicilina/sulbactam + metronidazol + enrofloxacina como esquema empírico, deescalonamento em 48-72h
  • Executar protocolo XABCDE do trauma respeitando a tríade letal (coagulopatia + hipotermia + acidose)
  • Diagnosticar Síndrome da Queda de Grande Altura (SQGA) pela tríade epistaxe + palato duro + pneumotórax
  • Diferenciar hipovolemia de desidratação e ajustar fluidoterapia com cristaloides isotônicos em bolus, monitorando sobrecarga precoce
  • Diagnosticar Tromboembolismo Aórtico Felino (TEA)
  • Identificar fatores de risco de TEA por ecocardiografia (AE moderado a grave, contraste ecocardiográfico espontâneo, redução de velocidade de fluxo)
  • Interpretar ECG felino considerando tônus simpático exacerbado, FC hospitalar 160-220 bpm e VPCs esporádicos como possível variação normal
  • Tratar arritmias supraventriculares e ventriculares com lidocaína, atenolol, diltiazem, amiodarona, sotalol e mexiletina conforme substrato

Profª Marianne Lamberts
Docente responsável Perfil ativo
Cirurgiã HCV-UFRGS (1986-2014) · Coordenadora e professora da Equalis desde 2003 · Ex-Secretária Geral CRMV-RS · Mestrado em Biologia Molecular UFRGS

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Anatomia funcional do sistema locomotor. Músculos com inervação (1/3 a 1/2 do peso corporal), tendões e ligamentos, ossos, articulações com cápsula e líquido sinovial. Função: sustentação, equilíbrio, propulsão. Integração entre exame ortopédico e neurológico.

Exame ortopédico. Inspeção visual (postura, marcha, claudicação, atrofia, deformidades), palpação, medição de ângulos articulares.

Ângulos articulares felinos. Umerorradioulnar flexão 50-60°, Carporradioulnar 130-140°, rotação interna 30-40°, rotação externa 30-40°, Femorotibiopatelar (joelho) flexão 50-60°/extensão 90°, rotação externa 80-90°, eversão 30-40°.

Lesões de tendões e músculos. Rupturas parciais × totais, radiografia comparativa do membro contralateral.

Traumatologia felina. Fraturas dos membros pélvicos (MPs), poli fraturas de pelve (aguda), fraturas patológicas em “galho verde” em jovens.

Hiperparatireoidismo secundário nutricional. Dieta exclusiva com carne (baixo cálcio, alto fósforo). Fisiologia: 99% do Ca e 80% do P nos dentes/ossos; paratireoides produzem calcitonina (calcifica) e PTH (descalcifica); Vitamina D.

Consequências clínicas. Jovens: desvio de eixos ósseos, fraturas espontâneas em “galho verde”, estreitamento de pelve com distúrbios de defecação. Adultos: osteopenia. Tratamento: dieta comercial balanceada ou natural por nutricionista veterinário.

Doença Articular Degenerativa (DAD) e Luxação Patelar (LP). Avaliação da dor articular específica em gatos.

Objetivos do módulo

  • Integrar exame ortopédico e exame neurológico na avaliação do felino
  • Executar inspeção visual e palpação ortopédica sistematizadas
  • Medir ângulos articulares com valores normais para gatos (Umerorradioulnar, Carporradioulnar, Femorotibiopatelar)
  • Diagnosticar rupturas parciais e totais de tendões e músculos com radiografia comparativa
  • Manejar traumatologia felina: fraturas de MPs, poli fraturas de pelve, fraturas em “galho verde”
  • Diagnosticar Hiperparatireoidismo secundário nutricional (dieta exclusiva com carne)
  • Reconhecer sinais em jovens (desvio de eixos, estreitamento pélvico) e adultos (osteopenia)
  • Corrigir com dieta comercial balanceada ou nutricionista veterinário
  • Diagnosticar Doença Articular Degenerativa (DAD) e Luxação Patelar (LP) felina
  • Compreender fisiologia do Ca, P, Calcitonina, PTH e Vitamina D no metabolismo ósseo felino

TM
Docente responsável
Profa. Dra. Teresinha Martins
Doutora em Ciências da Saúde com ênfase em Anestesiologia pela Faculdade de Medicina da USP · Especialista em Anestesiologia Veterinária UNESP Botucatu · Ex-colaboradora do Ambulatório de Dor e Cuidados Paliativos HOVET FMVZ USP · Ex-docente de Farmacologia e Toxicologia Veterinária UNISA/SP e Anhembi-Morumbi · Responsável técnica DORVET · Membro da Comissão de Medicina Veterinária SBED

Farmacocinética aplicada ao felino. A farmacocinética descreve a passagem do fármaco pelo organismo em quatro fases integradas: absorção, distribuição, biotransformação (metabolismo) e excreção (depuração). Três conceitos práticos comandam a resposta clínica ao medicamento: latência (tempo entre administração e primeiro efeito clínico — depende de velocidade de absorção, velocidade de distribuição e localização do sítio-alvo), pico de ação (concentração máxima atingida) e duração de ação (tempo em que a concentração se mantém acima do limiar terapêutico). A via de administração e a forma farmacêutica determinam a biodisponibilidade (BD): oral, intramuscular, subcutânea, intravenosa, transmucosa oral (OTM), retal, transdérmica, tópica, oftálmica. Fatores que alteram absorção: presença de alimento (AINEs, inibidores de bomba de prótons, ferro), tempo de esvaziamento gástrico, anticolinérgicos (escopolamina, hioscina, atropina), desidratação grave, hipotermia e hipotensão.

Buprenorfina OTM — modelo do felino

Distribuição — volume sanguíneo e ligação a proteínas. A concentração plasmática de medicamentos pode estar elevada nos gatos quando se extrapola o regime de doses utilizado em cães. Diferenças críticas de volume sanguíneo entre espécies: cães ~90 mL/kg × gatos ~70 mL/kg — compartimento de menor volume significa maior concentração plasmática para a mesma dose absoluta. Na hipovolemia a distribuição se altera ainda mais. Fatores que modulam distribuição: fármaco livre × ligado a proteínas plasmáticas (disfunções hepáticas ou renais alteram albumina; competição entre fármacos por sítios de ligação; tempo de ligação), acúmulo em compartimentos periféricos, meia-vida de eliminação.

Biotransformação — deficiência de glucuronidação no felino. O fígado transforma substâncias lipossolúveis em hidrossolúveis para facilitar excreção via reações de fase I (citocromo P450 — CYP · reações microssomais) e reações de fase II (conjugação com ácido glicurônico, ácido acético, ácido sulfúrico, aminoácido — formando compostos hidrossolúveis menos tóxicos). A principal via de conjugação em mamíferos é a glucuronidação via UGT (uridina-difosfato-glicuronil-transferase). O gato é deficiente em glucuronidação: humanos e cães possuem 9-10 enzimas UGT ativas; o felino possui apenas 2 enzimas UGT ativas — não tem UGT1A6 nem UGT1A9 (pseudogenes). Consequências clínicas diretas: meia-vida prolongada de paracetamol, propofol, ácido acetilsalicílico (AAS), morfina, diazepam — todos glucuronidados; toxicidade em doses ou repetições que seriam seguras em cães ou humanos; necessidade de diminuir dose ou aumentar intervalo em vez de contraindicar totalmente. Substratos com eliminação prolongada em felinos: compostos fenólicos (paracetamol, propofol), ácidos aromáticos (aspirina), aminas aromáticas (anestésicos locais).

Benzodiazepínicos — perigo específico no felino. No gato, benzodiazepínicos como diazepam produzem maior percentual de metabólitos ativos (nordiazepam, temazepam) com baixa capacidade de glucuronidação dos metabólitos hidroxilados — resultado é acúmulo de fármacos e metabólitos em células hepáticas. Adicionalmente, benzodiazepínicos inibem a bomba de exportação de sais biliares (Bsep), acumulando ácidos biliares no interior dos hepatócitos. Consequência clínica documentada: necrose hepática centrolobular, hiperplasia dos ductos biliares, inflamação intraductal, insuficiência hepática aguda. Quadro típico: depressão e anorexia nos primeiros dias de uso, progressão para icterícia. Conduta: diminuir dose, aumentar intervalo, ter flumazenil disponível como antagonista.

Excreção renal no felino. Gatos apresentam alta capacidade de concentrar urina e ingerem menos água — o que impacta depuração de fármacos hidrossolúveis. Menor número de néfrons em relação a outras espécies. Depuração renal (cleareance) é o volume de plasma do qual a substância é removida por unidade de tempo (mL/min); envolve três mecanismos integrados: (a) filtração glomerular, (b) secreção ativa nos túbulos proximais via transportadores, (c) reabsorção passiva de moléculas lipossolúveis. O rim também é responsável por 15-40% da metabolização de alguns medicamentos (sulfatação e glucuronidação tubular).

DRC felina e ajuste farmacológico. A prevalência da doença renal crônica é estimada em 1-3% dos gatos gerais e mais de 80% dos gatos idosos. Consequências farmacocinéticas: fibrose tubular progressiva, morte de néfrons, diminuição da TFG, lesão glomerular, elevação de ureia e creatinina, perda de proteína pela urina, mecanismos compensatórios (paratormônio, aldosterona, ADH). Implicações práticas na prescrição: maior tempo para excreção, maior acúmulo de metabólitos, maior intensidade de efeitos adversos. Anti-hipertensivos: iECA benazepril (metabólito ativo com excreção biliar — sem ajuste renal) × enalapril (excreção renal); BRAII telmisartana — proteinúria IRIS I-III, seguro; anlodipina (bloqueador de canais de cálcio, dilata arteríola aferente — não associar com iECA/BRAII); furosemida (diurético de alça · uso controverso na DRC pura mas útil na síndrome cardiorrenal com doses menores e monitoramento). Gastroprotetores: antagonistas H2 (famotidina, ranitidina) exigem ajuste em IRIS 3-4; IBPs (omeprazol, esomeprazol, pantoprazol) sem evidência clara de necessidade de ajuste em felinos.

Idiossincrasias e sensibilidades felinas — fármacos perigosos. Paracetamol — metabolismo dependente de glucuronidação e sulfatação; toxicidade dose-dependente com metahemoglobinemia, hepatotoxicidade e morte; contraindicado no felino. AINEs — meia-vida prolongada, risco de nefrotoxicidade e ulceração gastrointestinal; usar com cautela extrema e monitoramento renal. Lidocaína, benzocaína — anestésicos locais aminoaromáticos com metabolismo alterado; risco de metahemoglobinemia. Interações medicamentosas relevantes: fármacos que competem por sítios de ligação em proteínas plasmáticas, indutores/inibidores de CYP450, associações que sobrecarregam glucuronidação. Classes antibióticas em medicina felina: beta-lactâmicos, fluoroquinolonas (atenção à retinotoxicidade com enrofloxacina em doses altas), tetraciclinas (doxiciclina — esofagite se cápsula não deglutida com líquido suficiente), macrolídeos, aminoglicosídeos (nefrotóxicos e ototóxicos), metronidazol (neurotoxicidade em doses altas). Prescrição racional exige conhecer via de metabolismo, via de excreção, meia-vida e margem terapêutica antes de definir dose e intervalo.

Objetivos do módulo

  • Compreender as 4 fases da farmacocinética (absorção, distribuição, biotransformação, excreção) no felino
  • Aplicar conceitos de latência, pico de ação e duração de ação na prática clínica
  • Reconhecer buprenorfina OTM como modelo de aproveitamento do pH bucal alcalino do gato (pKa 8,24 × pH 8-9)
  • Distinguir tópica sem × com ação sistêmica, spot-on, transdérmica e implicações clínicas
  • Ajustar dose considerando volume sanguíneo felino menor que canino (70 vs 90 mL/kg)
  • Diagnosticar deficiência de glucuronidação felina (2 enzimas UGT vs 9-10 em outras espécies)
  • Reconhecer fármacos com metabolismo alterado no felino: paracetamol, propofol, AAS, morfina, diazepam
  • Evitar benzodiazepínicos por risco de necrose hepática centrolobular e insuficiência hepática aguda
  • Ter flumazenil disponível como antagonista de benzodiazepínicos
  • Reconhecer que DRC afeta 80% dos gatos idosos e ajustar prescrição conforme IRIS
  • Escolher iECA (benazepril) vs BRAII (telmisartana) conforme necessidade renal e proteinúria
  • Ajustar antagonistas H2 (famotidina, ranitidina) em IRIS 3-4
  • Contraindicar paracetamol e usar AINEs com cautela extrema em felinos
  • Manejar anestésicos locais aminoaromáticos com atenção ao risco de metahemoglobinemia
  • Selecionar antibióticos por classe considerando particularidades felinas (retinotoxicidade fluoroquinolonas, esofagite doxiciclina, nefrotoxicidade aminoglicosídeos)

BP
Docente responsável
Profa. M.Sc. Bruna Padin
Médica Veterinária e Mestre em Ciências pela FMVZ USP · Especializada em Felinos (2014) · Experiência clínica na “The London Cat Clinic” · Coordenadora Medicina de Felinos UFAPE · Títulos reconhecidos pela União Europeia · Associada Feline VMA e ABFel

Manipulação como diferencial clínico em medicina felina. Fármaco manipulado é preparado personalizado por farmacêutico em farmácia de manipulação a partir de prescrição médica — diferente do industrializado produzido em larga escala. Vantagens no felino: individualização da dose, combinação de substâncias em uma única formulação, acesso a medicamentos não produzidos industrialmente, isenção de excipientes problemáticos (lactose, corantes, propilenoglicol), diversidade de formas farmacêuticas. Limitações críticas: controle de qualidade menor vs indústria (variação na concentração), qualidade da matéria-prima e consistência dos processos, ausência de excipientes especializados. Prescrever manipulado exige critério: qual estabilidade da molécula, é seguro e eficiente, farmácia tem tecnologia e conhecimento veterinário — preferir farmácias veterinárias com literatura específica de farmacocinética e estabilizantes.

Formulações orais para felinos. Cápsulas em tamanhos diferentes, biscoitos com farinha animal ou vegetal, xaropes com sabores, suspensões, pastas orais, sachês com doses exatas, pós com flavorizantes, caldas e molhos, filmes orais. Palatabilidade é decisiva. Metronidazol, sulfonamidas e dipirona têm gosto forte — sabor precisa ser trabalhado. Palatabilizante da gabapentina (dose baixa) difere do da fluoxetina (contínuo por meses). Ensinar o tutor a medicar é parte da prescrição: escolher a melhor via, a melhor formulação e a concentração adequada maximiza adesão e evita subdosagem.

Fármacos que demandam atenção especial na manipulação. Itraconazol — lipofílico com baixa solubilidade aquosa; requer excipientes especializados como ciclodextrina presente na formulação de referência. Estudos em cães e gatos mostraram absorção mínima do itraconazol manipulado, com concentrações plasmáticas indetectáveis mesmo em doses altas. Menos problemático em dermatófitos superficiais; contraindicado em fungos sistêmicos (esporotricose, criptococose). Oferecer sempre com alimento pela lipossolubilidade; nunca junto a antiácidos. Ciclosporina — molécula sensível; estabilidade afetada por manipulação inadequada, perda de conservantes, armazenamento impróprio. Substância altamente lipofílica e hidrofóbica com absorção gastrointestinal muito variável — microemulsão é essencial para absorção consistente. SAMe — instável, degrada com calor, luz e umidade; forma líquida acelera decomposição; degradação pelo suco gástrico exige cápsulas gastrorresistentes. Omeprazol — deteriora rapidamente em ambiente ácido; industrializado tem revestimento gastrorresistente que manipulação nem sempre replica; potência pode cair drasticamente em poucas semanas. Outros fármacos com atenção: maropitant (instabilidade em líquido, sabor forte), amlodipina (instável em solução, risco de oxidação), clopidogrel (biodisponibilidade afetada), levetiracetam (instabilidade em líquido), levotiroxina (instabilidade).

Medicações transdérmicas em felinos. Via transdérmica evita efeito de primeira passagem hepática, elimina ação gastrointestinal e efeitos colaterais digestivos, tem maior custo mas ganha em facilidade de administração — especialmente valioso no gato com aversão a medicação oral. Requisitos técnicos: temperatura influencia vascularização e absorção; peso molecular menor que 1000 daltons; dose máxima de 250 mg por aplicação; uso obrigatório de luvas pelo tutor. Drogas lipídicas de baixo peso molecular aplicáveis: metimazol, fenobarbital, mirtazapina, fentanila, nitroglicerina. Bases transdérmicas veterinárias: organogel de lecitina plurônica (PLO), Lipoderme®, VanPen®. Aplicação no pavilhão auricular interno (região não pilosa e vascularizada).

Manipulação de controlados e aspectos regulatórios. Medicamentos manipulados exigem receita médica válida — receitas não podem ser rasuradas, validade de 30 dias, uso contínuo pode ser prescrito para até 180 dias, não pode ser usado nome comercial (apenas princípio ativo e formulação), assinatura via gov.br + número MAPA obrigatórios. Antibióticos e analgésicos manipulados dependem criticamente de qualidade de produção e processos, qualidade da matéria-prima, associações validadas por literatura, estabilizantes específicos. Diminuir polifarmácia via associação inteligente é objetivo — quando compatibilidade farmacotécnica permite. Antes de associar dois princípios ativos: pH compatível, solubilidade compatível, sem reação cruzada.

Fórmulas tópicas e cuidados com estresse. Xampus, sprays, pomadas oftálmicas e géis auriculares podem ser manipulados. Cuidado com estresse do banho no felino: gato não diabético em repouso tem glicemia ~83 mg/dL — após banho de 5 minutos sobe para ~162 mg/dL (hiperglicemia de estresse); lactato pré 6,3 mg/dL vai para 64,0 mg/dL pós-banho. Estresse ativa eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, aumenta catecolaminas, cortisol e lactato, gera imunossupressão. Muitas vezes o custo comportamental do banho medicado supera o benefício — reconhecer isso e escolher via alternativa (spot-on, transdérmica, spray com contenção mínima). Principais medicamentos VO na rotina felina: gabapentina e pregabalina, fluoxetina e outros ansiolíticos, SAMe, prazosina e tansulosina, nutracêuticos, praziquantel (para platinossomíase).

Objetivos do módulo

  • Compreender quando e por que manipular fármacos para felinos (individualização, combinação, isenção, formas alternativas)
  • Diferenciar limitações do manipulado vs industrializado quanto a controle de qualidade e consistência
  • Selecionar formulações orais adequadas: cápsulas, biscoitos, xaropes, sachês, pastas, filmes, pós, caldas
  • Trabalhar palatabilidade felina com sabores adequados (carne, frango, peixe, lácteos) e reconhecer princípios ativos de gosto forte
  • Reconhecer fármacos problemáticos na manipulação: itraconazol (ciclodextrina), ciclosporina (microemulsão), SAMe (gastrorresistente), omeprazol (revestimento)
  • Evitar manipulação de itraconazol para fungos sistêmicos (esporotricose, criptococose)
  • Aplicar medicações transdérmicas com critério (peso molecular menor que 1000 daltons, temperatura, luvas)
  • Prescrever bases transdérmicas veterinárias: PLO, Lipoderme, VanPen
  • Manipular medicações transdérmicas apenas para drogas lipídicas de baixo PM (metimazol, fenobarbital, mirtazapina, fentanila)
  • Cumprir requisitos regulatórios de controlados: receita válida, validade, assinatura gov.br, número MAPA
  • Verificar compatibilidade farmacotécnica antes de associar princípios ativos (pH, solubilidade)
  • Preferir farmácias veterinárias com literatura específica de farmacocinética e estabilizantes
  • Reconhecer que estresse do banho medicado gera hiperglicemia, ativação simpática e imunossupressão
  • Escolher via alternativa (spot-on, transdérmica) quando custo comportamental do banho superar benefício
  • Prescrever ensino do tutor sobre administração — parte integral da prescrição em felino

JM
Docente responsável
Profa. M.Sc. Juliana R Moncayo
Médica Veterinária e Mestre em Ciências · Toxicologia Clínica Veterinária com ênfase em emergências toxicológicas em felinos · abordagem sistemática do gato exposto a agentes tóxicos com foco em particularidades da espécie

Conceito e classificação das intoxicações. Intoxicações ocorrem pela interação de um agente tóxico com um sistema biológico ocasionando desequilíbrio orgânico. Classificação clínica: por natureza (acidentais ou intencionais), por intensidade dos efeitos (leve, moderada, grave), por abrangência (local ou sistêmica). Toda emergência toxicológica envolve três eixos: caracterizar o agente, reconhecer o quadro clínico, instituir terapia sem depender de confirmação laboratorial demorada. Análise toxicológica em materiais biológicos raramente está disponível em tempo útil — indispensável apenas em intoxicações de caráter criminoso ou medicolegais. Independentemente do provável diagnóstico, a terapia empírica deve ser instituída como questão de urgência e mantida enquanto a avaliação diagnóstica é concluída.

Fases da intoxicação. Exposição — contato do organismo com o agente tóxico, variáveis: via ou local de exposição, duração e frequência. Principais vias em felinos: oral (ingestão) com absorção gastrointestinal, inalatória (rápida absorção e distribuição), dérmica (reação local × absorção sistêmica), ocular (conjuntiva e córnea altamente vulneráveis). Toxicocinética — passagem da substância pelo organismo em quatro subfases: absorção, distribuição, biotransformação, excreção. Toxicodinâmica — ação tóxica da substância sobre o sistema biológico do ponto de vista bioquímico e molecular. Fase clínica — última etapa do processo com evidências de sinais e alterações patológicas detectáveis. A intoxicação felina exige raciocínio nesses quatro planos simultaneamente porque o tratamento eficaz age em fases distintas com estratégias distintas.

Particularidades felinas que amplificam intoxicações. Além da capacidade hepática reduzida para conjugação com ácido glicurônico (deficiência de UGT1A6 e UGT1A9 · glucuronidação de fase II drasticamente limitada), o gato apresenta particularidades adicionais: hemácias mais suscetíveis à lesão oxidativa — impactam gravidade de intoxicações que geram estresse oxidativo (paracetamol, cebola, alho, zinco). Substâncias com eliminação prolongada em felinos: compostos fenólicos (paracetamol, propofol), ácidos aromáticos (aspirina), aminas aromáticas (anestésicos locais). Fatores comportamentais que favorecem exposição a toxicantes: grooming (autolimpeza que ingere substâncias depositadas no pelame), capacidade de acessar locais isolados por pequenas aberturas, natureza curiosa e investigativa, hábitos de caça que expõem a presas envenenadas ou intoxicadas. Adicione-se o desconhecimento dos tutores sobre potenciais tóxicos para a espécie — exposições frequentes a permetrina (spot-on canino inadequado para gato) e imidacloprida em doses ou apresentações erradas.

Protocolo ABCDE na emergência toxicológica. Instituir terapia para manutenção da vida antes de investigar o agente. Sequência sistemática e padronizada: A (airway · vias aéreas) — obstrução do trato respiratório superior, secreção ou sangue nas vias aéreas. B (breathing · respiração) — dispneias, padrão respiratório, esforço, cianose. C (circulation · circulação) — mucosas, tempo de preenchimento capilar (TPC), pulso, ausculta e frequência cardíaca, temperatura, pressão arterial. D (disability · avaliação neurológica) — nível de consciência, pupilas (isocoria, mio/midríase, reflexo fotomotor), condições motoras. E (exposure · exposição) — controle de nova exposição, remoção do agente da pele/pelo. Em parada cardiorrespiratória, inverter para CAB (compressão, vias aéreas, respiração). Materiais essenciais: estetoscópio, termômetro, sondas endotraqueais, cateter intravenoso, material para fluidoterapia e oxigenoterapia, sondas uretral e gástrica.

Abordagem inicial e exames complementares rápidos. Identificação do paciente, exame físico detalhado, anamnese focada em exposição (o quê, quando, quanto, como), exames complementares rápidos à beira-leito: hematócrito, proteína total, glicemia, ureia, creatinina, enzimas hepáticas (ALT, AST, FA, GGT), eletrólitos, estado ácido-básico via hemogasometria. Ferramentas emergenciais: lactato (marcador de hipoperfusão), T-FAST e A-FAST (ultrassom torácico e abdominal em pontos), oximetria de pulso, ECG, pressão arterial não invasiva. Objetivo desses exames: detectar problemas potencialmente fatais (hipoglicemia, hipocalemia, acidose metabólica grave, arritmias) antes que evoluam para óbito.

Objetivos da terapia toxicológica. Quatro eixos operam simultaneamente. Eixo 1 — dificultar ou impedir a absorção: descontaminação dérmica (banho em água morna corrente por 15 minutos com sabão neutro para substâncias oleosas, enxaguar e secar), descontaminação ocular (lavagem com soro fisiológico ou água limpa em sentido médio-lateral com cabeça lateralizada, avaliação oftalmológica posterior), descontaminação gastrointestinal (indução de êmese em janela adequada — não indicada em depressão neurológica, convulsão ou ingestão de substância corrosiva; lavagem gástrica sob sedação em casos selecionados), adsorventes (carvão ativado é o principal). Eixo 2 — aumentar a eliminação: estímulo à diurese (fluidoterapia otimizada), catárticos (aceleram trânsito intestinal). Eixo 3 — antídoto específico quando disponível (N-acetilcisteína para paracetamol, vitamina K1 para rodenticidas anticoagulantes, atropina para organofosforados, flumazenil para benzodiazepínicos, naloxona para opioides, etilenoglicol → etanol/fomepizol). Eixo 4 — cuidados de suporte contínuo direcionados aos sinais individuais do paciente (fluidoterapia, controle de temperatura, controle de convulsões, suporte respiratório, correção metabólica, controle da dor).

Principais intoxicações felinas na rotina. Permetrina — spot-on canino aplicado erroneamente em felino gera tremores, hipertermia, convulsões e óbito; conduta com emulsões lipídicas intravenosas (lipid rescue), banho, sedação com benzodiazepínico controlado e controle térmico. Imidacloprida em dose ou apresentação erradas. Paracetamol — metahemoglobinemia, cianose castanha, hepatotoxicidade — antídoto N-acetilcisteína, suporte oxigênio, vitamina C. Cebola, alho e derivados — anemia hemolítica com corpúsculos de Heinz. Rodenticidas anticoagulantes (varfarina, brodifacoum) — sangramento, antídoto vitamina K1. Etilenoglicol (anticongelante) — acidose metabólica, hipocalcemia, insuficiência renal aguda por cristais de oxalato. Plantas tóxicas — lírios (Lilium spp e Hemerocallis spp) causam insuficiência renal aguda em felinos mesmo em contato mínimo com folha ou pólen; comigo-ninguém-pode, azaleia, oleandro. AINEs em doses erradas. Óleos essenciais (tea tree, eucalipto, canela). Prevenção pela educação do tutor é parte central da consulta felina — casa segura para gato é diferente de casa segura para cão.

Objetivos do módulo

  • Classificar intoxicações felinas por natureza, intensidade, abrangência e agente causal
  • Distinguir fases da intoxicação: exposição, toxicocinética, toxicodinâmica e fase clínica
  • Reconhecer particularidades felinas que amplificam gravidade: deficiência UGT1A6/1A9, hemácias suscetíveis a lesão oxidativa
  • Identificar fatores comportamentais que favorecem exposição: grooming, curiosidade, hábito de caça, acesso a locais isolados
  • Aplicar protocolo ABCDE na abordagem emergencial e CAB em parada cardiorrespiratória
  • Priorizar terapia empírica sobre confirmação laboratorial na urgência toxicológica
  • Executar exames complementares rápidos: HT, PT, glicemia, ureia, creatinina, enzimas, eletrólitos, hemogasometria, lactato
  • Utilizar T-FAST, A-FAST, oximetria de pulso, ECG e pressão arterial na estabilização
  • Dificultar absorção via descontaminação dérmica, ocular, gastrointestinal e adsorventes (carvão ativado)
  • Aumentar eliminação com fluidoterapia diurética e catárticos quando indicado
  • Prescrever antídotos específicos: N-acetilcisteína, vitamina K1, atropina, flumazenil, naloxona, etanol/fomepizol
  • Manejar intoxicação por permetrina com lipid rescue, controle de convulsão e temperatura
  • Diagnosticar e tratar intoxicação por paracetamol (metahemoglobinemia + hepatotoxicidade)
  • Reconhecer toxicidade de lírios (nefrotoxicidade grave por contato mínimo em felinos)
  • Educar tutores sobre casa segura para felinos: evitar spot-on canino, plantas tóxicas, óleos essenciais, rodenticidas acessíveis

PF
Docente responsável
Profa. M.Sc. Patrícia Bonifácio Flôr
Médica Veterinária e Mestre em Ciências · Especializada em Anestesia e Analgesia Veterinária aplicada a felinos · abordagem clínica de fisiologia da dor, escala OMS, opioides, adjuvantes, protocolos anestésicos felinos e cuidados paliativos ao paciente crítico e crônico

Fisiologia da dor no felino. Definição vigente da IASP (Associação Internacional para o Estudo da Dor, 2020): dor é “uma experiência sensorial e emocional desagradável associada, ou semelhante àquela associada, a uma lesão tecidual real ou potencial”. Nocicepção é o conjunto de eventos neurais pelos quais estímulos nocivos são detectados, convertidos em impulsos nervosos e transmitidos da periferia para o SNC — envolve transdução, transmissão, modulação e percepção. Classificação da dor por natureza: fisiológica (ação biológica fundamental de alarme) × patológica; por tipo — nociceptiva (produzida por qualquer tecido não nervoso, proveniente de estímulo a nociceptores), nociplástica (alteração no processamento central sem lesão tecidual clara), neuropática (lesão do próprio sistema nervoso); por duração — aguda × crônica; por intensidade — leve, moderada, intensa, excruciante. Reconhecer o tipo dominante orienta a escolha farmacológica racional.

Avaliação da dor no felino — o desafio clínico central. Dor aguda é mais fácil de reconhecer — combina alterações comportamentais com alterações fisiológicas mensuráveis. Dor crônica é o grande desafio — impacta qualidade de vida com sinais sutis e progressivos. Quatro pilares da avaliação: bom relacionamento com o tutor (relato de observações diárias), alterações nos hábitos de vida (grooming, uso de caixa de areia, saltos, interação), avaliação periódica (nunca pontual), escalas validadas de dorENV (Escala Numérica Verbal), escala de Colorado adaptada, Feline Grimace Scale, Feline Musculoskeletal Pain Index (FMPI) para dor crônica, escala de qualidade de vida para paciente terminal. Parâmetros observados: vocalização (0 sem vocalização · 1 responde ao comando verbal · 2 vocalização espontânea · 3 vocalização contínua), postura, expressão facial, resposta ao toque, mobilidade, apetite, interação social. Alterações fisiológicas: frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial, midríase.

Tratamento farmacológico da dor — Escada de Analgesia da OMS. Framework adaptado da medicina humana para veterinária, organizado em 4 degraus progressivos conforme intensidade: 1º degrau (dor leve) — AINEs + analgésicos simples; 2º degrau (dor moderada) — AINEs + analgésicos + opioide fraco; 3º degrau (dor intensa) — AINEs + analgésicos + opioide forte; 4º degrau (dor excruciante) — opioide forte + AINEs + procedimentos intervencionistas (bloqueios locorregionais, cateteres epidurais, TENS). Fármacos adjuvantes atravessam todos os degraus quando indicados. AINEs em felinos exigem cautela extrema — deficiência de glucuronidação (UGT1A6/1A9 ausentes) prolonga meia-vida; risco de nefrotoxicidade e ulceração gastrointestinal — usar com monitoramento renal e por tempo limitado.

Opioides em felinos — desmistificando a “morfina mania”. Opioides são a classe de fármacos mais eficaz para dor moderada a intensa em pacientes de todas as idades — combinam analgesia e sedação, têm ampla janela terapêutica e atenuam respostas fisiológicas ao estresse. Historicamente na veterinária houve relutância injustificada em administrar opioides a gatos por receio de efeitos excitatórios — mito conhecido como “morfina mania”, originado do trabalho de Wikler (1944) que utilizou doses extremamente supraclínicas de 15 mg/kg. Estudos subsequentes com doses clínicas de morfina e fentanil não observaram excitação — o quadro só aparece com doses muitas vezes maiores que as terapêuticas. Consequência prática: opioides devem ser prescritos ao felino sem hesitação em contexto adequado. Classes: opioides fracos, opioides fortes agonistas puros do receptor μ, agonistas parciais, agonistas-antagonistas. Efeitos adversos previsíveis: sedação, depressão respiratória dose-dependente, disforia em alguns felinos, constipação em uso crônico. Antagonista: naloxona.

Fármacos adjuvantes — o quarto pilar analgésico. Do latim “adiŭvans” — aquilo ou aquele que assiste, colabora ou ajuda. Grupo heterogêneo de fármacos originalmente utilizados para outras finalidades que não o tratamento da dor, mas que melhoram o rendimento do tratamento analgésico quando associados a AINEs e opioides. Além do efeito analgésico coadjuvante, muitos melhoram apetite, sono e qualidade de vida. Principais classes utilizadas em felinos: antagonistas do receptor NMDA (dor neuropática, prevenção de sensibilização central), anticonvulsivantes com ação analgésica (gabapentina, pregabalina para dor neuropática e osteoartrite), antidepressivos tricíclicos e ISRSs (amitriptilina para dor neuropática crônica), agonistas alfa-2 adrenérgicos (dexmedetomidina para sedação analgésica), anestésicos locais (lidocaína, bupivacaína para bloqueios), bisfosfonatos em dor óssea neoplásica, ômega-3 como adjuvante em osteoartrite crônica. Escolha racional baseia-se em tipo de dor + comorbidades + tolerabilidade individual.

Princípios da anestesia felina. Dado crítico: gatos sob anestesia apresentam taxa de mortalidade aumentada em comparação a cães. Causas identificadas: falhas no monitoramento, gerenciamento de vias aéreas, fluidoterapia e recuperação anestésica. Aspectos importantes da anestesia felina: ansiedade perianestésica e estresse (reconhecer e mitigar com ambiente Cat Friendly, contenção mínima, sedação pré-anestésica adequada), monitoramento perianestésico completo (ECG, oximetria, capnografia, PANI, temperatura), papel das comorbidades cardíacas — especialmente cardiomiopatia hipertrófica felina (CMH) subclínica que pode descompensar sob anestesia, uso correto do equipamento anestésico (circuito valvular vs sem valva, monitores calibrados), anestesia total intravenosa (TIVA) como alternativa aos halogenados em pacientes selecionados. Avaliação pré-anestésica tem objetivos claros: diminuir mortalidade e morbidade cirúrgica, adequar condição de saúde ao procedimento proposto, planejar conduta perioperatória, obter consentimento esclarecido, determinar condição física (ASA I-V), escolher protocolo anestésico individualizado, estimar risco anestésico-cirúrgico. Pergunta operacional central: “o paciente está nas melhores condições possíveis para ser submetido à cirurgia proposta?” Se negativa, adiar. Contraponto: “os riscos de operar agora são maiores que os riscos de não operar?” — decisão compartilhada com tutor.

Cuidados paliativos em felinos. Do latim “pallium” — manto, cobertura. Cuidado paliativo é abordagem que melhora qualidade de vida de pacientes com doença grave, ameaçadora ou terminal, prevenindo e aliviando sofrimento pela identificação precoce, avaliação e tratamento adequado da dor e outros sintomas físicos, psicossociais e espirituais. No felino, indicações típicas: DRC estágio avançado, cardiomiopatia refratária, neoplasias em fase avançada, dor crônica intratável, encefalopatia terminal, síndrome de disfunção cognitiva felina em fase tardia. Pilares do cuidado paliativo veterinário: controle multimodal da dor (AINEs quando renal permite, opioides, adjuvantes, terapias adjuntas), manejo de sintomas (náusea, anorexia, dispneia, constipação), suporte nutricional adequado, hidratação subcutânea domiciliar, enriquecimento ambiental adaptado às limitações do paciente, comunicação estruturada com tutor (expectativas, prognóstico, escala de qualidade de vida, decisões de fim de vida), plano para eutanásia humanitária quando qualidade de vida está definitivamente comprometida. Discussão de casos clínicos reais integra o módulo — pacientes em choque hipovolêmico, CID, quadros críticos com escolha entre reanimação agressiva e cuidado paliativo — exemplificam raciocínio clínico e comunicação com tutor.

Objetivos do módulo

  • Aplicar definição IASP 2020 de dor e distinguir nocicepção, transdução, transmissão, modulação e percepção
  • Classificar dor por natureza (fisiológica × patológica), tipo (nociceptiva, nociplástica, neuropática), duração (aguda × crônica) e intensidade (leve a excruciante)
  • Reconhecer dor aguda por alterações comportamentais e fisiológicas mensuráveis
  • Avaliar dor crônica com relato do tutor, hábitos de vida, avaliação periódica e escalas validadas
  • Utilizar Escala Numérica Verbal (ENV), Colorado adaptada, Feline Grimace Scale e FMPI
  • Aplicar Escada de Analgesia da OMS em 4 degraus com fármacos apropriados por intensidade de dor
  • Prescrever AINEs em felinos com cautela extrema devido a deficiência de UGT1A6/1A9 e risco renal
  • Desmistificar “morfina mania” — reconhecer origem em doses supraclínicas (Wikler 1944 · 15 mg/kg)
  • Utilizar opioides fracos, fortes agonistas puros, parciais e agonistas-antagonistas com indicação racional
  • Ter naloxona disponível como antagonista opioide
  • Prescrever fármacos adjuvantes: antagonistas NMDA, gabapentinoides, tricíclicos, alfa-2 agonistas, anestésicos locais, bisfosfonatos, ômega-3
  • Reconhecer que gatos têm mortalidade anestésica aumentada em relação a cães
  • Prevenir causas de mortalidade anestésica: falhas em monitoramento, vias aéreas, fluidoterapia, recuperação
  • Mitigar ansiedade perianestésica com ambiente Cat Friendly, contenção mínima e pré-medicação adequada
  • Reconhecer cardiomiopatia hipertrófica felina (CMH) subclínica como fator de risco anestésico
  • Indicar anestesia total intravenosa (TIVA) em pacientes selecionados
  • Executar avaliação pré-anestésica com objetivos claros e classificação ASA
  • Comunicar riscos e obter consentimento esclarecido do tutor
  • Indicar cuidados paliativos em DRC avançada, cardiomiopatia refratária, neoplasia terminal, dor crônica intratável e SDCF tardia
  • Estruturar plano paliativo multimodal (dor, sintomas, nutrição, hidratação, ambiente, comunicação) e planejar eutanásia humanitária quando indicada

Renata Arruda
Docente responsável Perfil ativo
Advogada · Graduada em Direito pela PUC-RJ · Especialista em Direito da Medicina pela Universidade de Coimbra · Especialista em Direito Médico pela Escola Paulista de Direito · Especialista em Direito Civil e Processual Civil · Especialista em Direito Processual Grandes Transformações · Consultora Jurídica da Fundação Getulio Vargas por quase 8 anos · Mestranda em Direito Médico e Odontológico · atuação na prevenção jurídica aplicada ao médico veterinário

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Prontuário do paciente veterinário · prevenção jurídica e prática clínica. O prontuário é o documento onde se registra evolução do paciente — natureza jurídica de prova documental obrigatória, sob guarda do médico veterinário. Fundamento legal na Resolução CFMV e no Código de Ética Profissional. Elementos obrigatórios: identificação completa do paciente e do tutor, anamnese detalhada, exame físico, hipóteses diagnósticas, condutas terapêuticas, prescrições, imagens (radiografia, ultrassonografia, TC, RM), exames laboratoriais, evolução, alta ou óbito, e assinatura do profissional. Prontuário eletrônico com assinatura digital tem mesma validade jurídica do físico, desde que atendida a Resolução do CFMV vigente. Guarda mínima recomendada: 20 anos após o último atendimento (base analógica à medicina humana e Código Civil). Falhas típicas que viram processo: ausência de anamnese, prescrições ilegíveis, ausência de termo de consentimento informado, rasuras, alterações sem certificação, extravio de documento, negativa de fornecimento ao tutor. Prontuário bem feito é o primeiro escudo do médico veterinário em qualquer ação de responsabilidade civil.

Comunicação e dever de informação · como falha vira processo. A comunicação entre médico veterinário e cliente (tutor/proprietário) tem natureza jurídica de dever legal e ético, com origem no Código Civil (arts. 186 e 927), no Código de Defesa do Consumidor e no Código de Ética Profissional do CFMV. O médico veterinário tem dever de informação claro, completo, adequado e contínuo ao tutor: diagnóstico, prognóstico, condutas possíveis, riscos, alternativas, custos, expectativas realistas de desfecho. Isso concretiza a autonomia do cliente (princípio da autodeterminação): o tutor decide informadamente, e a decisão dele deve ser respeitada e registrada. Falhas comuns que fundamentam condenações em processos judiciais: (1) omissão da informação; (2) informação técnica não traduzida em linguagem acessível ao leigo; (3) presumir a negativa do cliente sem dar-lhe a chance de manifestar-se; (4) ausência de registro por escrito da recusa, do consentimento, ou de qualquer conduta comunicada; (5) comunicação apenas verbal em momentos críticos (procedimentos, óbito, alta a pedido). A jurisprudência brasileira tem consolidado: o dever de informar é do médico veterinário — não do tutor buscar.

Retirada sem alta e recusa do cliente. Situação clínica-jurídica frequente e frequentemente subestimada. Diferenciação essencial de conceitos: alta médica (decisão técnica do médico veterinário de que o paciente está apto a receber tratamento ambulatorial ou domiciliar) × alta hospitalar (movimentação administrativa que libera o paciente do hospital). São eventos independentes — pode haver alta hospitalar sem alta médica (a retirada sem alta), e vice-versa. Subtipos de alta a considerar: alta a pedido (tutor solicita liberação apesar do quadro), alta solicitada (formalizada por escrito), alta à revelia (tutor retira o paciente sem consentimento do médico veterinário), alta não dada (paciente segue internado). Condutas obrigatórias na retirada sem alta: entrega de documentos (cópia do prontuário, exames, prescrições, orientações escritas), prescrições atualizadas com posologia e via, orientação de sinais de alerta e retorno, termo de retirada sem alta assinado pelo tutor (ou registro documentado da recusa de assinatura). Recusa de assinatura não isenta o médico veterinário — a recusa deve ser certificada por escrito, preferencialmente com testemunha, e registrada no prontuário. O “retorno” na retirada sem alta é comum: paciente piora, tutor volta cobrando responsabilidade — o profissional deve estar juridicamente protegido pela documentação prévia.

Recusa do cliente · autonomia versus responsabilidade profissional. A recusa do cliente pode se manifestar em múltiplas frentes: recusa de tratamento indicado, recusa de eutanásia sugerida, recusa de internação, recusa de encaminhamento a especialista, recusa de exame complementar, recusa de assinatura de termos. A autonomia do cliente é princípio nuclear — o tutor decide, e a decisão dele deve ser respeitada. Porém, o médico veterinário mantém responsabilidade profissional mesmo diante da recusa: dever de informar as consequências da recusa, dever de registrar por escrito, dever de manter cuidado dentro do que for consentido. Condutas críticas: (1) não aceitar recusa “no meio” sem registro formal; (2) explicar consequências da recusa em linguagem acessível; (3) oferecer alternativas menos invasivas ou de menor custo, se existirem; (4) não abandonar o paciente — mesmo com recusa, manter oferta de acompanhamento e reavaliação; (5) documentar toda a interação no prontuário e/ou em termo específico. A recusa registrada corretamente é escudo; a recusa aceita informalmente é passivo jurídico.

Responsabilidade civil do médico veterinário · fundamentos e prevenção. A responsabilidade civil do médico veterinário tem natureza subjetiva (art. 951 do Código Civil e art. 14, §4º do CDC) — depende de comprovação de culpa em uma das modalidades: negligência (omissão do dever de cuidado), imprudência (ação sem cautela), imperícia (ausência de conhecimento técnico). Danos indenizáveis: dano material (despesas com o paciente, tratamentos complementares, óbito com valor comprovado), dano moral (sofrimento do tutor pela perda ou lesão do animal — jurisprudência crescente reconhece o vínculo afetivo), dano estético (em casos específicos). Prevenção jurídica prática: prontuário completo e atualizado, termos de consentimento informado em procedimentos de risco, comunicação escrita quando possível, protocolos institucionais para procedimentos, óbito, e retirada sem alta, seguro de responsabilidade civil profissional, educação continuada como sinal de diligência. Novos desafios contemporâneos: LGPD aplicada aos dados do tutor e do paciente, prontuário eletrônico e assinatura digital, telemedicina veterinária (Resolução CFMV específica), redes sociais e sigilo profissional.

Objetivos do módulo

  • Compreender a natureza jurídica do prontuário veterinário como prova documental obrigatória e escudo jurídico do médico veterinário
  • Aplicar os elementos obrigatórios do prontuário: identificação, anamnese, exame físico, hipóteses diagnósticas, condutas, prescrições, imagens, evolução, alta e assinatura
  • Conhecer o marco legal do prontuário: Resolução CFMV, Código de Ética Profissional e guarda mínima recomendada de 20 anos
  • Utilizar prontuário eletrônico com assinatura digital em conformidade com a Resolução CFMV vigente
  • Cumprir o dever de informação claro, completo, adequado e contínuo ao tutor, com fundamento no Código Civil (arts. 186 e 927) e no CDC
  • Concretizar a autonomia do cliente respeitando decisões informadas do tutor e registrando-as por escrito
  • Prevenir falhas comuns de comunicação: omissão, linguagem inacessível, presunção de negativa, ausência de registro, comunicação apenas verbal em momentos críticos
  • Diferenciar alta médica × alta hospitalar × alta a pedido × alta solicitada × alta à revelia × alta não dada
  • Executar retirada sem alta com entrega documentada (cópia do prontuário, exames, prescrições, orientações, termo assinado)
  • Certificar por escrito a recusa de assinatura preferencialmente com testemunha e registro no prontuário
  • Conduzir recusas do cliente (tratamento, eutanásia, internação, encaminhamento, exame) preservando autonomia e responsabilidade profissional
  • Reconhecer fundamentos da responsabilidade civil subjetiva do médico veterinário: negligência, imprudência, imperícia
  • Identificar danos indenizáveis: material, moral (crescente reconhecimento jurisprudencial do vínculo afetivo tutor-animal) e estético
  • Implementar prevenção jurídica: termos de consentimento informado, protocolos institucionais, seguro de responsabilidade civil profissional
  • Aplicar LGPD à rotina veterinária: dados do tutor, do paciente, prontuário eletrônico, telemedicina, redes sociais e sigilo profissional

JR
Docente responsável
Profa. Janaciara Moreira Ribas
Médica Veterinária e Pedagoga · Pós-graduada em Administração com ênfase em Desenvolvimento Gerencial · Formação em Trainer de Líderes · Educadora comportamental corporativa de líderes, times de liderança e equipes · 21 anos de experiência corporativa

Introdução ao marketing na medicina veterinária. Marketing é o conjunto de estratégias, ferramentas e processos que uma pessoa ou organização utiliza para identificar, atrair, conquistar e reter clientes, entregando valor ao mesmo tempo em que constrói reputação de marca. Na medicina veterinária, marketing deixa de ser opcional — se tornou diferencial competitivo estruturante em mercado com múltiplas clínicas, hospitais e profissionais autônomos disputando o mesmo tutor. Filosofia de marketing em serviço veterinário: colocar as necessidades e expectativas do cliente (tutor) no centro do processo decisório, sem abrir mão da excelência técnica. Ferramentas de marketing aplicáveis: comunicação (identidade visual, tom de voz, presença digital), vendas (jornada do cliente, apresentação de propostas de tratamento, retenção pós-atendimento), relacionamento com o cliente (CRM, follow-up, programas de fidelização), experiência (design da clínica, atendimento, comunicação humanizada). Marketing veterinário mal executado gera churn (perda de cliente), reputação frágil e dependência de indicação; marketing bem executado gera autoridade, previsibilidade de agenda e lifetime value crescente por tutor.

Marketing de serviço · particularidades do produto intangível. Serviço veterinário é produto intangível, inseparável (produção e consumo simultâneos), heterogêneo (varia por profissional, por dia) e perecível (não estocável) — as 4 características clássicas de serviço. Isso muda a lógica de marketing radicalmente vs produtos físicos. No serviço veterinário, o cliente não avalia só o resultado clínico — avalia toda a experiência: primeiro contato (telefone, WhatsApp, agendamento online), tempo de espera, acolhimento na recepção, empatia do médico veterinário, comunicação do diagnóstico e do prognóstico, clareza da prescrição, follow-up pós-atendimento, transparência do custo. Pontos de contato (touchpoints) a mapear e cuidar: cada interação é oportunidade de encantamento ou fricção. Estratégias essenciais: humanizar o marketing (o tutor está emocionalmente envolvido — reconhecer isso), não competir por preço (quem disputa cliente por preço perde o cliente ao próximo mais barato), construir símbolos e histórias que aproximem o cliente da marca, definir experiência padrão que qualquer profissional da equipe consiga reproduzir.

Marketing pessoal do médico veterinário. Marketing pessoal é a construção intencional da imagem, reputação e autoridade profissional — pilar de crescimento sustentável na medicina veterinária moderna. Componentes essenciais: identidade visual pessoal (foto profissional, coerência estética nas redes), presença digital consistente (Instagram, LinkedIn, blog, canais próprios), narrativa profissional clara (o que faço, para quem, por que · seu diferencial autêntico), storytelling (histórias verdadeiras de casos, aprendizados, valores que humanizem sem quebrar sigilo), educação continuada visível (compartilhar pós-graduações, certificações, congressos, artigos), autoridade construída em nicho (ser referência em felinos, oncologia, dermatologia — em vez de “atender tudo”). Princípios de posicionamento profissional: “seu produto e serviço é pra todo mundo, mas nem todo mundo é para seu produto e serviço” — nichar aumenta relevância e ticket médio. Personifique sua marca pessoal e humanize o seu marketing — tutor busca vínculo, não apenas competência técnica. Teu trabalho transforma vidas · seu cliente tem uma dor · sua função é resolver essa dor com técnica, empatia e ética.

Marketing digital e redes sociais na clínica veterinária. Presença digital deixou de ser luxo — é infraestrutura básica de captação e retenção de cliente. Plataformas estratégicas: Instagram (foco em conteúdo visual, storytelling de casos, bastidores, educação, humanização), Facebook (comunidade, grupos de tutores, eventos, anúncios com segmentação demográfica), WhatsApp Business (agendamento, lembretes, atendimento personalizado — canal preferido do tutor brasileiro), Google Meu Negócio (SEO local · avaliações · fotos · horários — canal mais buscado antes da primeira consulta), YouTube ou TikTok (conteúdo educativo em vídeo com escala orgânica). SAC via redes sociais se tornou canal crítico — dúvidas técnicas, reclamações públicas, elogios, todos exigem resposta profissional em tempo real. Princípios de conteúdo: educar antes de vender, compartilhar bastidores humanizados, usar linguagem acessível ao leigo, manter constância acima da perfeição, respeitar sigilo profissional (não expor paciente ou tutor sem autorização expressa). Métricas essenciais: alcance, engajamento (curtidas + comentários + compartilhamentos + salvamentos), conversão (agendamento gerado), retenção (retorno do cliente).

Nichar público-alvo · segmentação de clientes ideais. Tentar atender “todo mundo” dispersa mensagem, custo de aquisição e ticket médio. Segmentar por perfil de cliente ideal (ICP) concentra recursos onde há maior propensão a compra, maior ticket e maior lifetime value. Critérios de segmentação úteis na clínica veterinária: tipo de pet (só felinos, só cães de raça, só silvestres), faixa de renda do tutor (estrutura de serviços premium × acessível), demografia (localização, idade, ocupação do tutor), comportamento (frequência de consulta, adesão a preventivo, valor investido em pet), experiências que buscam (atendimento premium com privacidade × atendimento rápido e prático), verdade/sustentabilidade (tutor busca clínica com valores alinhados). Formulação de proposta de valor específica para cada segmento: o que ofereço, para quem, por que sou a melhor escolha. Estratégias de atração e retenção diferentes para cada perfil. Personifique a marca em torno dos símbolos que conectam com o seu cliente — visuais, tom de voz, ambiente físico, histórias, valores compartilhados.

Gestão de pessoas e liderança na clínica veterinária. Marketing não sobrevive sem equipe alinhada. Liderança na clínica veterinária exige mais do que técnica clínica — exige desenvolvimento gerencial, comunicação assertiva, gestão de conflitos, feedback construtivo, delegação, e cultura organizacional intencional. Pilares de liderança operacional: clareza de valores e propósito (por que existimos, o que defendemos, como agimos), protocolos e padrões (atendimento, comunicação, atendimento de reclamações, óbito, retirada sem alta), treinamento continuado da equipe (técnico e comportamental), feedback estruturado e recorrente (não apenas em crise), reconhecimento e retenção de talentos, gestão comportamental de equipe (mapear perfis, adequar comunicação, resolver atritos). Marketing e gestão de pessoas são vasos comunicantes: cultura interna vira experiência do cliente na recepção, no atendimento, na entrega da prescrição, no follow-up. Seja a liderança que sua equipe precisa e seu cliente merece.

Objetivos do módulo

  • Compreender conceito, filosofia e ferramentas de marketing aplicadas à medicina veterinária moderna
  • Distinguir marketing de serviço vs marketing de produto e aplicar particularidades do produto intangível, inseparável, heterogêneo e perecível
  • Mapear pontos de contato (touchpoints) da jornada do cliente e desenhar experiências padronizadas de encantamento
  • Construir marketing pessoal do médico veterinário com identidade visual, presença digital, narrativa profissional e storytelling ético
  • Nichar público-alvo e formular proposta de valor específica: “seu serviço é pra todo mundo, mas nem todo mundo é para seu serviço”
  • Personificar marca pessoal e humanizar marketing, priorizando vínculo emocional com o tutor sem abrir mão da técnica
  • Utilizar Instagram, Facebook, WhatsApp Business, Google Meu Negócio, YouTube/TikTok e SAC digital com estratégia intencional
  • Criar conteúdo educativo em linguagem acessível ao leigo, respeitando sigilo profissional e sem expor paciente/tutor
  • Medir alcance, engajamento, conversão de agendamento e retenção de cliente com métricas orientadas a resultado
  • Segmentar cliente ideal (ICP) por tipo de pet, renda, demografia, comportamento e experiências buscadas
  • Liderar equipe com comunicação assertiva, gestão de conflitos, feedback construtivo, delegação e cultura organizacional intencional
  • Implementar protocolos e padrões de atendimento, comunicação de reclamações, óbito e retirada sem alta
  • Reconhecer que cultura interna vira experiência do cliente — marketing e gestão de pessoas são vasos comunicantes
  • Investir em treinamento continuado técnico e comportamental da equipe como estratégia de retenção de talentos
  • Não competir por preço — construir autoridade, símbolos e histórias que aproximem o tutor da marca profissional

Informações Gerais do Curso

Pós-graduação lato sensu • Modalidade EAD
📚 Carga horária total 500 horas
📅 Duração 30 meses
🎬 Módulos online 20 módulos com aulas gravadas + masterclasses ao vivo por módulo
📝 TCC Módulo de Metodologia Científica para orientar e desenvolver seu Trabalho de Conclusão
🎓 Certificação Pós-graduação lato sensu regulamentada pelo MEC
💻 Como acessar Pelo Ambiente Virtual Equalis — estude de onde estiver
✅ Requisitos Graduação em Medicina Veterinária + computador com internet estável
🚀 Início 01/08/2026
🏁 Término previsto 01/02/2029
D.Sc. Ronaldo Lucas

Prof. Dr. Ronaldo Lucas

Referência em Dermatologia Veterinária no Brasil

O Prof. Dr. Ronaldo Lucas é uma das maiores referências em dermatologia veterinária do Brasil. Médico-veterinário formado pela USP (1991), com mestrado (1999) e doutorado (2004) pela mesma instituição, é coautor do Tratado de Medicina Externa – Dermatologia Veterinária, a principal obra da especialidade no país. Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV) e responsável técnico da Dermatoclínica, reúne produção científica, atuação clínica de ponta e mais de três décadas de ensino.

USP · 1991 / 1999 / 2004 Ex-presidente da SBDV Coautor do Tratado de Medicina Externa Dermatoclínica

Trajetória

Formado em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo em 1991, concluiu mestrado (1999) e doutorado (2004) na USP, construindo uma sólida base acadêmica em dermatologia veterinária. Ao longo da carreira, lecionou em seis universidades paulistas e hoje coordena os cursos de Especialização em Dermatologia Veterinária da Equalis, formando novas gerações de especialistas.

Autor de obra de referência

Tratado de Medicina Externa – Dermatologia Veterinária Coautoria com o Prof. Carlos Eduardo Larsson. Considerado o principal tratado brasileiro da especialidade, reúne dezenas de autores de universidades de todo o país e se tornou leitura obrigatória para estudantes e profissionais da área.

Atuação clínica e científica

É responsável técnico da Dermatoclínica, fundada em 2004 e pioneira no atendimento especializado em dermatologia veterinária no Brasil, referência em casos dermatológicos e otológicos complexos. Atua ainda como consultor da Virbac do Brasil.

Terapêutica dermatológica Criocirurgia Alergologia Otologia

Reconhecimento na especialidade

Currículo Lattes →

Perguntas frequentes

Quem é o Prof. Ronaldo Lucas?

Médico-veterinário formado pela USP, ex-presidente da SBDV e coautor do Tratado de Medicina Externa – Dermatologia Veterinária. Atua como professor, consultor e clínico, sendo referência nacional na especialidade.

Onde o Prof. Ronaldo Lucas dá aulas?

Coordena os cursos de Especialização em Dermatologia Veterinária da Equalis e lecionou em seis universidades paulistas.

Qual a formação do Prof. Ronaldo Lucas?

Graduação (1991), mestrado (1999) e doutorado (2004) em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo (USP).

Quais áreas o Prof. Ronaldo Lucas domina?

Terapêutica dermatológica, criocirurgia, alergologia e otologia veterinária.

Produção científica selecionada

Destaque internacional: DE SOUZA, C. P.; LUCAS, R.; RAMADINHA, R. H.; PIRES, T. B. Cryosurgery in association with itraconazole for the treatment of feline sporotrichosis. Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 18, p. 137-143, 2016. Ver no periódico →

Artigos em periódicos

  1. LUCAS, R. et al. Estudo retrospectivo de identificação de bactérias isoladas em otites de cães e seu perfil de susceptibilidade (Rio de Janeiro e São Paulo). Med Vet Dermatologia, v. 2, p. 100-104, 2012.
  2. LUCAS, R. et al. Avaliação do perfil de sensibilização ao teste de intradermorreação de cães com dermatite atópica na cidade de São Paulo: 16 casos. Med Vet Dermatologia, v. 2, p. 20-23, 2012.
  3. LUCAS, R.; LARSSON, C. E. O uso da criocirurgia na dermatologia veterinária. Clínica Veterinária (São Paulo), v. 39, p. 74-84, 2007.
  4. LUCAS, R. et al. Avaliação da efetividade do uso da ciclosporina na terapia de cães atópicos. Clínica Veterinária (São Paulo), v. 69, p. 68-72, 2007.
  5. LUCAS, R.; LARSSON, C. E. Crioterapia na clínica veterinária: avaliação da praticabilidade e efetividade em carcinoma espinocelular de felinos. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, v. 43, p. 33-42, 2006.
  6. LUCAS, R.; LARSSON, C. E. Crioterapia na clínica veterinária: avaliação da praticidade, exequibilidade e efetividade em dermatopatias de caninos. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 77, n. 3, p. 291-299, 2002.
  7. LARSSON, C. E.; LUCAS, R.; GERMANO, P. M. L. Dermatofitoses de cães e gatos em São Paulo: aspectos de sazonalidade. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 72, n. 2, p. 139-142, 1997.
  8. ISHIKAWA, M. M.; LUCAS, R.; LARSSON, C. E. et al. Isolamento e identificação da microbiota fúngica e de dermatófitos da pele de equinos. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, v. 33, p. 170-175, 1996.

Capítulos de livro

  1. LUCAS, R. Semiologia da pele. In: FEITOSA, F. L. F. (Org.). Semiologia Veterinária – a arte do diagnóstico. São Paulo: Roca, 2004, p. 641-676.
  2. LUCAS, R.; GIUFFRIDA, L. A. Semiologia do sistema auditivo. In: FEITOSA, F. L. F. (Org.). Semiologia Veterinária – a arte do diagnóstico. São Paulo: Roca, 2004, p. 677-688.
  3. LUCAS, R. Diagnóstico diferencial do prurido. In: SOUZA, H. J. M. (Org.). Coletâneas em medicina e cirurgia felina. Rio de Janeiro: L. F. Livros, 2003, p. 115-138.

Tese e prêmio

  1. LUCAS, R. Monitorização e mensuração tomográfica de diferentes técnicas de crioterapia em pele de cães da raça Beagle. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, 2004.
  2. Prêmio Melhor Trabalho de Pós-Graduação (2º lugar), XVI Semana Científica Prof. Dr. Benjamim Eurico Malucelli – FMVZ/USP, 2004.

Cursos do professor na Equalis

M.Sc. Romeika Reis

A professora Romeika Reis é médica-veterinária graduada pela UFERSA (2001) e mestre em Medicina Veterinária pela UFRRJ (2003), com atuação focada em Clínica Médica de Pequenos Animais e Dermatologia Veterinária. Possui especialização em Clínica Médica de Felinos, ampliando sua atuação em medicina interna e dermatologia. Na Equalis, é professora e coordenadora adjunta da pós-graduação em Dermatologia Veterinária. Com sólida experiência clínica, dedica-se ao atendimento especializado e à formação de profissionais que buscam segurança e atualização na rotina de pequenos animais.

Dra. Márcia Jericó

A professora Márcia Jericó é médica-veterinária formada pela USP, onde também concluiu o Mestrado em Fisiologia Humana e o Doutorado em Medicina Veterinária e Zootecnia, consolidando uma formação acadêmica de excelência. Especialista em Endocrinologia Veterinária, atua com foco em obesidade, síndrome metabólica, endocrinopatias e determinações hormonais em cães e gatos, sendo reconhecida pela precisão diagnóstica e pela abordagem totalmente baseada em ciência. É sócia fundadora da ABEV, onde também foi presidente por dois mandatos e integra a Comissão Científica, contribuindo ativamente para o crescimento e fortalecimento da endocrinologia veterinária no Brasil. Com ampla experiência clínica e acadêmica, tornou-se uma das principais referências na área. Na Equalis Veterinária, a professora Márcia Jericó atua como coordenadora da Pós-Graduação em Endocrinologia Veterinária, desempenhando papel fundamental na construção de um programa inovador, científico e voltado à prática clínica, formando profissionais mais seguros, atualizados e preparados para os desafios da endocrinologia de pequenos animais.

Dra. Denise Tabacchi Fantoni

Formação e Atuação Profissional

  • Graduada pela USP (FMVZ)
  • Mestre em Patologia Experimental e Comparada (USP)
  • Doutora em Cirurgia com ênfase em Clínica Cirúrgica Veterinária (USP)
  • Professora Titular do Departamento de Cirurgia – FMVZ/USP
  • Atuação destacada em anestesiologia animal, dor e hemodinâmica
  • Palestrante convidada

Publicações e Obras de Referência:

  • Manual de Anestesia Veterinária: Procedimentos e Condutas (2024)
  • Ventilação Mecânica em Medicina Veterinária (2023)
  • Anestesia em Cães e Gatos (2002)
  • Anestesia em Aves (2021)
  • Tratamento da Dor na Clínica de Pequenos Animais (2011)

Contribuição Técnica na Formação

Integra a fisiopatologia anestésica ao raciocínio clínico aplicado, capacitando o médico veterinário para decisões seguras em analgesia, monitorização hemodinâmica e manejo anestésico em diferentes cenários cirúrgicos e dermatológicos.

Temas na formação

  • Segurança terapêutica e protocolos em pacientes críticos
  • Dor e analgesia na rotina clínica
  • Choque e perfusão: interpretação e conduta
  • Hemodinâmica aplicada à decisão clínica
M.Sc. Raquel Calixto

Com ampla experiência em Clínica Médica de Pequenos Animais e atuação destacada em Medicina Felina, a professora Raquel Calixto é reconhecida por sua dedicação ao ensino e à prática clínica voltada ao bem-estar e comportamento dos gatos. Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense (2000), concluiu o Mestrado em Clínica Médica pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2005), com foco no aprimoramento diagnóstico e terapêutico em felinos. Atua há mais de duas décadas na área de Medicina Felina, com especial interesse em comportamento e doenças específicas de gatos, unindo conhecimento científico e sensibilidade clínica no cuidado desses pacientes. É professora de pós-graduação do Instituto Qualittas, onde contribui para a formação de profissionais em todo o país, compartilhando sua vivência prática e seu olhar ético sobre o manejo felino. Na Equalis Veterinária, a professora Raquel Calixto leva sua experiência e paixão pela Medicina Felina para as salas de aula, inspirando médicas e médicos veterinários a compreenderem os gatos de forma integral — com empatia, técnica e precisão científica.

M.Sc. Marianne Lamberts

Com uma carreira dedicada à Medicina Veterinária e ao ensino, a professora Marianne Lamberts é referência em Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais no Brasil. Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 1985, iniciou sua trajetória profissional no Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde realizou residência em clínica e cirurgia de pequenos animais e, em seguida, integrou o corpo docente. Atuou nas áreas de ortopedia e cirurgia, lecionando nas disciplinas de técnica e patologia cirúrgica e contribuindo por décadas com a formação de novos veterinários. Em 1996 concluiu a especialização em Ciências Veterinárias pela UFRGS e, em 2013, o Mestrado em Medicina Animal: Equinos, consolidando sua trajetória acadêmica. Além da docência, sempre esteve envolvida em projetos multidisciplinares voltados ao bem-estar animal, atuando como consultora e anestesista em pesquisas científicas. Desde 1992, realiza cirurgias em clínicas veterinárias particulares, mantendo uma atuação clínica ativa e atualizada. De 2003 a 2017, foi coordenadora do curso de especialização lato sensu em Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais da Equalis Veterinária no Rio Grande do Sul, além de ministrar aulas em diversos estados brasileiros, especialmente na área de Clínica dos Ossos e Articulações de Pequenos Animais. Atualmente, exerce a função de Secretária-Geral do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul (CRMV-RS), reafirmando seu compromisso com o avanço da profissão e a ética no exercício veterinário. Na Equalis Veterinária, a professora Marianne Lamberts compartilha sua experiência e paixão pelo ensino, formando profissionais que aliam técnica, sensibilidade e respeito aos animais.

M.Sc. Claudia Brito

Mestre em Medicina Veterinária, com ênfase em Reprodução Animal pela Universidade de São Paulo (USP), a professora Cláudia Brito reúne mais de duas décadas de experiência na Clínica e Patologia da Reprodução, Obstetrícia e Neonatologia de Pequenos Animais. Graduada em Medicina Veterinária pela USP (1995), desenvolveu uma carreira marcada pela dedicação ao ensino e à prática clínica. Atuou como Coordenadora Clínica do Hospital Veterinário da Universidade Santo Amaro (UNISA) entre 2009 e 2018, além de ter coordenado o Programa de Aprimoramento em Medicina Veterinária (2013–2018). Durante sua trajetória na UNISA, ministrou disciplinas essenciais para a formação clínica, como Patologia e Clínica da Reprodução Animal, Obstetrícia Animal, Biotecnologia da Reprodução e Práticas Hospitalares, formando centenas de profissionais que hoje atuam em todo o país. Atualmente, é professora de pós-graduação em instituições de ensino e mantém atuação clínica com foco em Oncologia e Patologia da Reprodução de Pequenos Animais, áreas nas quais alia conhecimento científico, experiência cirúrgica e olhar sensível sobre o bem-estar reprodutivo. Na Equalis Veterinária, a professora Cláudia Brito compartilha sua vivência com entusiasmo e rigor técnico, ajudando médicas e médicos veterinários a compreenderem as nuances da reprodução e da clínica reprodutiva, com foco em diagnósticos assertivos e condutas éticas e eficazes.

M.Sc. Emílio Leite

O professor Emílio Leite é médico-veterinário graduado pela UFCG, onde também concluiu o mestrado em Ciência e Saúde Animal, com ênfase em Neurologia Clínica e Neurocirurgia de pequenos animais. Durante sua formação, atuou em projetos de pesquisa em neuroanatomia e realizou estágios em centros de referência em neurologia e neuroimagem. Possui aperfeiçoamento em Neurologia Veterinária pela Medvep, é membro da ABNV e participou de treinamento com o Dr. Ronaldo Casimiro da Costa. Atua como responsável pelo serviço de neurologia do Hospital Veterinário Natal Pet Center e atende em diversas clínicas e hospitais especializados. É também autor de capítulos de livros na área de neurologia veterinária.

M.Sc. Charles Lima

O professor Charles Lima é médico-veterinário formado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), onde recebeu Mérito Acadêmico como primeiro colocado do curso. Realizou residência em Clínica Médica de Animais de Companhia no Hospital de Clínicas Veterinárias da UFPel, com estágio em Nefrologia Veterinária no Rio de Janeiro, e concluiu mestrado em Ciência Animal pela UNIFRAN, com ênfase em Nefrologia e Urologia Veterinárias. Participa ativamente de congressos e publicações científicas na área. Possui experiência em clínica de pequenos animais, geriatria, comportamento felino e atividades assistidas por animais. Atualmente é sócio-proprietário da Clínica Império Para Gatos, centro especializado em atendimento exclusivo para felinos no sul do Brasil.

M.Sc. Camila Ferreiro

A professora Camila Ferreiro é médica-veterinária formada pelo Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal (CREUPI), com especialização e aprimoramento em Clínica Médica de Pequenos Animais pela UNISA. É mestre pelo Departamento de Clínica Médica da FMVZ-USP, consolidando sua formação acadêmica na área clínica. Atua como docente do curso de Medicina Veterinária da FMU, ministrando disciplinas como Clínica Médica, Patologia Médica, Semiologia Veterinária e Laboratório Clínico. Também realiza atendimento especializado em Medicina Felina, área na qual concentra grande parte de sua atuação clínica. Sua trajetória une ensino, prática clínica e dedicação ao cuidado de cães e gatos.

Esp. Danyel Segundo

O professor Danyel Segundo é médico-veterinário graduado pela UFERSA (2007) e possui Especialização em Odontologia Veterinária pela ANCLIVEPA-SP/Universidade Anhembi Morumbi. Atua exclusivamente na área de Odontologia Veterinária, dedicando-se ao diagnóstico, tratamento e prevenção das principais afecções odontológicas em pequenos animais. Com experiência prática e foco clínico, contribui para elevar o padrão do atendimento odontológico veterinário. Na Equalis, compartilha conhecimento aplicado e atualizado, formando profissionais mais seguros na área de odontologia animal.

D.Sc. Rochana Fett

A professora Rochana Fett é médica-veterinária graduada pela UFRGS, com mestrado e doutorado em Ciências Veterinárias pela mesma instituição. Especializou-se em Clínica Médica de Felinos, realizando aperfeiçoamento pela Equalis e pós-graduação pelo Qualittas, além de formação em Geriatria e Paliativismo. Desde 2007, dedica-se exclusivamente ao atendimento de gatos, tornando-se referência na medicina felina. É sócia fundadora da Chatterie Hospital Felino e do DNA Laboratório, ambos focados exclusivamente em felinos. Atua como professora de pós-graduação e palestrante, contribuindo para a formação de profissionais especializados em felinos.

Dr. Marlos Sousa

O professor Marlos Sousa é médico-veterinário graduado pela UFT, com residência, mestrado e doutorado em Clínica Médica pela UNESP–Jaboticabal. É professor associado da Universidade Federal do Paraná, atuando na graduação e pós-graduação em Ciências Veterinárias, e foi professor visitante da Università degli Studi di Padova, na Itália. Atual vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia Veterinária (2023–2026), possui experiência destacada em cardiologia comparada e medicina interna de pequenos animais. Sua trajetória une pesquisa, docência e prática clínica, contribuindo para o avanço da cardiologia veterinária no Brasil.

D.Sc. Ludmila Moroz

A professora Ludmila Moroz é médica-veterinária graduada pela Universidade Estadual de Londrina, com Residência em Patologia Animal, além de mestrado e doutorado pela FMVZ-USP, com foco em hemostasia e medicina transfusional. É especialista em Hematologia pela UFAPE Intercursos e autora de capítulos nos livros Medicina Interna de Cães e Gatos e Emergências em Medicina Felina. Desde 2014, atua no Laboratório de Análises Clínicas do Hospital Veterinário da UFBA, contribuindo para o diagnóstico e apoio clínico. Com sólida formação e experiência prática, destaca-se no ensino e na hematologia aplicada à Medicina Veterinária.

D.Sc. Amanda Anater

Doutora em Saúde, Tecnologia e Produção Animal Integrada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), a professora Amanda Anater reúne sólida formação acadêmica e experiência prática nas áreas de biotecnologia, nutrição e toxicologia animal, além de um olhar inovador voltado à pesquisa e à gestão do ensino veterinário. Graduada em Medicina Veterinária pela PUCPR (2009–2013), concluiu o Mestrado em Ciência Animal (2014–2016) e o Doutorado em Saúde, Tecnologia e Produção Animal Integrada (2016–2020) pela mesma instituição, onde desenvolveu projetos voltados à pesquisa e desenvolvimento de fármacos e soluções biotecnológicas aplicadas à Medicina Veterinária. Atualmente, é responsável técnica da Pós-Graduação Equalis – Ensino e Qualificação Superior, contribuindo diretamente para a excelência acadêmica e o desenvolvimento dos programas de especialização e atualização da instituição. Com uma trajetória que une pesquisa, inovação e compromisso com a qualidade educacional, a professora Amanda Anater representa o espírito da Equalis Veterinária: unir ciência e prática clínica para formar profissionais cada vez mais preparados e confiantes para os desafios da Medicina Veterinária moderna.

D.Sc. Mariana Porsani

A professora Mariana Porsani é referência nacional em Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos, unindo formação acadêmica sólida e experiência clínica. Graduada pela UNIFENAS, possui residência em Clínica Médica, Mestrado pela UFLA e Doutorado em Ciências pela FMVZ/USP, com ênfase em nutrologia. É sócia-fundadora da NutricareVet, atuando como nutróloga em clínicas e hospitais de São Paulo. Na docência, destaca-se como professora da Equalis e coordenadora da pós-graduação da ANCLIVEPA-SP. Na Equalis, compartilha conhecimento técnico e aplicado, formando profissionais mais seguros e preparados para decisões nutricionais na rotina clínica.

M.Sc. Patrícia Flôr

A professora Patrícia Flôr é médica-veterinária formada pela USP, com mestrado em Clínica Cirúrgica Veterinária e aperfeiçoamento em ensino pela mesma instituição. Possui pós-graduação em Avaliação e Tratamento Interdisciplinar da Dor (Hospital das Clínicas/USP) e em Anestesia Regional (Instituto Ranvier). Atuou como anestesista em instituições renomadas, como o Hospital Veterinário Sena Madureira e a FESB, além de lecionar em cursos de graduação e pós-graduação. Atualmente, integra o Serviço de Anestesia e o Ambulatório de Dor e Cuidados Paliativos do Hospital Veterinário da USP, atuando em anestesiologia, controle da dor, cuidados paliativos e anestesia regional. Sua experiência clínica e acadêmica consolida sua referência nessas áreas.

Esp. Ligia Ziegler

A professora Lígia Ziegler é médica-veterinária formada pela USP (2007) e atua há mais de 10 anos exclusivamente na Medicina Intensiva Veterinária. É coordenadora das internações e da UTI do Hospital 4Cats, em São Paulo, com forte atuação em casos críticos, sepse, ventilação mecânica e emergências. Possui especializações em Medicina de Urgência e Cuidados Intensivos (UNIP), Medicina da Dor (Hospital Albert Einstein) e Projetos Sociais e Políticas Públicas (SENAC). Sua experiência clínica e visão multidisciplinar fortalecem sua atuação no cuidado intensivo e na formação de profissionais preparados para a rotina de terapia intensiva em felinos e pequenos animais.

Investimento

Valores, condições de pagamento e políticas financeiras

Taxa de inscrição: R$ 250,00
Parcelamento: 24x de R$ 836,00* ou 30x de R$ 752,40*
Forma de pagamento: boleto bancário.

 

*O valor é válido para pagamentos realizados até o vencimento. Após essa data, o desconto de 5% deixa de ser aplicado e incidem juros. A taxa de inscrição não é reembolsável em caso de desistência. O parcelamento depende de aprovação de crédito. As mensalidades serão reajustadas anualmente pelo IPCA. A proposta pode ser revisada até o início do curso.

(34 avaliações de clientes)

34 avaliações para Pós Graduação Veterinária em Clínica Médica de Felinos Online

  1. Adriana Soares

    Um curso de extrema clareza de conhecimentos e aproveitamento de
    conteúdo. Professores qualificados e envolvidos em cada técnica ensinada.
    Grata por todo aprendizado adquirido!!

  2. Nilceneia Espaki

    Um curso de excelência tanto na qualidade dos professores quanto na
    qualidade de local e materiais disponíveis.

  3. Ana Laura Silva Fabrício

    O curso foi ótimo, todos os professores foram muito atenciosos e as aulas
    práticas foram sensacionais! Estrutura e equipamentos de ponta.

  4. natashapadoveis

    Essa pós-graduação era um grande sonho meu, estou muito satisfeito com as aulas
    teóricas e práticas.
    As aulas práticas são perfeitas, tem material para todos os alunos. Professores,
    coordenadores e monitores muito atenciosos e proativos.
    Estou triste por ter acabado.

  5. Marcella Bassetto Palma

    Foi tudo maravilhoso as aulas teóricas, práticas e conteúdo atualizações e a
    recepção com os alunos. Com certeza farei outros cursos com a Equalis.
    Parabéns para todos, foi sensacional!

  6. Isabelle Taiatele Lustoza

    A pós-graduação da Equalis é muito completa e com materiais de ótima qualidade.
    Eu pude conhecer pessoas incríveis, muitos profissionais qualificados e adquirir
    muito conhecimento, fazendo com que eu ganhasse mais confiança e técnica na
    rotina de atendimentos.

  7. Lívia Belchior Ometto

    Gostei muito do curso, aulas com profissionais que eu já acompanhava e que me
    inspiram.
    Em relação aos módulos, as aulas estavam bem didáticas, mas acho que poderia
    trocar alguns temas menos utilizados em rotina clínica.
    A respeito das aulas presenciais acho muito interessante e importante esse
    espaço, além de conhecermos outros profissionais / colegas de profissão,
    conseguimos realizar alguns procedimentos para treinar e aprender diretamente
    com os melhores.
    Todos os funcionários e organizadores são muitos prestativos e educados!!
    Brindes maravilhosos, nos sentimos especiais com o livro e o jaleco em especial.

  8. Tatiana Ariki

    Profissionais qualificados, comprometidos e muito atenciosos!!! Equalis
    sempre pensando no bem estar e aprendizado do aluno.
    Super recomendo!

  9. cristiana barbosa

    O curso é de grande importância na vida da clínica, pois agrega valores a
    consulta e qualificação no manejo sem valor na atualização.

  10. M. Sc. Romeika Karla dos Reis Lima

    Como é maravilhoso estudar! E junto dos melhores! Assim fica encantador,
    ouvir e assistir a experiencia e os ensinamentos dos melhores professores de
    medicina felina tudo mais fácil. Eu sou só gratidão!
    Cada dia tenho a certeza que estudei na melhor pós graduação de medicina
    felina. Vivi as melhores práticas, numa estrutura e com uma organização de
    brilhar os olhos. Obrigada pela dedicação de todos vocês com o ensino e para
    o crescimento da medicina veterinária Brasileira. Parabéns a todos!

  11. Karine Matos de Quadros Araújo

    Mais uma vez agradeço pelo excelente curso. Pela terceira vez estou na Equalis
    para pós-graduação e mais uma vez superintendida pelo conteúdo oferecido,
    organização e recuperação. Impecável! Muito Obrigada.

  12. Guilherme Silas Fortuna

    O curso me surpreendeu, espaço virtual acessível, clara, organizado, sempre
    notificadas de tudo.
    As aulas práticas são enriquecedoras em diferentes aspectos, acesso
    aos professores livremente.

  13. Mariana de Paula Alvarenga

    Só tenho à agradecer por todo conhecimento compartilhado. A Equalis e toda
    a equipe sem exceções, estão de parabéns. Aqui dentro somos tratados todos
    igual para igual, com total acesso aos professores para dúvidas e discussões de
    casos. Com certeza é uma pós-graduação de recomendo os olhos fechados.
    Obrigada Romeika, Giovanna e todos envolvidos.

  14. Camile Scarpari Simões

    Pós-graduação simplesmente maravilhoso em todos os aspectos.
    Módulos bem feitos, fóruns com boas interações, professores sempre
    acessíveis.
    Não tenho como agradecer aos ensinamentos e carinho!
    Recomendo os olhos fechados!

  15. Caren Caren Tássia Barth

    Através da Equalis pude expandir meus conhecimentos, me tornaram
    especialista na área que eu amo e fazer o melhor para o meu paciente. Hoje
    sou uma veterinária mais segura. Com respostas positivas dos tutores com a
    saúde do paciente.
    Buscar a excelência foi o principal conhecimento que a Equalis me ensinou.

  16. Vanessa Padredi fernandes

    Curso muito bom, com alta qualidade, professores com domínio do assunto,
    disponibilizando o melhor material, com apoio ao aluno. Aulas práticas muito
    boas, com exposição de cada técnica e ensinamento com excelência.

  17. Marina De Aguiar Barcelos

    O curso como um todo, foi uma grata surpresa, desde as aulas online, com
    todo suporte, fóruns com os professores. O curso é maravilhoso.

  18. Thelma Mangano Bardella

    Foi simplesmente incrível!!!
    Aprendi muitas coisas novas e novos conceitos de como ser cat friendly.
    Fiquei realmente triste por ter acabado. Gostaria de agradecer a todos os
    professores pela paciência e pelos ensinamentos.

  19. Jaqueline Wisnieski Heck

    O curso foi muito esclarecido, forneceu uma base muito sólida para o
    atendimento a felinos. Acontece atualização de termos, que dificilmente
    obteremos de outras maneiras.

  20. LUIZ ROBERTO SANTOS AOKI

    Foi surpreendente para mim a qualidade desta pós. Cada módulo acrescentando
    muito para a vida profissionais com professores excelentes onde senti a melhora
    dos meus atendimentos a cada semana.
    A clínica de Felinos vem crescente e evoluindo muito rapidamente e esta pós
    possibilitou acompanharmos e aplicarmos tudo em nosso dia a dia.
    Gostei muito.
    Valeu cada esforço, cada centavo.
    Quando procurei por Pós em Felinos haviam muitas opções mais baratas mas a
    equipe de professores me fez escolher a Equalis. E foi o diferencial.
    Agradeço a dedicação de toda equipe Equalis que permitiu mais uma oportunidade
    de realização profissional.

  21. BARBARA BENEVIDES NIGRO

    Fiquei muito satisfeita com todas as aulas, organização, professores, funcionários,
    tudo sempre impecável.

  22. Ana Paula Moreno

    Curso completo, com excelentes professores, atualizado e muito dinâmico.
    A estrutura da Equalis para realização das práticas e impecável, além de muito
    acolhedores.

  23. Denilce Nicola

    Gostei muito, inclusive do modelo por ser híbrido e nos dar a oportunidade de
    estudar em casa e fazer as práticas com supervisão presencial, além da
    oportunidade de conhecer a todos pessoalmente e trocar experiencias.
    O curso foi sensacional. O curso foi sensacional faria outro no mesmo modelo com
    certeza.
    OBS: Aguardando a abertura da pós em Clínica Cirúrgica no mesmo modelo!

  24. Nilmara Borges de Sousa

    Tive uma ótima experiencia com a pós-graduação da Equalis, além do conteúdo
    técnico da alta qualidade, a energia e dedicação da equipe me fez sentir muito
    motivação e acolhida. A organização do curso proporcionou um ótimo
    aproveitamento do tempo que ele durou.

  25. Thaís Fontes de Castro Lopes

    Tive uma ótima experiência em todos os aspectos fazendo a pós-graduação. A
    forma híbrida permite voltar as aulas quantas vezes foram necessárias para um
    aproveitamento maior das aulas.
    Além disso, a estrutura das aulas práticas, experiencia e tratamento acolhedor dos
    professores e demais profissionais envolvidos tornaram a experiência muito
    enriquecedora.

  26. Alessandra Teixeira De

    O corpo docente e toda equipe da Equalis foram fantásticas ao longo do curso. E
    foi notável a preocupação em excelência na escolha do conteúdo e material
    apresentado ao longo do curso.
    Enriquecer muito meus conhecimentos na medicina felina e me deixaram ainda
    mais apaixonada pela especialidade.

  27. Bianca Meneghini Menezes

    O curso de pós-graduação de Medicina Felina da Equalis me proporcionou evoluir
    meu conhecimento teórico e prático. Os professores são extremamente
    atualizados em cada área sempre trazendo para as aulas novos conhecimentos. As
    aulas práticas nos permitem aperfeiçoar todas as técnicas ensinadas.

  28. Adriana

    A pós-graduação em felinos de Equalis foi uma grata surpresa, ingressei com
    medo do ensino híbrido mas foi uma experiencia única, uma imersão de
    conhecimentos e e um novo mundo que se abriu. Tive a oportunidade de criar novos
    amigos, ter contato com os melhores professores da área e principalmente aprimorar
    os conhecimentos. Hoje me sinto mais preparada para atuar na minha clínica
    veterinária. Gostaria de agradecer em especial a Romeika e a Giovana por todo carinho
    em ensinar e dividir seus conhecimentos. Se alguém estiver pensando se vale a pena
    fazer, faça!!

  29. Lilian Cristina Loch Zorzo

    Fazer a pós- graduação da Equalis fortaleceu ainda mais a minha formação,
    possibilitando o atendimento aos felinos de forma muito mais humanizada e
    qualificada.

  30. Bruna Benk Alves de Oliveira

    Primeira pós-graduação, estou muito satisfeito e realizado. Atendimento simpático
    e rápido. Presentes maravilhosos. Ótima seleção de professores, grade de aulas.
    Estrutura das aulas práticas completa e cuidadosas. Indico sempre e ansiosa pelos
    próximos cursos.

  31. Selma

    Excelente escolha de professores, material de aulas excelente, bem elaborado e
    organizado.

  32. Gabriel Bento Ferreira

    Professores capacitados ótimas práticas e valor muito bom em relação aos
    concorrentes 100% valido, formando um ótimo grupo de cirurgiões de médica
    felina

  33. Beatriz Gamba Manzotti

    A pós graduação de clinica médica de felinos foi a minha primeira pós graduação e
    eu não poderia ter escolhido melhor, instituição.
    Professores e funcionários dedicados, atenciosos e sempre prontos para nos
    atender da melhor forma.
    A estrutura das aulas práticas com os melhores materiais. As aulas on-lines junto
    com fóruns de dúvidas e materiais didáticos excepcionais.
    E por último e não menos importante os amigos e colegas de profissão que eu fiz,
    onde trocaremos experiências para o resto da vida.

  34. Jaqueline dos Santos Lima

    Um curso de ótima qualidade, com estrutura física adequada para os módulos
    práticos, professores excelentes com domínio dos conteúdos administrado.

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Qual é a duração, carga horária e formato do curso de Clínica Médica de Felinos?

A Pós-Graduação em Clínica Médica de Felinos tem duração de 30 meses e carga horária total de 500 horas, distribuídas em 20 módulos que cobrem todas as especialidades da medicina felina — de Etologia e Cat Friendly Practice até Oncologia, Neurologia e Intensivismo. O formato é 100% online, com videoaulas gravadas em alta definição, fóruns permanentes de discussão e masterclasses ao vivo com os 19 professores do corpo docente.

As aulas são gravadas ou ao vivo? Como funciona o acesso à plataforma?

As aulas são gravadas em padrão profissional de TV e ficam disponíveis por todo o período do curso (30 meses) na plataforma Equalis, permitindo que você estude no seu próprio ritmo. Além das videoaulas, a formação inclui masterclasses ao vivo, fóruns permanentes de discussão de casos clínicos e interação direta com professores especialistas em medicina felina. Você pode assistir de qualquer lugar, a qualquer hora — ideal para quem trabalha na clínica durante o dia.

Como funcionam as avaliações e o TCC da pós-graduação?

As avaliações são realizadas por meio de provas objetivas ao final de cada módulo, com média mínima de 7,0 para aprovação, além de 75% de frequência nas atividades. Para a conclusão, o aluno deve entregar um TCC no formato de artigo científico, revisão bibliográfica ou relato de caso, orientado por um professor do corpo docente. Todo o processo é online.

O curso possui registro no MEC?

Sim. A Pós-Graduação em Clínica Médica de Felinos é um curso lato sensu com certificação reconhecida pelo MEC, válida em todo o território nacional. Ao concluir os 20 módulos e o TCC, você recebe o certificado de pós-graduação em Clínica Médica de Felinos, um diferencial competitivo para atuar em clínicas, hospitais veterinários e atendimentos especializados.

Qual certificado recebo ao concluir? Qual o diferencial no mercado?

Ao concluir, você recebe o certificado de Pós-Graduação Lato Sensu em Clínica Médica de Felinos, reconhecido pelo MEC. Com a crescente demanda por atendimento exclusivo a gatos — o Brasil é o segundo maior país em população felina do mundo —, essa qualificação é um diferencial competitivo real para clínicas, hospitais veterinários e atendimento Cat Friendly. O corpo docente de 19 professores (9 doutores) agrega ainda mais valor à formação.

Quais são os módulos da pós-graduação em Medicina Felina? O que vou aprender?

A formação conta com 20 módulos completos: Etologia e Cat Friendly Practice, Hematologia, Gastroenterologia, Nefrologia e Urologia, Odontologia, Geriatria, Doenças Infecciosas, Doenças Respiratórias, Oftalmologia, Endocrinologia, Nutrição, Cardiologia, Neurologia, Reprodução e Neonatologia, Diagnóstico por Imagem, Dermatologia, Oncologia, Intensivismo, Ortopedia Clínica, Farmacologia, Manipulação Veterinária, Toxicologia, Anestesia e Analgesia, Direito Veterinário e Gestão e Marketing. É o programa mais abrangente do mercado.

Quem são os professores? Qual o nível do corpo docente?

O corpo docente reúne 19 professores especializados em medicina felina: 9 doutores(as), 8 mestres e 2 especialistas, vindos de instituições como UFMG, USP, UFRGS, UFF e UFERSA. Todos com atuação clínica real e experiência acadêmica consolidada. Nenhuma outra pós-graduação em Medicina Felina no Brasil reúne tantos especialistas em um único programa.

Qual a diferença entre Pós em Medicina Felina e Pós em Clínica de Pequenos Animais?

A Pós em Medicina Felina é especializada exclusivamente em gatos, com 20 módulos focados em particularidades felinas (Cat Friendly Practice, comportamento, hepatobiliar, urinário, infecto, oncologia felina). Já a Pós em Clínica Médica de Pequenos Animais abrange cães e gatos com foco generalista. Para quem quer atuar como referência em gatos, a Pós em Medicina Felina é a escolha — para clínica geral 50/50, a Pós em Pequenos Animais.

Por que medicina felina é uma especialidade separada da medicina veterinária geral?

Gatos não são cães pequenos. Têm metabolismo, anatomia, fisiologia e comportamento profundamente distintos: metabolizam diferentemente medicamentos, têm padrões de doenças únicos (CMH, doença renal crônica, doença do trato urinário inferior felino), comportam-se de forma a esconder dor e doença, e demandam manejo Cat Friendly específico. Por isso a medicina felina é hoje uma especialização reconhecida internacionalmente.

A pós ensina protocolo Cat Friendly Practice e manejo comportamental felino?

Sim. O programa começa com Etologia Felina e Cat Friendly Practice, abordando manejo do ambiente clínico para reduzir estresse do paciente felino, contenção respeitosa, leitura de linguagem corporal e comunicação com tutores. Esses fundamentos atravessam todos os módulos clínicos — diferencial da formação Cat Friendly que torna o veterinário referência para tutores de gatos.

Confiança Equalis

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