A otite é uma das queixas mais frequentes na clínica de cães e gatos — e uma das que mais recidivam quando a causa primária não é identificada. Tratar só a inflamação do conduto, sem investigar o que está por trás, é a receita para o problema voltar.
✓ Coceira e sacudir a cabeça
✓ Secreção e odor no ouvido
✓ Dor, eritema e edema do conduto
⚠ Inclinação de cabeça, nistagmo e ataxia sugerem otite média/interna
Otite externa, média e interna
A otite se classifica pela porção do ouvido acometida: externa (conduto auditivo), média (bula timpânica, atrás do tímpano) e interna (labirinto). A otite média costuma ser uma extensão de uma externa crônica não resolvida e pode passar despercebida; a interna acrescenta sinais vestibulares (inclinação de cabeça, nistagmo, ataxia).
O modelo de causas: PPSP
A abordagem moderna separa os fatores em quatro grupos — entendê-los é o que evita recidiva:
Primários
Iniciam a doença: alergias (atopia, alergia alimentar — causa nº 1 de otite recorrente), corpos estranhos, ácaros (Otodectes), doenças endócrinas e queratinização.
Predisponentes
Facilitam: conformação da orelha (pavilhão pendular, conduto estreito), umidade e excesso de pelos.
Perpetuantes
Mantêm o quadro: infecções secundárias por bactérias e Malassezia, e alterações crônicas do conduto (estenose, calcificação).
Diagnóstico
• Otoscopia — avalia conduto e integridade do tímpano.
• Citologia do cerume — exame indispensável: diferencia Malassezia, cocos e bastonetes, guiando a terapia.
• Cultura nos casos refratários ou com bastonetes.
• Imagem (TC) para suspeita de otite média/interna.
Tratamento
O tratamento eficaz tem dois eixos: controlar a infecção atual (limpeza do conduto + medicação tópica guiada pela citologia, com terapia sistêmica nos casos médios/graves) e, sobretudo, identificar e manejar a causa primária. Sem tratar a alergia subjacente, por exemplo, a otite volta. A limpeza adequada e a reavaliação com nova citologia são parte essencial do sucesso.
Perguntas frequentes
Quase sempre porque a causa primária (em geral alergia) não foi tratada. Sem controlá-la, a infecção secundária recidiva.
Suspeite quando há dor intensa, surdez ou sinais vestibulares (inclinação de cabeça, nistagmo, ataxia). Costuma exigir imagem para confirmar.
Não. A escolha depende da citologia (Malassezia x bactérias) e da integridade do tímpano. Medicação errada piora o quadro.
Não existe um “remédio único”: a escolha depende da citologia (Malassezia x bactérias) e da integridade do tímpano. Usar o produto errado piora a otite. Por isso o remédio para o ouvido do cachorro deve ser sempre prescrito pelo veterinário após o exame.
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