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Doença Renal Crônica em Gatos (DRC): sinais, diagnóstico e tratamento

A doença renal crônica (DRC) — antigamente chamada de insuficiência renal crônica — é uma das doenças mais prevalentes do gato idoso: estima-se que afete cerca de 1 em cada 3 gatos geriátricos. É progressiva e irreversível, mas com diagnóstico precoce e manejo adequado, o gato pode viver anos com boa qualidade de vida.

Quando suspeitar de DRC

Gato bebendo e urinando muito mais (poliúria/polidipsia)
Perda de peso e de massa muscular progressiva
Diminuição do apetite, vômito e mau hálito (urêmico)
Pelagem opaca e desidratação em gato idoso

O que é a doença renal crônica felina

A DRC é a perda gradual e irreversível da função renal ao longo de meses a anos. Conforme os néfrons se perdem, os rins deixam de concentrar a urina e de eliminar toxinas, levando ao acúmulo de produtos nitrogenados (azotemia), distúrbios de fósforo e cálcio, anemia e hipertensão. Por ser silenciosa no início, muitos gatos só são diagnosticados quando já perderam grande parte da função.

Estadiamento (IRIS)

O estadiamento da IRIS (International Renal Interest Society) é a base do manejo. Ele classifica a DRC em quatro estágios pela creatinina e pela SDMA, e subclassifica pela proteinúria (relação proteína/creatinina urinária) e pela pressão arterial. O estágio define a conduta e o prognóstico — por isso o diagnóstico precoce muda tudo.

Como diagnosticar

Creatinina e ureia — marcadores clássicos, mas se elevam tardiamente.
SDMA — detecta a perda de função mais cedo que a creatinina.
Urinálise com densidade urinária — a perda da capacidade de concentrar (densidade baixa) é sinal precoce.
Relação proteína/creatinina urinária (UPC) — quantifica a proteinúria, que piora o prognóstico.
Pressão arterial — a hipertensão é comum e lesa rim, olhos e coração.

Tratamento e manejo

Não há cura, mas há muito a fazer para retardar a progressão e dar qualidade de vida:

Dieta renal — restrição controlada de fósforo e proteína de alto valor biológico; é a intervenção com maior impacto na sobrevida.
Controle do fósforo — dieta e, quando necessário, quelantes.
Hidratação — estímulo à ingestão de água, alimentação úmida e, em casos avançados, fluidoterapia.
Controle da pressão arterial e da proteinúria — com fármacos específicos.
Manejo de sintomas — antieméticos, estimulantes de apetite e suporte para a anemia.

Prognóstico

O prognóstico depende do estágio ao diagnóstico, do grau de proteinúria e da resposta ao tratamento. Gatos diagnosticados cedo, com bom controle de fósforo e dieta renal, frequentemente vivem anos com qualidade. Por isso, exames de rotina (incluindo SDMA e urinálise) em gatos a partir dos 7 anos são tão valiosos.

Perguntas frequentes

Gato com doença renal tem cura?

A DRC não tem cura, mas tem controle. Com diagnóstico precoce, dieta renal e manejo, muitos gatos vivem anos com qualidade.

Por que a dieta renal é tão importante?

É a intervenção isolada com maior impacto na sobrevida — controla fósforo e proteína, reduzindo a sobrecarga sobre os rins.

A partir de que idade rastrear?

Idealmente a partir dos 7 anos, com creatinina, SDMA, urinálise e pressão arterial — para pegar a doença antes dos sinais.

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