O lúpus eritematoso é uma doença autoimune do cão que existe em duas formas bem diferentes: uma cutânea e localizada, de bom prognóstico, e outra sistêmica e grave. Reconhecer qual delas está em jogo muda completamente a conduta.
✓ Lúpus eritematoso discoide (LED): cutâneo, restrito principalmente ao focinho — benigno
✓ Lúpus eritematoso sistêmico (LES): multissistêmico — grave
Lúpus eritematoso discoide (LED)
É a forma cutânea mais comum e a mais branda. Acomete tipicamente o plano nasal e o focinho, com despigmentação (perda da cor preta), eritema, erosões, crostas e perda da arquitetura normal do nariz. Costuma piorar com a exposição ao sol. Não há acometimento sistêmico, e o prognóstico é bom.
Manejo do LED
Fotoproteção (evitar sol, protetor solar veterinário), imunomoduladores tópicos/sistêmicos conforme a gravidade e, em muitos casos, controle a longo prazo com a menor dose eficaz.
Lúpus eritematoso sistêmico (LES)
É a forma multissistêmica e potencialmente fatal. Caracteriza-se pela produção de autoanticorpos contra múltiplos tecidos, com manifestações variáveis: poliartrite (claudicação migratória), lesões cutâneas, anemia hemolítica e trombocitopenia imunomediadas, glomerulonefrite (proteinúria), febre e linfadenomegalia. Por imitar muitas doenças, é um desafio diagnóstico.
Diagnóstico
• LED: biópsia cutânea com histopatologia compatível (dermatite de interface), após excluir outras causas de dermatose nasal.
• LES: combinação de critérios clínicos e laboratoriais — ANA (anticorpo antinuclear) positivo, somado a achados como poliartrite, citopenias imunomediadas e doença renal. Nenhum exame isolado fecha o diagnóstico.
Tratamento
A base é a imunossupressão. No LED, frequentemente bastam medidas locais e fotoproteção, com imunossupressão leve. No LES, usa-se imunossupressão mais intensa (corticoide em dose imunossupressora, associado a outros imunomoduladores nos casos refratários), com monitoração cuidadosa e tratamento dos órgãos acometidos. O acompanhamento é de longo prazo.
Perguntas frequentes
Depende da forma. O discoide (cutâneo, no focinho) é benigno; o sistêmico é grave e multissistêmico. Por isso o diagnóstico correto é decisivo.
Sim, especialmente o discoide. A fotoproteção é parte essencial do manejo.
É uma doença controlável, não curável. Com imunossupressão na menor dose eficaz e acompanhamento, muitos cães têm boa qualidade de vida.
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